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A nossa arte como protagonista

Sete ao Entardecer e Sagrada Casa promovem apresentações artísticas pelotenses no Youtube

04 de Julho de 2020 - 09h36 Corrigir A + A -
Mano Rick se apresentou pelo projeto Estúdio Livre (Foto: Reprodução)

Mano Rick se apresentou pelo projeto Estúdio Livre (Foto: Reprodução)

A escritora Marciele Goetzke apresentou contação de causos da zona rural (Foto: Divulgação)

A escritora Marciele Goetzke apresentou contação de causos da zona rural (Foto: Divulgação)

Anjos & Querubins é atração deste sábado (Foto: Flávio Neves - Especial - DP)

Anjos & Querubins é atração deste sábado (Foto: Flávio Neves - Especial - DP)

A arte e a cultura se tornaram ainda mais protagonistas da sociedade durante a pandemia do novo coronavírus, pelo poder de criar um ambiente de refúgio em meio ao caos. Ao mesmo tempo, os personagens desses setores se viram afetados pelo necessário isolamento social. Em Pelotas, mais de cem apresentações, dos mais variados segmentos, têm unido os dois pontos: a valorização dos profissionais, e a produção de conteúdo. Elas são oriundas dos editais Sete ao Entardecer e Sagrada Casa, da Secretaria de Cultura de Pelotas (Secult), e ocorrem diariamente até o dia 7, como parte da programação da Semana de Pelotas.

Ao todo, 174 artistas se inscreveram nos editais - 121 para o Sete ao Entardecer e 53 no Sagrada Casa. A seleção dos contemplados foi feita através de uma comissão montada pelo Conselho Municipal de Cultura (Concult). Ao contrário do que é feito normalmente, a situação emergencial da cultura demandou que, desta vez, todos os trabalhos que chegaram completos à Secult foram passados para esse grupo. Após a escolha outra equipe realizou a averiguação de documentos.

As apresentações têm iniciado sempre às 11h com as casas, centros e grupos culturais contemplados no Sagrada Casa, até as 18h, quando os músicos do Sete ao Entardecer assumem as lives. A gerente de projetos da Secult, Alessandra Ferreira, se diz muito feliz com o resultado. "Não foram criadas muitas regras para que os artistas pudessem se expressar livremente com tempos mínimos e máximos de duração em cada edital, mas o melhor formato de se apresentar, dentro das limitações que a pandemia exige, lógico, foi pensado por cada participante."

A escritora Marciele Goetzke teve vídeo publicado na quinta-feira (2). Ela conta que a proposta foi baseada em causos contados pela comunidade rural - ela é moradora do Monte Bonito. "Desde pequena ouvia as histórias e nesse isolamento decidi me dedicar a escrever sobre. Me inspiro bastante na minha família e amigos também, e faço pesquisas de campo, em jornal e artigos."

A pandemia e o consequente isolamento social alterou os planos da artista de muitas formas. O trabalho de pesquisa de campo, para o próximo livro, por exemplo, acabou afetado, consequentemente a escrita também. Para além disso, a interrupção dos eventos literários prejudicou o lançamento deste e dos outros projetos que Marciele vinha trabalhando, como a antologia física do coletivo Autores de Pelotas. "A alternativa é tentar formatos digitais através das iniciativas emergenciais. Eu tenho contornado dando prioridade para novos projetos que não necessitam de pesquisa de campo inicialmente, ou que a pesquisa já tenha sido realizada de alguma forma, como no caso dos contos sobre monte bonito", comenta.

Sempre o rap

Uma das principais expressões das periferias brasileiras, o rap encontra terreno fértil em Pelotas. E, para além da produção de grandes e importantes canções, a formação voltada a lidar com os editais tem dado frutos na cidade. São vários os artistas da cena contemplados e com apresentações de qualidade ocorrendo nessa semana - Dirty Lion e o projeto Dunas Rap entre eles.

Dentro desse último, um dos participantes foi o rapper Mano Rick, cujo último álbum foi Do dunas pro mundo, de 2017. A apresentação ocorreu na terça-feira e o artista define a experiência como gratificante. "Projetos como o Sagrada Casa podem ser vistos como uma luz para o movimento cultural em momentos em que se faz necessário o isolamento social. Fiquei feliz pela aprovação da proposta do pessoal do Estúdio Livre (CDD), e pela inserção do rap a partir deles, que me fizeram o convite, e se dedicaram para executar o trabalho com todo o cuidado necessário."

