Editorial

O Brasil deve olhar a elevação do nível dos mares

24 de Junho de 2017 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

A ocorrência de ressacas, enchentes, enxurradas e deslizamentos de terra nas cidades costeiras do Brasil deve aumentar consideravelmente nas próximas décadas a partir da elevação do nível do mar no litoral, aponta o relatório produzido por cientistas de todo o país, a pedido do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PMBC), órgão que reúne representantes dos ministérios da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e do Meio Ambiente (MMA), universidades e centros de pesquisa.

Coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e colaborador do PBMC, o climatologista José Marengo faz um alerta que essa elevação do nível do mar, aliada ao aumento das tempestades, trará uma série de riscos à ocorrência de eventos extremos na linha costeira, com impactos econômicos, sociais e ambientais em escala maior. Embora pareça tão distante, a pesquisa não deve ser ignorada pela Zona Sul, onde cidades como Rio Grande, São José do Norte e Santa Vitória do Palmar se desenvolvem junto à costa.

"O que buscamos com esse estudo foi mapear as vulnerabilidades das cidades brasileiras situadas próximas ao mar, avaliar o potencial de impactos e propor meios para termos ações preventivas ao invés de reagir aos episódios extremos depois que eles acontecem", diz o climatologista.

O documento aponta que a maior temperatura média do planeta influencia diretamente a elevação do nível dos mares, decorrente da aceleração do derretimento da camada de gelo nos polos. Com mais calor e volume de água, avança o potencial de formação de tempestades ao longo da costa.

Entre as consequências da elevação do nível dos oceanos, surge a redução da faixa de areia, já observada. Em Recife (PE), por exemplo, o mar "cresceu" 20 metros na praia de Boa Viagem, assim como em Santos (SP), onde funciona o maior porto da América Latina.

Com menos faixa de areia, potencializam-se as ocorrências de ressacas porque as ondas chegam à costa com intensidade. Onde as construções são mais próximas à linha do mar, o prejuízo costuma ser maior. Já acontece a entrada da água em garagens, com danos em veículos e estações de energia. "Os estudos mostram que, com elevação de 50 centímetros do nível do mar, o centro histórico do Recife pode sofrer com as ressacas, podendo até perder parte do seu acervo histórico", lembra José Marengo.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que mais de 60% da população do país vive em cidades à beira-mar. (Com informações do MCTIC)


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