Superação

Mãe e filho na luta contra o câncer

Rosinha e o pequeno Ryan, de cinco anos, passam as noites longe de casa, em Porto Alegre, e procuram meios para se sustentar; vaquinha foi criada para ajudar a família

11 de Julho de 2018 - 08h37 Corrigir A + A -
Ryan e Rosamar, no hospital em Porto Alegre (Foto: Arquivo Pessoal)

Ryan e Rosamar, no hospital em Porto Alegre (Foto: Arquivo Pessoal)

Há um ano e meio, Rosamar Gonçalves Favarin Gularte recebeu uma notícia que abalou a ela e a família. Aos 40 anos, descobriu que tinha câncer de mama em estágio três - o último antes da fase de metástase. O tratamento é longo: muitas sessões de quimioterapia, retirada completa da mama e cirurgias para extração de ovário e da outra mama agendadas. O pior parecia superado, mesmo sem a cura definitiva. No entanto, outro drama surgiu na vida de Rosinha: a descoberta de que seu filho, de cinco anos e portador de autismo, sofre de leucemia.

Era uma sexta-feira. Ryan estava em uma festa de aniversário, feliz, brincando, correndo. Ele é a joia da família: por conta do autismo, todos se projetam em função dele. Rosinha estranhou o comportamento do filho no dia seguinte: estava desanimado, com febre. Primeiramente, a mãe pensou que o filho estava cansado pela intensidade do dia anterior. Porém, no domingo, surgiram manchas na pele de Ryan e a febre não passou. O diagnóstico veio na segunda-feira: a leucemia, um grande choque para todos.

A notícia, recebida há cerca de um mês, mudou toda a rotina da família "Achei que o pior da minha vida era o meu câncer. Nunca iria imaginar que veria meu filho passar por isso. Pegou meu ponto fraco", desabafa Rosinha, ao lado do filho, Ryan Gularte, no Hospital da Criança Santo Antônio, em Porto Alegre.

Além de Ryan, Rosinha e o marido têm outro filho, de 12 anos. Ele começou a morar com a avó em Pelotas. Já o marido foi obrigado a largar a atividade de autônomo na cidade e ir para a capital acompanhar Rosinha e Ryan. Assim, Rosinha e o marido se revezam no acompanhamento ao filho mais novo, que tem que ficar internado 35 dias no hospital e três semanas em casa, mas com consultas diárias marcadas.

Por isso, Rosinha, o marido e Ryan estão fixos em Porto Alegre. Não existe tratamento oncológico pediátrico pelo SUS em Pelotas. Sem fonte de renda, a solidariedade passou a ser a maior esperança da família. O casal conseguiu duas peças emprestadas no centro da capital, "de pessoas que conheceram a nossa história pela internet e se comoveram", segundo Rosinha.

"Eu daria a minha vida pela dele"
Assim, mãe e filho, ambos na luta contra o câncer, passam grande parte das noites juntos no hospital. "A minha fé e o meu medo são grandes. Eu daria a minha vida pela do meu filho", fala Rosinha. O seu câncer na mama parece não ser a maior preocupação, mesmo que a cura só seja confirmada depois de dez anos do tratamento inicial encerrado. Ela teve que adiar a retirada dos ovários e da outra mama, órgãos para onde o câncer pode se espalhar, marcada para outubro. "Agora eu preciso ficar com o meu filho. Ele precisa de mim por perto para se sentir bem."

Mesmo com o tratamento gratuito pelo SUS, mãe, pai e os dois filhos precisam de renda, principalmente para alimentação e transporte - intermunicipal, já que o pai vai e vem de Pelotas para pagar as contas da casa que ficou para trás e ver o filho mais velho, e dentro da capital, para ir e voltar do hospital. Assim, conhecidos da família criaram uma vaquinha on-line para arrecadar fundos. Quem quiser, também pode doar diretamente na conta de Rosamar, na Caixa Econômica Federal. Agência 0495. Operação: 013. Conta: 227562-1. Nome: Rosamar Gonçalves Favarin Gularte. CPF: 920.361.040-53

Rosinha conta que os médicos de Porto Alegre não dão boas notícias para a família. Ryan corre risco de vida. A leucemia é um câncer agressivo e a internet parece não confortar Rosinha. "Vejo todo dia nas redes sociais casos de crianças que morreram com a doença", relata. O próprio tratamento, também feito pelo SUS, mas em Pelotas, ficou em segundo plano. "Tive que cancelar muitas coisas do meu tratamento porque eles não podem transferir aqui para Porto Alegre e eu não posso abandonar o meu filho", desabafa.

Assim, Rosinha e Ryan, com ajuda da família, amigos e desconhecidos que se sensibilizaram com a história, vão enfrentando a luta contra o câncer. Rosinha, em estágio estabilizado, faz tratamento oral diário e espera os dez anos passarem para receber uma boa notícia. Mas, para ela, a melhor notícia do mundo pode vir dentro de dois anos: a cura de Ryan.

 


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