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Território Kehinde

Pelotas entra na rota da Bienal Mercosul

Durante cinco encontros com entrada franca 12ª edição do evento de artes visuais propõe a construção coletiva de saberes

05 de Outubro de 2019 - 14h02 Corrigir A + A -

Por: Redação
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Ações buscam criar espaços de escuta e troca entre público e facilitadores (Foto: Thiéli Elissa - Especial DP)

Ações buscam criar espaços de escuta e troca entre público e facilitadores (Foto: Thiéli Elissa - Especial DP)

Chegar, encontrar e aprender junto. Essa é a proposta do Território Kehinde, uma ação da Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul formada por debates e rodas de conversa que propõem a construção coletiva de saberes. A partir de terça-feira (8) até novembro, a instituição promoverá cinco encontros gratuitos para discutir temas como arte e cultura e sobre o feminino. Pelotas, além de Porto Alegre e Caxias do Sul, é uma das cidades contempladas com o evento.

As atividades fazem parte do programa educativo da Bienal 12, que busca criar espaços de escuta e de troca entre o público em geral e agentes da educação, com diversas ações que estão sendo realizadas durante este ano. As inscrições podem ser feitas gratuitamente no site www.fundacaobienal.art.br.

"O Território Kehinde parte de um marco na literatura contemporânea brasileira, o romance Um Defeito de Cor e sua protagonista, para reunir mulheres, seus pensamentos, suas formas de invenção de mundo e as artes visuais contemporâneas. Culturas contemporâneas, femininos, raça, arte e educação são o mote desses encontros. São mulheres e alguns homens cujas vozes são indispensáveis para pensar o nosso tempo e esses atravessamentos", explica o curador educativo da Bienal 12, Igor Simões, que participará de todas as mesas do projeto.

O primeiro encontro ocorre nesta terça-feira (8), às 19h, no Centro Histórico-Cultural Santa Casa, em Porto Alegre, com a presença da curadora-chefe Andrea Giunta e da curadora Fabiana Lopes falando sobre os temas que serão explorados durante a Bienal 12. No mesmo dia, às 20h, as professoras Carmen Capra, Luciana Loponte e Celina Alcântara discutem os espaços educativos e as relações entre mostras, salas de exposição, salas de teatro e salas de aula. A segunda ativação também será na capital gaúcha, no dia 31 deste mês, com três rodas de conversa entre agentes da educação.

Caxias do Sul receberá o terceiro encontro do Território Kehinde. No dia 6 de novembro, às 19h, no Sesc, a discussão será sobre artes visuais e raça com participação da artista, educadora e curadora independente Renata Sampaio e do artista Xadalu, conhecido pela profunda relação com a cultura indígena no Rio Grande do Sul. No dia 7, Pelotas receberá uma ação da Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul formada por debates e rodas de conversa que sugerem a construção coletiva de saberes.

No encontro que se inicia às 19h, na Bibliotheca Pública da cidade, a historiadora da arte e ativista Izis Abreu e a professora Dedy Ricardo vão debater o território de mulheres negras e a arte. Não há como pensar em artes visuais e suas intersecções sem pensar em quem está inscrito nela e em quem ainda chama por visibilidade. Indígenas, negros ou as várias intersecções entre esses lugares, gêneros, classes e artes.

A mesa que a Bienal 12 traz para Pelotas quer debater e ouvir algumas premissas para o necessário enfrentamento. O encontro terá entrada franca. As inscrições já podem ser feitas gratuitamente pelo site www.fundacaobienal.art.br.

Em abril

O encerramento das atividades será com um quinto encontro, marcado para o dia 12 de novembro, em Porto Alegre, com ativações no Centro Histórico-Cultural Santa Casa e no Centro Cultural CEEE - Erico Verissimo. Confira a programação completa na sequência.

As atividades do programa educativo fazem parte da programação da Bienal 12. A mostra de arte contemporânea será realizada em Porto Alegre de 16 de abril a 5 de julho de 2020, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul, no Memorial do Rio Grande do Sul, na Praça da Alfândega, no Centro Histórico-Cultural Santa Casa e na Fundação Iberê Camargo.

A Bienal 12 tem patrocínio do Santander, copatrocínio do Banrisul, apoio de Unimed e Unicred, apoio institucional de Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul, Memorial do RS, Margs, UERGS, CHC Santa Casa, Fundação Iberê Camargo e Theatro São Pedro, realização do programa educativo pela Fecomércio/SescRS e realização da Lei Federal de Incentivo à Cultura e da Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul.

 

Herança contínua da colonização

O romance Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves, é, desde seu lançamento em 2008, um marco na literatura contemporânea brasileira. Mas ele vai além. Estabelece-se como marca porque revela uma herança contínua da colonização e da eleição, da sujeição e do direito de posse de humanos sobre humanos.

