Insegurança

Arrombamentos preocupam lojistas do Centro

Em uma área de 130 metros na rua Sete de Setembro, pelo menos sete estabelecimentos afirmam ter sofrido com roubos recentes

13 de Junho de 2018 - 22h19 Corrigir A + A -
Relatos apontam rompimento de grades e cortinas de ferro como Modus Operandi dos criminosos (Foto: Jô Folha - DP)

Relatos apontam rompimento de grades e cortinas de ferro como Modus Operandi dos criminosos (Foto: Jô Folha - DP)

Resquícios dos crimes seguem nos estabelecimentos (Foto: Jô Folha - DP)

Resquícios dos crimes seguem nos estabelecimentos (Foto: Jô Folha - DP)

A insegurança atingiu em cheio comerciantes do Centro de Pelotas nos últimos dias. Vários relatos apontam casos de arrombamentos durante a madrugada, todos com muitas semelhanças. As cortinas de ferro ou os portões são entortados utilizando pés de cabra, cadeados são estourados e vidros quebrados. Uma vez dentro, os criminosos levam alguns produtos e equipamentos e principalmente o troco deixado nos caixas.

Chama a atenção o caso do calçadão da 7 de Setembro. Em um trecho de 130 metros, entre as ruas 15 de Novembro e Andrade Neves, pelo menos sete estabelecimentos foram alvo de arrombamentos durante as madrugadas das últimas semanas. Três deles, por questões administrativas ou de segurança, preferiram não comentar os casos, atendo-se apenas a confirmar o ocorrido.

A vítima mais recente foi a revistaria Kiosko. O proprietário, Júlio César Ramos, diz que na madrugada da última terça-feira (12) foi acordado após ser avisado do ocorrido. Foi em torno das 5h, quando trancas foram estouradas e os criminosos levaram moedas do caixa, miniaturas de carros, uma caixa de ferramentas e até mesmo figurinhas do álbum da Copa do Mundo. Ele avalia o prejuízo, entre os furtos e danos, em torno de R$ 500,00.

Na última semana, a loja de roupas Naphtalina também sofreu uma tentativa de furto. A gerente Kelian Hersberg relata que os bandidos subiram na marquise da loja e quebraram um vidro utilizando um motor de ar-condicionado. Porém, acabaram não entrando no estabelecimento. Os funcionários creem que isso ocorreu devido à altura até o chão ou pelo fato de o alarme ter disparado. "Tivemos sorte, mas muito transtorno. Não temos segurança nenhuma. Não tem tranquilidade", lamenta a gerente. O prejuízo calculado devido ao vandalismo para tentar o acesso à loja gira em torno dos R$ 3 mil.

Localizada na rua 15 de Novembro quase esquina 7 de Setembro, a farmácia Natura também foi alvo do crime. Na madrugada de quinta para sexta-feira da última semana, em torno da 1h10min a proprietária Cláudia Moura foi chamada após o alarme soar. Como grande parte dos outros estabelecimentos, a cortina de ferro foi entortada e dois vidros temperados quebrados. Além do transtorno, foi levado o troco do caixa. "O problema maior é o estrago, nosso maior custo", lamenta, lembrando que há 50 dias o local já tinha sofrido uma tentativa de arrombamento, mas os ladrões não conseguiram acessar. Ela estima um prejuízo de R$ 3 mil.

No dia 30 de maio, exatamente a 1h19min, o empresário César Pereira, proprietário do Otto Restaurante, teve seu estabelecimento invadido. Segundo ele, além de moedas do caixa, foram levadas algumas máquinas com baixo valor comercial. A caixa registradora com o dinheiro foi encontrada vazia na rua Félix da Cunha. "Infelizmente, a gente está de mãos atadas", destaca, reclamando da falta de segurança no Centro. Pelas suas estimativas, os criminosos ficaram apenas dois minutos no estabelecimento, tempo suficiente para levar os produtos, deixar uma grade e um vidro quebrados, causando um prejuízo estimado de R$ 4 mil.

Outras áreas também sofrem
Na madrugada desta quarta-feira, um empresário, que prefere não ser identificado, relatou um roubo com o mesmo perfil na Bento Gonçalves. Seu restaurante foi arrombado por volta das 2h30min e o caixa foi levado. O prejuízo gira em torno dos R$ 1,5 mil. Já na rua Doutor Cassiano, Jéssica Selestino teve sua pet shop invadida também em torno da 1h. Além das moedas do caixa, uma balança foi levada, com prejuízo de R$ 1,5 mil. Ela lamenta a sensação de insegurança que fica. "Eu saio daqui com medo. Quando a loja tá fechada, mudo (a rota) para passar aqui na frente."

O que dizem as autoridades de segurança?
A delegada Lisiane Mattarredona, da Polícia Civil, informa que as ocorrências registradas estão sendo averiguadas. Segundo ela, o caso é visto como uma das prioridades e já se trabalha com alguns suspeitos. Em breve ela espera ter resultados, aconselhando todas as vítimas a procurarem a delegacia para registrar a ocorrência e facilitar a criação de um perfil dos criminosos e de seu modus operandi.

O secretário de Segurança Pública (SSP) do município, Aldo Bruno, também aconselhou as vítimas a fazerem registros e reunir imagens de possíveis câmeras de segurança para facilitar a identificação dos criminosos. "Tendo o registro, conseguimos ter a percepção", aponta. Segundo ele, a SSP não tinha pleno conhecimento da dimensão do problema, mas garante que pedirá ao Observatório de Segurança um levantamento para embasar ações futuras, em especial na 7 de Setembro.

O subcomandante do 4° Batalhão da Brigada Militar, Major Márcio André Faccin, diz que os índices criminais estão sendo acompanhados. Para isso, destaca, assim como os colegas, a necessidade de obter o maior número de denúncias e informações possíveis para os sistemas alertarem a necessidade de mais cuidados em áreas pontuais.


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