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Cadeira vazia

28 de Setembro de 2019 - 06h00 Corrigir A + A -

Thais Russomano

Uma cadeira vazia tem o poder de causar um grande impacto emocional. Inerte e solitária, é muitas vezes o símbolo de uma ausência eterna ou de uma partida sem regresso. Ela é, assim, capaz de gerar um desconforto dolorido, uma tristeza profunda, ao servir como a lembrança silenciosa de que era ali que ele ou ela costumava sentar.

Foram essas sensações de desconforto e tristeza que me assolaram quando visitei recentemente a Praça dos Heróis do Gueto no bairro judeu de Cracóvia, o Podgorze. Ali, estão expostas 68 cadeiras vazias, de tamanhos diferentes, dispostas de forma isolada ou em grupos de 3 ou 4. Feitas em bronze, elas homenageiam os judeus que ali chegavam para ser transportados para outro local, onde supostamente viveriam em paz com suas famílias. Com essa expectativa na alma, eles carregavam consigo malas repletas de roupas, diversos pertences pessoais e até mesmo alguma mobília.

O gueto dos judeus de Cracóvia foi construído pelo regime Nazista em 1941, quando 15 mil judeus passaram a morar numa área que antes tinha 3 mil pessoas, obrigando várias famílias a dividir um mesmo apartamento. As precárias condições de vida permitiram que a fome, o medo e doenças fossem dominando a vida dos habitantes do gueto. Assim, a possibilidade de uma transferência para outro local logo parecia ser uma excelente opção. Malas, pertences e mobília, porém, ficavam na Praça dos Heróis do Gueto, com a promessa de que seriam devolvidos aos seus donos no destino final _ o que, claro, nunca aconteceu!

Dessa triste história, restam hoje cadeiras vazias espalhadas por uma praça de Cracóvia _ e cada uma delas, indiscutivelmente, imortaliza a dor de uma ausência eterna ou o sofrimento de uma partida sem regresso.

 

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