Desenvolvimento

Termelétrica de Pedras Altas pode, finalmente, sair do papel

Participação em leilão da Aneel, em 31 de agosto, pode ser o pontapé inicial do empreendimento da Ouro Negro

10 de Julho de 2018 - 22h34 Corrigir A + A -

Por: Michele Ferreira
michele@diariopopular.com.br 

Área para instalação da usina fica no 1º distrito de Pedras Altas, em ponto estratégico (Foto: Jô Folha - DP)

Área para instalação da usina fica no 1º distrito de Pedras Altas, em ponto estratégico (Foto: Jô Folha - DP)

O projeto de construção da termelétrica Ouro Negro, com capacidade de gerar 600 megawatts (MW), pode finalmente sair do papel. O empreendimento de Pedras Altas está, ao menos, pronto para participar do leilão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), previsto para ocorrer em 31 de agosto. É o pontapé inicial para fazer o processo deslanchar. Só depois de confirmada a compra de energia pelas distribuidoras é que as novas usinas começam, de fato, a ser erguidas. É o que poderá ocorrer com a termelétrica da Zona Sul ainda em 2018.

"Estamos torcendo que, apesar da economia fraca neste momento, as distribuidoras acreditem num processo de retomada do país e comprem energia", afirma o empresário e ex-prefeito, Sílvio Marques Dias Neto. E aposta em dois pontos: o teto a ser pago pelo megawatt/hora deve ser de R$ 329,00; o mesmo fixado no último leilão, em 2017. E os prazos - a contarem do final de agosto - poderão, sim, ser cumpridos. A usina precisaria estar apta a entregar energia ao sistema em 2023.

Os recursos internacionais estão garantidos. O investimento vem de duas fontes: de um grupo chinês e de um banco dos Emirados Árabes. O valor total, revisado, chega a 980 milhões de dólares.

Pré-requisitos respeitados
A Licença Prévia concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), e publicada no Diário Oficial da União há cerca de cinco meses, é o principal aspecto a ser comemorado. Sem a LP não haveria possibilidade de a Ouro Negro sequer se inscrever ao leilão.

Outros pré-requisitos, como a outorga dos recursos hídricos, a propriedade das terras, o contrato de fornecimento de carvão e a comprovação financeira para realização do projeto também estão preenchidos. Agora, é aguardar a confirmação da data e esperar pela reação das mais de 60 distribuidoras de energia existentes no país.

Saiba mais
Os 600 megawatts equivalem a 15% da demanda média de eletricidade do Rio Grande do Sul. A estimativa é de que o empreendimento não mexa apenas com o desenvolvimento de Pedras Altas. Os municípios de Pinheiro Machado, Candiota, Bagé, Hulha Negra, Herval e Aceguá também deverão ganhar com a estrutura, que tem o carvão mineral como fonte de energia. Durante a construção, três mil empregos diretos serão gerados. Depois, para manter a unidade em funcionamento, 500 vagas devem ser abertas. É algo que, por certo, irá sacudir a economia. Hoje, o maior empregador da cidade é a prefeitura.

Relembre
Em janeiro de 2016, o Diário Popular chegou a se deslocar a Pedras Altas para acompanhar a apresentação do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto Ambiental (Rima), em audiência pública exigida pela legislação para ouvir a comunidade, especialistas e contribuir à tomada de decisão do Ibama. Na época, falava-se no sonho de dar início à construção em setembro daquele ano, para a termelétrica poder entrar em operação em 2021. Não foi o que ocorreu devido ao andamento para concessão da Licença Prévia e, principalmente, devido aos preços defasados pagos nos leilões de energia.

A Usina Ouro Negro será instalada em área na Costa do Candiota, 1º distrito de Pedras Altas. A localização é estratégica. As terras estão a 2,5 quilômetros de distância da exploração do carvão - a ser adquirido da Companhia Rio-Grandense de Mineração (CRM) -, ficam a oito quilômetros da subestação da Eletrosul e a 14 quilômetros da RS-608.

 


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