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Música

Reconectar-se, ele brada

Marco Gottinari lança novo disco, intitulado "Xondaro"

10 de Maio de 2020 - 08h45 Corrigir A + A -
Em sítio, músico pelotense realiza atividades de reconexão com a terra (Foto: Divulgação - DP)

Em sítio, músico pelotense realiza atividades de reconexão com a terra (Foto: Divulgação - DP)

"Xondaro", em guarani, significa guardião (Foto: Divulgação - DP)

Marco Gottinari clama para que sejamos guardiões da Mãe-Terra. Crê ser para ontem essa mudança de atitude, essa necessidade que sejamos mais coletivos e menos individualistas. O grito dele é música: são essas as questões que ele aborda no novo disco Xondaro - cuidador da natureza, em guarani -, lançado na sexta-feira (8) nas plataformas digitais. O caderno Estilo entrevistou o artista com exclusividade.

Gottinari é músico, compositor, agricultor ecológico agroflorestal. Natura de Pelotas, reside há sete anos no sítio Caminhos da Terra, na zona rural de Caxias do Sul, onde desenvolve. projetos de reconexão com a terra, mostrando na prática, que é possível uma agricultura baseada nos princípios sintrópicos, onde a harmonia e cooperação regem as relações com todos os seres de todos os reinos. Xondaro possui oito faixas e foi gravado em São Pedro da Serra (RJ), Pelotas e Caxias do Sul. O lançamento é do selo Porangareté, sonho de Cássia Eller concretizado pelo filho, Chico Chico, que participa do disco. O projeto gráfico é da Nativu Design e Saarah Gottinari Design.

Estilo: O que esse disco novo tem de diferente em relação aos demais? E no que ele é semelhante?
Marco Gottinari: Neste disco a bateria e percussão .marcam o ritmo em quase todas as faixas. Foi gravado em várias etapas e vários lugares. Conta com a participação de um coral de crianças indígenas e um coral de crianças urbanas do projeto CASE.
As semelhanças se dão no leque de estilos das composições. Características dos discos anteriores e nos projetos vinculados ao álbum.

E: Através de quais elementos o disco aborda o tema proposto?
MG: Elementos sonoros e poéticos: as músicas escolhidas foram colocadas numa ordem que nos faz transitar emocionalmente pelo álbum. Às vezes, nos questionando, nos fazendo refletir. Outras, nos acariciando. Outros elementos são os projetos que estão vinculados ao disco e que já estão em andamento no Caminhos da Floresta.

E: Por que achas importante que voltemos a ser xondaros?
MG: Gaia está nos chamando. Ela sempre precisou dos seus guardiões e cuidadores e agora, ainda mais. E, se não atendermos ao seu chamado, poderá ser tarde demais, não para Gaia, mas para nós.
E: Que tipo de reflexão esses tempos de pandemia e isolamento social podem trazer para o ser humano?
MG: Que possamos refletir sobre o caos, a dor e o sofrimento que estamos causando para tantos seres e seus reinos, para a nossa e as próximas gerações. Em nome de um progresso econômico baseado na competição e exploração de recursos. E digo, aqueles que ainda se acham no poder, alimentando o medo, o ódio, o preconceito… para estes é só uma questão de tempo, para deixarem seus tronos. E, por isso, que precisamos atender ao chamado de Gaia, pois esse tempo será determinado por nossas escolhas e ações.

E: Qual a importância da música nesse momento?
MG: Ser trilha sonora para nossos anseios, nossas lágrimas, nosso riso e nossos sonhos.

E: Como funcionam os projetos de reconexão com a terra que desenvolves no sítio?


MG: No Caminhos da Floresta temos um projeto chamado Conexão Floresta. Onde buscamos resgatar na teoria e na prática a reconexão com a natureza e suas leis naturais que regem todos os processos de vida. Harmonizando e cooperando para que o resultado seja a abundância.
Entre as atividades estão o reconhecimento de PANC ( plantas alimentícias não convencionais), manejos agroflorestais sintrópicos, noções agroecológicas de cuidado com as águas e o meio ambiente, a proteção e multiplicação de sementes crioulas e árvores nativas e a transição culinária para uma dieta vegetariana e vegana.

E: Teu filho seguiu também o caminho da música, ainda que em uma vertente bem diferente. Como é para ti ver que ele seguiu teus passos, de certa forma?
MG: Sem surpresas, eu já sabia. Na verdade ele não seguiu os meus passos, mas sim, os seus dons naturais. Por maior que seja a diferença entre os estilos, a música sempre converge para um único ponto e, essa conversão, nos fez criar o projeto Pai, filho, espírito canta. Onde nos reencontramos musicalmente. Aguardem.

 

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