Leonardo Aguiar está com 37 anos (Foto: Divulgação - DP)

Leonardo Aguiar está com 37 anos (Foto: Divulgação - DP)

Congresso

Um novo olhar na relação médico-paciente

Premiado Leonardo Aguiar apresenta a alunos os resultados das suas pesquisas, além de ministrar palestra sobre a relação do Google, a Nasa e a UCPel

31 de Outubro de 2013 - 23h15 0 comentário(s) Corrigir A + A -
Leonardo Aguiar está com 37 anos (Foto: Divulgação - DP)

Leonardo Aguiar está com 37 anos (Foto: Divulgação - DP)

Em 2000, quando participou da equipe que organizou o 1º Congresso de Medicina da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), o então aluno Leonardo Aguiar, hoje com 37 anos, não imaginava os rumos singulares que sua carreira como médico tomaria. Na época, ele foi personagem de um momento difícil para a Medicina da UCPel, após o MEC ameaçar fechar o curso em uma inspeção realizada em 1999. Ele fez parte do grupo de alunos que lutaram contra a decisão e viajou pelo país contando como a Católica conseguiu vencer a crise. O médico lembra ainda a parceria do neurocirurgião Fernando Costa, na época diretor da escola de Medicina.

O episódio lhe deu confiança, permitindo que mais tarde fizesse parte da equipe do renomado cirurgião plástico Ivo Pitanguy, com quem aprendeu uma forma mais humana na relação com o paciente e uma visão diferente do tratamento, passando a levar em conta aspectos como história de vida, interesses e poder aquisitivo. “O paciente precisa ter responsabilidade sobre a sua saúde e nesse processo o médico deve atuar como um orientador e não como dono da verdade. O meu foco e da minha equipe é no problema e no que o gerou e não na solução, pois acredito que esta deve ser construída junto ao paciente”, explica.

Em 2012 a teoria humanista e cocriativa de Aguiar acabou lhe rendendo um prêmio de melhor trabalho científico durante o Encontro Brasil/Estados Unidos de Cirurgia Plástica. A premiação chamou a atenção da National Aeronautics and Space Administration (Nasa), que o selecionou, junto a outros 79 colegas médicos, para participar do FutureMed, realizado em fevereiro de 2013 no Vale do Silício, Estados Unidos. O curso intensivo durou oito dias e abordou o uso de alta tecnologia médica, discutindo temas como inteligência artificial, telemedicina, robótica, terapia genética e aplicações móveis.

Em meio a representantes de tecnologias variadas ligadas à saúde, Aguiar representou o aspecto humano, defendendo que o contato médico-paciente não pode ser substituído por nenhuma máquina nem ser superficial. “Me surpreendi quando fui selecionado, pois meu trabalho não pressupõe o uso de nenhuma tecnologia, mas sim a conversa e a atenção ao paciente”, revela. Foram seis meses de conversas virtuais entre ele e a Nasa, com esta questionando bastante o método.

De volta às origens
De volta a Pelotas para participar do 14º Congresso de Medicina da UCPel, Aguiar vai apresentar nesta sexta-feira (1º) aos alunos os resultados das suas pesquisas, além de ministrar palestra sobre a relação do Google, a Nasa e a UCPel. O médico também dará um curso de suturas. “Estou muito emocionado, pois foi aqui que comecei a construir a minha história. Quero mostrar a esses futuros médicos que eles devem entender o que fazem, mas buscar fazer diferente e melhor”, finaliza. Atualmente o cirurgião plástico é professor da Universidade Regional de Blumenau, onde participou da criação da Liga de Cirurgia Plástica. Aguiar também é sócio-diretor da empresa Laduo, Cocriação em Saúde, projeto que nasceu durante o FutureMed.


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