Airton acredita que na vida abrem-se ciclos e outros se fecham e assim lida com o sentimento

Airton acredita que na vida abrem-se ciclos e outros se fecham e assim lida com o sentimento

As duas faces da saudade

No dia da saudade, psicóloga aponta diferenças entre a nostalgia e a melancolia

A curiosidade sobre o fato é que o termo só existe nos povos de língua portuguesa e galega

30 de Janeiro de 2014 - 08h32 0 comentário(s) Corrigir A + A -
Airton acredita que na vida abrem-se ciclos e outros se fecham e assim lida com o sentimento

Airton acredita que na vida abrem-se ciclos e outros se fecham e assim lida com o sentimento

Saudade. O significado da palavra, de acordo com o velho e bom dicionário, traduz uma espécie de recordação suave de pessoa ausente, local ou coisa distante, que se deseja voltar a ver ou possuir. Os tempos de criança, aquele bolo de chuva feito pelos avós ou um ente querido que já partiu desta vida. As lembranças são o combustível da saudade, que tem até data de celebração. E esse dia, é hoje: 30 de janeiro, dedicado nacionalmente à saudade.

Confira abaixo uma reportagem multimídia sobre o Dia da Saudade

A curiosidade sobre o fato é que o termo só existe nos povos de língua portuguesa e galega - idioma da região da Galícia, na Espanha, e comunidades descendentes na Argentina, no Uruguai e em Cuba. Em inglês, o termo é traduzido por i miss you, que significa sinto sua falta. Em francês, souvenir, quer dizer lembrança. Em italiano, ricordo affetuoso, recordação afetuosa e em espanhol recuerdo e extraño mucho, significam lembrança e sinto falta, respectivamente.

Mas, até que ponto é normal sentir saudade? De acordo com a psicóloga Thaiane Duarte Rocha, a abordagem do tema necessita de uma separação entre a saudade propriamente dita e a melancolia, sintoma em que a pessoa não consegue se desprender do passado. "Existe essa diferença. Sentir saudade das coisas, de outras épocas, de pessoas, é muito comum em todos nós. É absolutamente normal. Porém, quando o indivíduo se torna melancólico, fica preso ao seu passado e não consegue abrir-se para o presente, isso pode ser associado, inclusive, com a depressão", explica a psicóloga.

A questão do luto, segundo ela, é comum neste caso. Embora a psicologia não seja uma ciência exata, geralmente o indivíduo precisa de pelo menos um ano para se adaptar à perda de pessoas importantes na sua vida. Os primeiros 12 meses significam enfrentar datas comemorativas como o aniversário, Dia dos Pais, das Mães, Natal, enfim. "É preciso que esse indivíduo passe por essas datas marcantes sem as pessoas que já se foram para compreender e aceitar que será assim daqui para a frente", aponta. Caso o sentimento de perda continue por mais tempo, pode ser um indício de um trauma, o que sugere a necessidade de um acompanhamento psicológico. "Conheço casos de pessoas que após entes queridos morrerem, não mudam móveis de lugar, deixam os quartos praticamente intactos. Neste caso, a pessoa deve procurar seus meios. A psicologia está aí para auxiliar", finaliza Thaiane.

O lado bom da saudade
A sensação de nostalgia faz bem à saúde. São boas lembranças da infância, adolescência ou simplesmente de momentos onde a felicidade foi plena. Airton Oliveira Vieria, de 76 anos, recorda com carinho da fase da vida em que exercitava seus dons musicais em bares e locais públicos. O aposentado mantém, até hoje, um estúdio em casa onde guarda os instrumentos e compõe algumas canções, de vez em quando. "Eu gostava mesmo era daquele pique, de sair e tocar nos lugares. Minha esposa, que faleceu há dois anos, sinto saudades dela. Mas a vida é assim. Fecham-se ciclos e abrem-se outros", comenta o músico.

O facebook também é uma ferramenta que desperta a saudade de tempos áureos da adolescência de Maria Angélica da Cunha. "Os amigos as vezes compartilham fotos antigas, da época de colégio. É muito bom recordar momentos que foram tão bacanas. Eu adoro recordar e dar gargalhadas dos bons tempos", conta. Há também quem tenha saudade da época em que era atleta. É o caso do eletrotécnico Rafael Siqueira.

O homem de mais de 1,90 de altura puxa na memória suas atuações no basquetebol no período em que cursava a Escola Técnica, hoje IF-Sul. "Adorava disputar as interséries, os campeonatos todos. Aquilo era muito bom, muito prazeroso. Uma época marcante na minha vida", encerra.

 


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