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Feira do Livro

Final de semana para mergulhar na leitura

Além da comercialização de volumes, 47ª edição oferece diversidade cultural

02 de Novembro de 2019 - 11h32 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

Lançamentos, promoções e saldos são atrativos para o público (Foto: Jô Folha - DP)

Lançamentos, promoções e saldos são atrativos para o público (Foto: Jô Folha - DP)

Neste final de semana, o primeiro dos três em que a comunidade poderá desfrutar da Feira do Livro de Pelotas, a 47ª edição promete de ser a principal atração cultural do município. Nem as condições climáticas desfavoráveis dos últimos dias tiraram o entusiasmo dos livreiros em fazer deste evento um dos mais movimentados dos últimos anos. Quem circular pela praça Coronel Pedro Osório terá a oportunidade de aproveitar saldos e descontos nas livrarias, falar com autores e curtir apresentações artísticas da Tenda cultural, desde as 14h. Mas os estandes estão abertos a partir das 13h e a função se encerra às 22h, tanto no sábado (2) quanto no domingo (3).

Este ano a Feira conta com 13 livreiros de Pelotas e região, um a mais do que na edição passada. A livraria da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), apoiadora do evento, é uma das novidades com seu retorno ao centro da praça. No estande da instituição, publicações da editora da Universidade.

"Eles pararam alguns anos de vir, agora estão de volta no miolo", diz a organizadora da Feira, Theia Bender. Além de apresentar as obras, a editora da UFPel vai fazer sessões de autógrafos com seus autores.

Quem for à praça também poderá conhecer um pouco do trabalho desenvolvido pela Fundação Cultural Palmares, outra entidade que entra no apoio cultural do evento. Além de fazer a distribuição gratuita do seu material gráfico, a entidade traz a Pelotas quatro de seus escritores. Neste sábado, por exemplo, Eliana Alves Cruz lança em Pelotas o romance policial O crime do cais do Valongo.

Ainda na programação, a peça Diário de Bitita, monólogo de Carolina Maria de Jesus. A atividade é outra promoção da Fundação Palmares.


Apoios importantes

A Câmara Pelotense do Livro, realizadora do evento, e os apoiadores culturais - também a prefeitura e a Bibliotheca Pública Pelotense - uniram esforços para diversificar ainda mais a programação cultural da 47ª edição, que celebra a literatura sob a temática Saberes e fazeres. O tema foi uma sugestão da UFPel, ao lembrar do recente reconhecimento da tradição doceira como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro. "Isso tudo enaltece os nossos saberes e os nossos fazeres, é esse envolvimento que a cidade representa", explica a organizadora.

Ao longo dos 18 dias de evento serão mais de 180 atividades ocorrendo no palco da Tenda Cultural, na Bibliotheca Pública Pelotense (BPP) e nos museus da UFPel (do Doce, Carlos Ritter e de Artes Leopoldo Gotuzzo), instalados nos prédios históricos que ficam no entorno da praça Coronel Pedro Osório.

A pró-reitora de Extensão e Cultura da UFPel, Francisca Michelon, explica que a participação da Universidade é resultado de uma parceria iniciada em 2017 e neste ano se une ao 50º aniversário dessa instituição de ensino. O objetivo não é só ocupar um estande, mas também ajudar na produção da Feira. "Nós somos participantes desde a concepção da Feira, mais do que uma presença como livreiros."

É da UFPel que vieram as indicações para os nomes do orador e do homenageado, que neste ano lembrou do professor Andrey Schlee, filho do homenageado, o escritor Aldyr Garcia Schlee, falecido no ano passado, aos 84 anos. Já o nome da patrona, a professora e pesquisadora Fernanda Oliveira, foi trazido pela Secretaria de Cultura.

A instituição também se incumbe, por exemplo, da produção gráfica do fôlder com a programação completa, além de desenvolver atividades culturais paralelas. Francisca lembrou que é sabida a falta de recursos financeiros das universidades públicas, mesmo assim a UFPel mantém essa interlocução com a comunidade. "Nós temos um recurso poderosíssimo: todas as áreas do conhecimento."

Um dos projetos que serão desenvolvidos durante esses dias é o Conversa Com os Autores, que ocorrerá nos espaços dos três museus em diferentes dias. Nestes espaços, repletos de temas importantes para a cidade, como as artes, a ciência e a tradição doceira de Pelotas, os visitantes da Feira do Livro poderão ouvir e conversar com os autores.

O próximo encontro ocorrerá nesta quinta-feira, às 19h, quando a professora e pesquisadora Frantieska Huszar Schneid vai falar sobre Memória e patrimônio, no auditório do Museu do Doce. A programação completa pode ser acessada pelo endereço https://bit.ly/2ozVIpv.

Trabalho desafiador

Fazer funcionar toda esse engrenagem não é tarefa fácil e a cada ano está mais desafiadora. "É com grande esforço que se luta para manter a Feira", diz Theia. Produzir o evento custa em torno de R$ 150 mil, parte do valor coberta pelos próprios livreiros que compram os estandes. "O que a Feira arrecada é para pagar tudo isso aqui."

