Editorial

O coronavírus desafia a educação

04 de Abril de 2020 - 07h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

O confinamento social trouxe desafios à sociedade e fez aflorar temas que, possivelmente, só seriam discutidos daqui a alguns anos por determinados segmentos. Entre eles, a educação. Predominantemente presencial, os ensinos Fundamental e Médio se viram, de uma hora para outra, numa encruzilhada. Com os alunos em casa e sem uma previsão de retorno das atividades, a dúvida que martela hoje a cabeça dos educadores - e também dos pais - é uma só: é possível ter aulas on-line?

Enquanto para a rede particular parece ser mais fácil levar adiante essa ideia - partindo-se do pressuposto de que todos têm em suas residências uma boa internet e equipamentos -, a rede pública municipal e estadual tem desafios maiores pela frente. Pensar em dar aulas on-line requer, inicialmente, contemplar 100% dos estudantes. E para isso, todos devem ter condições e capacitação para a mudança. Um único aluno que fique fora já torna a ideia não universal.

O assunto preocupa especialistas. Em manifestação no mês de março, a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) emitiu nota mostrando o receio de gestores educacionais com a falta de estrutura das escolas públicas, de todo o país, para ofertar aulas pela internet. A ponto de a entidade sugerir que, caso o ensino a distância seja adotado, num primeiro momento seja apenas complementar, sem substituir ainda as aulas presenciais.

As regras para o setor ainda não são claras e as decisões tomadas até aqui são isoladas, de estado para estado, município para município. Falta, portanto, orientação nacional. O risco, no contexto atual, é a educação caminhar para um calendário desuniformizado. Ao término da quarentena, crianças e jovens da mesma idade e na mesma série poderão estar mais à frente ou mais atrás no aprendizado.

 


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