Marco porque cria vínculos de uma memória que se acreditava, durante muito tempo, estar perdida e que reaparece como relâmpago necessário na lacuna de um registro sobre de onde viemos e de qual lugar surgem nossas raízes. A escravização no Brasil não pode ficar relegada à experiência do passado. Antes disso, ela é elemento que atravessa nossas maneiras de pensar e de existir em uma sociedade assimétrica e, muitas vezes, desumanizadora.

No entanto, a obra desenha, inscreve, rasga lugares para ver a existência negra no século 19 brasileiro. Há ali negros que leem e criam estratégias de aprendizado, há o centro urbano tomado por homens e mulheres que se deslocam e negociam suas liberdades e aprisionamentos, há a vida da Bahia, do Maranhão, do Rio de Janeiro, de São Paulo.

Há sobretudo uma mulher que ascende a própria vida e atende sob o nome de Kehinde. A personagem empreende de Savalu até o Brasil, dos Brasis até as Áfricas e Europas. Inventa formas de vida, olhos de ver e ser vista, morre algumas vezes, vive muitas, aprende e ensina. Kehinde é a mulher negra com suas táticas de existir: a astúcia, a atenção, o olho atento ao afeto não distante da luta e dos saberes. É a capacidade de criar territórios a cada chegada.

Em uma mostra, no Sul do mundo, como a Bienal 12, que toma como ponto de partida e de chegada os femininos e a arte em seus tensionamentos e possibilidades de invenção, tomar a figura de uma personagem que está entre a vida e a ficção - entre a memória e a escrita de passados necessários e sobre a marca da mulher negra - vai além de uma homenagem. Significa estabelecer que a mulher negra tem poder em diferentes sentidos de ser a imagem de um mundo já vivido e aquele desejado.

Território Kehinde é a porção de um projeto educativo que toma essa mulher negra e suas criações de vidas como ponto do qual se empreende o encontro. É lugar de mulheres e, algumas vezes, de homens também.

Território Kehinde será durante a Bienal 12 tudo aquilo que se baseia no chegar, encontrar e aprender junto. É uma roda de conversa. São territórios que se abrem em diferentes cidades sempre com convidadas, seus saberes e suas possibilidades de construir ali seus territórios e suas formas de aprendizado.

Kehinde é deslocamento. Deslocamento de conhecimentos, de perspectivas, de certezas e construções do comum, da ordem do que é compartilhado. Kehinde é a imagem e a seta dos encontros que se dão ao longo de 2019 e 2020.

Fundação Bienal do Mercosul

Criada em 1996, a Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul é uma instituição de direito privado, sem fins lucrativos, que tem como missão desenvolver projetos culturais e educacionais na área de artes visuais, adotando as melhores práticas de gestão e favorecendo o diálogo entre as propostas artísticas contemporâneas e a comunidade.

Ao longo de sua trajetória, a Fundação Bienal do Mercosul sempre teve como missão a ênfase nas ações educativas e os seguintes princípios norteadores: foco na contribuição social, buscando reais benefícios para os seus públicos, parceiros e apoiadores; contínua aproximação com a criação artística contemporânea e seu discurso crítico; transparência na gestão e em todas as suas ações; prioridade de investimento em educação e consolidação da Bienal como referência nos campos da arte, da educação e da pesquisa nessas áreas.

Em 22 anos de existência, a Fundação Bienal do Mercosul realizou 11 edições da mostra de artes visuais, somando 615 dias de exposições abertas ao público, 74 diferentes exposições, participação de 1.759 artistas, com 4.849 obras expostas, intervenções urbanas de caráter efêmero e 16 obras monumentais deixadas para a cidade. Foram 6.061.698 visitas com acesso totalmente franqueado. Contabiliza, ainda, 76,5 mil exemplares distribuídos dos catálogos das mostras, 298 mil exemplares de material didático produzido para alunos, professores e instituições de ensino.

A Diretoria e os Conselhos de Administração e Fiscal da Fundação Bienal do Mercosul atuam de forma voluntária. Todos os eventos e ações da Fundação são oferecidos gratuitamente ao público, com recursos incentivados por uma grande rede de patrocinadores, parceiros e apoiadores.


Serviço

O quê: Programa Educativo da Bienal 12 - Território Kehinde

Quando: a partir de terça-feira até novembro

Onde: Porto Alegre, Caxias do Sul e Pelotas

Inscrições: www.fundacaobienal.art.br

Entrada franca

Cada atividade tem duração de 90 a 120 minutos

Programação

4º encontro - Pelotas, dia 7 de novembro na Bibliotheca Pública Pelotense

19h - Território de mulheres negras e a arte; com Izis Abreu e Dedy Ricardo

 

 

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