Operação Dominus

CPI da Habitação pode ficar para o fim do ano

Líderes do PT e do governo na Câmara de Vereadores costuram acordo para fazer investigações após as eleições

13 de Junho de 2018 - 21h15 Corrigir A + A -

Por: Vinicius Peraça
vinicius.peraca@diariopopular.com.br 

Fabricio e Marcola - Lenise Slawski

Fabrício Tavares e Marcola pretendem viabilizar a CPI somente após o fim do período eleitoral (Fotos: Lenise Slawski)

A intenção de instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar supostas irregularidades na gestão da Secretaria de Habitação e Regularização Fundiária (SHRF) pode ficar pelo caminho. Pelo menos pelos próximos quatro meses. Nesta quarta (13), enquanto parte do grupo de oposição tentava convencer mais vereadores a assinar o requerimento e viabilizar a comissão, os líderes do PT e do governo na Câmara costuravam um acordo para jogar a investigação para depois do segundo turno da eleição de outubro.

A proposta partiu de Marcos Ferreira - Marcola (PT) após uma série de críticas de parlamentares governistas à proposta de realizar uma CPI imediatamente. A reclamação é de que a comissão teria caráter político-eleitoral por conta do foco sobre a SHRF durante a administração do ex-prefeito Eduardo Leite (PSDB), atual pré-candidato ao governo do Estado.

Diante disso e usando como argumento a dificuldade do grupo liderado por Ivan Duarte (PT) em obter o mínimo de sete assinaturas para iniciar a comissão - havia seis confirmadas -, Marcola e Fabrício Tavares (PSD) assumiram compromissos mútuos. O líder do PT retiraria seu nome da atual lista de apoios a uma CPI, tornando ainda mais difícil instaurar o colegiado ainda este mês, para assinar um novo pedido no fim de outubro. Já o governista asseguraria suporte à criação da comissão investigativa assim que concluído o segundo turno eleitoral. Pelo acordo, Tavares seria o presidente e Marcola o relator.

"Quero fazer a CPI e como não temos o número suficiente de assinaturas somente um acordo como esse poderá possibilitar que aconteça", justifica o petista. Segundo Tavares, não há garantia de que conseguirá convencer todos os vereadores da base do governo a concordar com a proposta, mas garantiu que irá trabalhar para que, após a eleição, a Câmara apure as supostas irregularidades no programa Minha Casa, Minha Vida. "Se a intenção é investigar e não apenas tirar proveito político e eleitoral, vamos fazer a CPI. Mas depois de outubro."

Acordo surpreende
O entendimento entre Marcola e Tavares por adiar a CPI causou estranhamento entre vereadores que haviam assinado o pedido de instauração imediata. Principal articulador, Ivan Duarte não escondeu a frustração diante da possibilidade de adiamento. "O vereador (Marcola) não falou comigo. Gostaria que a CPI fosse agora, no calor dos fatos. Vamos conversar amanhã (quinta) e aguardar se chegaremos às sete assinaturas", comentou.

Quem também criticou duramente a articulação foi Fernanda Miranda (PSOL). "Reunimos na semana passada e toda a oposição era a favor da CPI. Depois, alguns pediram tempo para pensar. Mas essa proposta de formar uma comissão com o líder do governo para investigar o próprio governo me parece bastante estranha."

Entre parlamentares do governo, nem mesmo a ideia de adiamento foi capaz de garantir apoio à comissão. As opiniões ficaram divididas entre aqueles que não têm posição definida e os contrários. "A Polícia Federal já cumpriu mandados de busca e apreensão, recolheu documentos, entre outros materiais. Entendo que a PF já está com mais provas que possamos ter em uma possível CPI", aponta Daniel Trzeciak (PSDB) que, assim como Roger Ney (PP), diz não ter opinião formada sobre o acordo entre Marcola e Tavares.

Já Eneias Clarindo (PSDB), assim como Trzeciak, destacou que a PF investiga o caso e confirmou que não apóia uma apuração feira pelo Legislativo. "Se houver irregularidades os envolvidos terão que dar explicações e responder por seus atos. Tenho certeza que não será o ex-prefeito Eduardo Leite." O presidente da Casa, Anderson Garcia (PTB), declarou ser contra qualquer uma das propostas de CPI. "Em momento algum assinarei qualquer requerimento para criação de qualquer CPI."


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