Muitos dos custos também são cobertos via parcerias, que se comprometem com itens como impressões, projetos, estruturas. "Ninguém dá dinheiro, mas se não fossem essas ajudas não teríamos Feira."

Para a coordenadora falta reconhecimento da importância que a Feira tem. "Todo mundo enaltece a importância da leitura e do livro, mas investir nisso, acreditar que essa Feira pode ser maior e melhor, é mais complicado", fala a coordenadora.

Apesar do desconhecimento de muitos de que a Feira precisa de ajuda para ser erguida, esta edição ganhou novos parceiros, como a Associação Comercial de Pelotas (ACP), a Escola Santa Mônica, a Distribuidora de Bebidas Alemão e a Pane Mio.

O presidente da Câmara Pelotense do Livro, André de Souza Silva, diz que o maior problema em Pelotas é a ausência de patrocinadores. "Os empresários precisam ver o livro não só como um produto, mas também como algo que valoriza a pessoa, que dá conhecimento, que agrega ao ser humano", comenta.

Mesmo sem esse grande patrocinador, os livreiros seguem fazendo a Feira possível e a cada edição eles projetam superar as vendas do ano anterior, que chegaram a mais de 60 mil livros. Para isso, argumenta Silva, as apostas são nos saldos, nas novidades e nos bons descontos, além das atrações culturais que também chamam o público.

O livreiro Gelso Lovatel, da Vanguarda, confirma que a expectativa é superar as vendas do ano anterior. "A gente conseguiu junto com editoras um desconto mais agressivo, que vamos repassar aos clientes." Além dos descontos, a livraria, em parceria com alguns selos, vai presentear os leitores com ecobags ou canecas na compra de algumas publicações.

Nesta livraria também poderão ser encontrados clássicos, quase 50 títulos, com preços inferiores a R$ 14,90. "Esperamos que o tempo nos ajude, mas acredito que vamos ter uma boa Feira."

Autores locais se mobilizam

O Coletivo Autores de Pelotas, criado há nove meses, também se mobilizou para estimular a leitura neste período da Feira do Livro com uma programação que irá se desenvolver na BPP. As atividades são sempre de quinta a domingo. Quem for até a Bibliotheca irá encontrar escritores tomando conta da feira itinerante #EuLeioPelotas Por Aí, com mais de 40 títulos, de gêneros variados, com até 25% de desconto em relação ao preço vendido nas livrarias.

Porém, o evento não se resume à venda de livros... ao longo dos 12 dias vão rolar cinco oficinas, três lançamentos, quatro bate-papos, um sarau e uma roda de conversa sobre literatura. Toda programação é gratuita. Neste sábado, a feira itinerante ocorre das 17h às 20h, seguida de sarau literário, das 18h às 20h. Domingo, #EuLeioPelotas Por Aí fica no mesmo horário, das 18h às 20h ocorre o do livro de poesia Babel, de Fábio Amaro.

As inscrições para as oficinas devem ser feitas pelo e-mail euleiopelotas@gmail.com. O interessado deve especificar no assunto o nome da(s) oficina(s) que quer participar. A confirmação da inscrição também será feita por e-mail. Caso sobrem vagas, poderão ser preenchidas na hora da oficina. O evento conta com o apoio da Bibliotheca Pública Pelotense.

Programação

Tenda Cultural

Sábado (2)

14h - Baby Class Ballet Infantil Vitória Calderipe

14h30min - Escola Santa Mônica - Dança/música

15h - Escola Freinet - Dança

16h - Escola Freinet - Dança/declamação

17h - Coral Jaspe - Música

18h - Marco Antônio Chaves - MPB

19h30min - Vagner Moura e banda - Sertanejo/pagode/reggae)

21h - Esporte Clube Clássicos do Samba

Domingo (3)

14h - Dropops - Música

15h - G.D.F. Essência Campeira - Dança

16h - Invernada Artística do CTG Minuano - Dança

17h - GDT Alma Gaúcha - Dança

17h30min - Two Girls - Dança

18h - Yinstudio de Dança

19h30min - Matudari - MPB

21h - Samba da Amizade - Samba

Autógrafos

Sábado, às 19h

Talvez, no fim / É recém segunda e já quero morrer, de Paloma Rodrigues - Vanguarda

A dança moderna no mais educação / Diálogo com Jovens negros / Anomalia Social / Sociedade do
acaso, de Alex Gonzaga - Vanguarda

Não nos ensinaram a amar ser mulher, de Michelle C.Buss - Vanguarda

O crime do Cais do Valongo, Eliana Alves Cruz (Fundação Cultural Palmares)

Domingo, às 19h

Cinco minutos com Jesus, reverendo Valdir Lopes Junior - Concórdia

Castelo Forte, reverendo Welton Zarnott Raatz - Concórdia

Vida minha, Zilma Ferreira Lima - Feito de Letras

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