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Crônica

Nossos lockdowns

01 de Maio de 2020 - 05h01 Corrigir A + A -

Por: Thais Russomano

A palavra lockdown ganhou fama no último mês, graças à pandemia da Covid-19, sendo diariamente repetida pela mídia internacional, para anunciar que este ou aquele país fechou portas e fronteiras. Definida como o isolamento ou o acesso restrito instituído por medida de segurança, o lockdown é a imposição a um estado permanente de controle da movimentação de indivíduos ou da sociedade. Ficamos todos confinados, isolados, monitorados, com um limitado uso de nosso direito de ir e vir.

Esse lockdown que estamos vivendo é, porém, apenas um dos tipos de confinamento que existe em nossas vidas. Há vários outros que nem mesmo nos damos conta que estamos submetidos, os quais têm o poder de nos confinar e nos isolar muito mais.

Expectativas, crenças, temores, receios, ansiedades, medos, regras sociais, posição profissional, entre tantos outros, são capazes de nos aprisionar dentro de nós mesmos, deixando-nos presos entre paredes invisíveis. Esse emparedamento é tão opressor e perene, que nos molda e nos cega, passando a fazer parte de nossas vidas. Sem notar, estabelecemos uma profunda intimidade com essas paredes invisíveis, e elas se tornam limites habituais e, portanto, aceitáveis.

Quando o lockdown pela Covid-19 acabar, sairemos de nossas casas rumo a uma vida mais livre, mas carregaremos conosco as paredes invisíveis que nos aprisionam. E essas são, infelizmente, bem mais difíceis de derrubar, pois sua construção foi executada meticulosamente com sólidos e pesados tijolos fictícios, empilhados um sobre o outro, ao longo de toda uma existência, com a intenção de nos manter confinados, em um interminável lockdown, dentro de nós mesmos!

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