Editorial

O boicote das marcas ao Facebook

02 de Julho de 2020 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Até o último domingo, mais de 160 empresas de todo o mundo, algumas no rol dos maiores anunciantes do planeta, já haviam comunicado boicote ao Facebook, com a suspensão da publicidade na plataforma. Ou seja, deixaram de investir e, automaticamente, levar suas imagens a um universo de mais de um bilhão de usuários ativos.

O motivo? A falta de compromisso do Facebook em controlar os discursos de ódio que navegam, sem qualquer barreira, pelas páginas de quem ignora regras, direitos e deveres.

De acordo com os grandes sites de notícias, o boicote teve início em 17 de junho e se tornou uma avalanche na última sexta-feira, após a gigante mundial Unilever recolher toda sua publicidade da rede social. Horas depois e nos dias seguintes, num efeito cascata, a mesma decisão foi tomada pela Coca-Cola, Honda, Verizon, Levi Strauss e Starbucks.

Com uma catástrofe desenhada, o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, cedeu e anunciou uma política para proibir mensagens relacionadas ao discurso de ódio, responsáveis por promover a discriminação. A decisão, porém, só aconteceu por pressão e chegou tarde. Afinal, por anos a plataforma negou-se a controlar as informações consideradas tóxicas, compartilhadas pelos usuários, sustentada pela liberdade de expressão.

No Brasil, o Facebook é uma das redes preferidas da população, com 130 milhões de usuários em 2019. O boicote não é algo isolado e segue uma tendência global. Pressão sobre quem acreditava, até então, ser possível deixar livre as manifestações racistas, homofóbicas, discriminatórias, assim como ataques contra pessoas e instituições, sem qualquer preocupação com as consequências. Sempre com a sensação de que, por trás de uma tela, tudo é possível.


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