Dezoito autores conhecidos escreveram sobre 37 personalidades pouco celebras, na coletânea

Dezoito autores conhecidos escreveram sobre 37 personalidades pouco celebras, na coletânea "Dark city" (Foto: Divulgação - DP)

Lançamento

O lado escuro da memória

Coletânea organizada pelo escritor e historiador Márcio Ezequiel busca resgatar a memória de alguns personagens menos conhecidos de Pelotas

06 de Novembro de 2013 - 08h37 0 comentário(s) Corrigir A + A -
Dezoito autores conhecidos escreveram sobre 37 personalidades pouco celebras, na coletânea

Dezoito autores conhecidos escreveram sobre 37 personalidades pouco celebras, na coletânea "Dark city" (Foto: Divulgação - DP)

Toda cidade tem um lado sombrio em seu passado. Tão representativos quanto os habituais bem-nascidos das classes abastadas, há uma série de indivíduos que se destacaram mais pelo que fizeram (ou deixaram de fazer) do que por suas posses ou por títulos nobiliárquicos. Resgatar e registrar sua história significa legar às futuras gerações a memória de alguns personagens antes ofuscados pela exaltação quase exclusiva de distintos senhores. Este foi o tema-desafio para diferentes cronistas escreverem um ensaio, textos que compõem a coletânea Dark city, figuras e figuraças de Pelotas (Editora Livraria Mundial, 204 páginas), sob a organização do escritor e historiador Márcio Ezequiel. A obra será lançada e autografada sexta-feira, na 41ª Feira do Livro.

Dezoito autores conhecidos da cidade escreveram sobre 37 personagens. Historiadores, jornalistas, cronistas e um psicólogo, “para manter a sanidade do projeto”, observação bem-humorada do organizador jogam luzes sobre o lado escuro da cidade. Entre os autores que aceitaram o convite-desafio de Ezequiel, Manoel Magalhães, Mario Osorio Magalhães, Francisco Vidal, José Luís Marasco, Caiuá Al-Alam, João Félix Soares Neto, Lúcio Xavier e Zênia de León. Os autores acordaram em doar os direitos autorais ao Albergue Noturno de Pelotas.

Desta dark city saem personagens a exemplo de: Belizário, Manuel Padeiro, Judite, Totada, Deus te livre, Voz de gato, Joquim, Elvira Arruda, Fernando Melo, Francisco Santos, Zé Amaro, Bernardo Taveira, Mirim, Simões Lopes, Tarzan Minhoca, doutor Chico Louco, Antão, Muleta, Miloca, doutor Antônio, Afonso Gallo, Patinho, Joana Sem Calça, Galego, Bedeu, Rodolpho Xavier, Negão Lee, Cardeal, Marcola, Lobo da Costa, Dona Amélia e A-Cores. Se alguns personagens são mais famosos que outros, como o inventor “Joquim” (Joaquim Fonseca) cantado por Vitor Ramil ou o lendário doutor Chico, outros são mais conhecidos no âmbito popular, como o Alfredinho da Bicicleta, o Tarzan Minhoca, o Bedeu.

Presente e passado
Ezequiel iniciou o projeto em 2011 trocando ideia na Feira do Livro de Pelotas com Mario Osorio Magalhães, falecido em 2012. O historiador chegou a lhe enviar alguns textos para colaborar com o volume. A fim de homenageá-lo, o organizador então escreveu uma crônica, reconhecendo-o também como uma das figuraças da cidade.

Dentre todos os personagens retratados somente dois ainda estão vivos, fazendo assim um elo entre o passado e o presente. Um deles é o Serginho da Vassoura, músico de rua que toca diariamente na praça Coronel Osório. E o outro personagem é surpresa que o leitor tem que descobrir no livro.

Os textos por terem sido escritos por diversos autores trazem visões e maneiras diferentes de descrever seus personagens. Ora recorre-se ao humor, ora à candura. Não faltam a crítica e a acidez em algumas abordagens. Segundo Márcio Ezequiel, os autores ficaram totalmente livres para se expressarem como julgassem melhor a fim de obter um panorama mais completo. Buscou-se somente evitar cair no tom anedótico ou de almanaque. O livro provoca o leitor em suas páginas finais ao andar pelas calçadas da cidade a olhar com atenção aos tipos maravilhosamente estranhos que nos cercam.

O livro foi todo ilustrado com graffiti das ruas de Pelotas, sempre relacionando as imagens com os textos. Como se uma história oculta da cidade estivesse cifrada em suas paredes. Na capa, imagem feita por Leonardo Brasiliense, renomado escritor, duas vezes premiado com o Jabuti, que também tem se destacado como fotógrafo.

Serviço
O quê: lançamento e sessão de autógrafos da coletânea Dark city, figuras e figuraças de Pelotas
Quando: sexta-feira, às 18h
Onde: na Feira do Livro de Pelotas, no Mercado Central


Comentários

  • Eduardo Mattarredona - 06/11/2013

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