Na apresentação, Mano Rick cantou músicas dos trabalhos já lançados e do próximo disco, que estava em processo de gravação quando a pandemia estourou. Ele conta com o produtor Luciano Matuck e dos músicos Lucas Consentins e Gabriel Soares para realizar o trabalho. O rapper afirma que, em virtude do cenário desfavorável, pensa em não lançá-lo em formato de disco, mas sim através de singles mensais. "Eu criei meu método de trabalho na relação com as pessoas, levando minha música até elas com CDs, camisetas, etc. Com a pandemia, foi preciso me adaptar a situação e descobrir novos mecanismos para seguir levando minhas criações de forma segura."

Expressão

Outro representante das periferias, ainda mais afetadas pela pandemia, é a ONG Anjos & Querubins, do Getúlio Vargas. O grupo existe desde 2003 e promove a inserção dos jovens através da música com a Orquestra Afrobeat. A apresentação ocorrerá no domingo (5), às 18h.

Na live, a Anjos & Querubins executará três canções: Tudo vai passar, composta por Bethoven Ortiz, Rede Cidadania, composta por Daniel Stepanski, e Chama Acesa, composta por Bê Souza. Todas as letras são do criador do projeto, Ben Hur Flores. A primeira é uma mensagem otimista para o momento. A segunda é uma homenagem para Agatha Esteves, morta nas ruas do Getúlio Vargas com uma bala perdida durante confronto de gangues rivais - o acontecimento também motivou a criação de uma biblioteca comunitária com o nome da pelotense. Chama acesa fala sobre a vida do rapper J Will quando o artista era morador de rua.

As gravações foram realizadas na EMEF Mário Meneghetti. A escolha se deu pela necessidade do distanciamento entre os alunos que participaram. "A molecada estava empolgada com o primeiro edital aprovado, um reconhecimento ao nosso trabalho. "A Anjos & Querubins também foi aprovada recentemente no edital da Secretaria de Cultura do Estado do Rio Grande do Sul FAC Digital.

Outras ações

Além das apresentações do Sete ao Entardecer e o Sagrada Casa, a Secult dará prosseguimento a outras ações com o intuito de auxiliar a comunidade artística durante a pandemia, Uma delas será o Cultura nos Bairros, que levará atividades culturais através de carros de som às comunidades, com inspiração em projeto semelhante do grupo Amigos do Sereno. A seleção dos artistas participantes também será feita através de edital.

Voltado às artes visuais, será lançado em breve um edital que adaptará a ocupação das salas expositivas da Secult para o ambiente virtual. "É importante lembrar que as oportunidades de trabalho para o setor cultural são também ofertadas em âmbito estadual e federal assim como de institutos culturais privados e devem ser acessadas pelos agentes culturais de nossa cidade. Ficamos contentes que mais de 80 projetos locais foram aprovados no edital da SEDAC", comenta a gerente de projetos da Secult, Alessandra Ferreira.

Lei Aldir Blanc

Ao comentar a importância da cultura no atual momento, como meio de refúgio, o Secretário de Cultura de Pelotas, Giorgio Ronna, celebrou a aprovação a nível nacional da Lei Aldir Blanc, que distribuirá recursos para estados e municípios com o objetivo de auxiliar quem é parte integrante da economia criativa. Em Pelotas, devem chegar R$ 2 milhões através desta fonte. De acordo com Ronna, uma plataforma será lançada em breve para cadastrar agentes culturais, com o objetivo de criar um mapeamento e uma percepção mais apurada de cada segmento. "Estamos em um momento muito produtivo com o Conselho Municipal de Cultura de diálogo contínuo. Juntos, faremos as pré-conferências dos segmentos culturais para decidirmos as melhores formas de investimento dos recursos da lei que são previstas para editais e prêmios."

Confira

As apresentações ocorrem no canal Sagrada Casa e Sete ao Entardecer no YouTube. Após a estreia, elas ficam disponíveis para visualização futura. Confira a programação dos dias nas redes sociais da Secretaria de Cultura.

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