Estilo
Crônica

Que momento!

01 de Maio de 2020 - 05h00 Corrigir A + A -

Por: Lisani Rotta

Com se não bastasse a angústia causada pela pandemia o ex-Juiz Sergio Moro, numa entrevista coletiva, comunica ao Brasil a sua saída do Ministério da Justiça. A justificativa de que o Presidente da República Jair Bolsonaro não cumprira a promessa de dar a ele carta branca para comandar o ministério e exonerar, contra a sua vontade, o diretor geral da Polícia Federal deu início a uma onda gigantesca de assassinatos de reputações, que mais lembra um tsunami, tal a devastação. Inacreditavelmente, há quem comemore, como se não compreendesse que o país que mergulha nessa lama toda pertence a todos nós. Isso é muito triste. É uma sucessão de desencantos. É como torcer contra o Brasil na Copa do Mundo porque o time selecionado não é o que gostaríamos. É um raciocínio que foge a minha compreensão. O nome de Sergio Moro na Justiça era símbolo de seriedade e comprometimento máximo na luta contra a corrupção e o crime organizado no nosso país. Moro na justiça e Paulo Guedes na economia eram os dois pilares de sustentação de um governo constantemente bombardeado pela oposição. São dois nomes de peso que, mesmo em meio à pandemia ou diante à recessão horrorosa que virá, faziam com que a maioria de nós brasileiros se sentisse amparado, em boas mãos.

Uma situação semelhante à de um paciente grave bem assistido por uma equipe médica competente. Mesmo diante das incertezas de uma doença rara, estar em boas mãos faz diferença, traz esperança. Porém, se a equipe entra em desacordo, se um membro importante desiste, a sensação de abandono, de desamparo, é desesperadora. Na tentativa de justificar as suas atitudes os protagonistas dessa infelicidade dão início a uma guerra de versões que só fazem desestruturar ainda mais aquele que deveria ser o foco de toda a atenção e cuidado. O paciente. O Brasil. É uma pena. Sinceramente, não sei o que pensar. O único sentimento claro que eu tenho agora é o desapontamento. Ao contrário de outros países que, acometidos pela pandemia, esqueceram as diferenças e se uniram, o Brasil se divide mais uma vez. Me sinto numa rinha de cães onde a aposta é a comida dos filhos. Uma briga triste, feia, onde todos se machucam e as reputações são seriamente atingidas.

E eu pensando que estávamos aprendendo algo com esse momento. Precisamos entender que não temos de escolher lado nenhum e focar no país. Temos que agir certo, de acordo com a lei. Precisamos nos deter a fatos, buscar comprovações antes de nos lançarmos a julgamentos precipitados. Tudo o que temos, até esse momento, são fragmentos de um complexo quebra cabeças. Precisamos observar com atenção cada peça e encaixá-las devidamente para chegarmos à visão do todo. Nem sempre é fácil adivinhar do que se trata antes de colocar as últimas peças em seus devidos lugares. Sinceramente, espero que não tenhamos ainda mais surpresas quando, enfim, o todo se revelar. Está muito difícil se manter confiante no nosso país!

Definitivamente, o Brasil não é para amadores.

 

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