Combustível

Gasolina beira os R$ 5,00

Levantamento da ANP mostra que, em um ano, a gasolina subiu cerca de 30%

13 de Junho de 2018 - 08h25 Corrigir A + A -
Rosalvo Madruga afirma que o preço do combustível dificulta a prestação de seu serviço (Foto: Jô Folha - DP)

Rosalvo Madruga afirma que o preço do combustível dificulta a prestação de seu serviço (Foto: Jô Folha - DP)

A gasolina nunca esteve tão cara em Pelotas. Com reajustes semanais desde novembro do ano passado, o preço nas bombas reflete a alta do dólar e a decisão da Petrobras de acompanhar o preço do barril de petróleo no mercado internacional. De acordo com levantamento feito pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) em 14 postos da cidade, o valor do combustível varia entre R$ 4,87 e R$ 4,99.

Desde que a Petrobras passou a divulgar diariamente o preço do litro da gasolina A, em 8 de fevereiro deste ano, o aumento acumulado chega a 26,3%. Há seis meses, o litro custava R$ 1,57 enquanto hoje ele está sendo vendido por R$ 1,99 às distribuidoras. A diferença de R$ 0,41 é vista integralmente nas bombas em Pelotas. Segundo a ANP, em fevereiro deste ano o valor médio da gasolina na cidade era 4,52. Hoje a média chega a R$ 4,92, uma diferença de R$ 0,40.

Em um ano, desde junho de 2017, o preço médio da gasolina na bomba em Pelotas apresentou aumento em dez meses. A diminuição veio apenas em julho e em outubro de 2017 - R$ 0,01 e R$ 0,05, respectivamente, em comparação ao mês anterior. Já o acréscimo mais significativo, de R$ 0,25, ocorreu entre julho e agosto do ano passado. No acumulado, entre junho de 2017 e o início deste mês o preço médio da gasolina subiu R$ 1,12, cerca de 30%.

Ezequiel Megiato, economista e professor da Universidade Católica de Pelotas, explica que um dos principais motivos para esse crescimento vertiginoso é o preço do dólar. A moeda estadunidense teve valorização de 12,8% nos últimos 12 meses, passando de R$ 3,28 para R$ 3,70. "Este não é um problema local, mas de âmbito nacional", frisa. O barril de petróleo é cotado em dólar, por isso ele tem tanto peso no preço final do combustível.

Instabilidade que preocupa
A instabilidade no preço dos combustíveis preocupa principalmente os administradores dos postos. Marcelo Mesquita, gerente de um posto há seis anos, afirma que quando essa variação era mais esparsa, planejar as contas era uma tarefa mais fácil. "Agora a gente não sabe por quanto vai comprar o combustível, é horrível", desabafa. Um dos reflexos disso é a diminuição da margem de lucro das abastecedoras. "Acabamos deixando de investir em outras coisas para absorver a variação", comenta.

Nem sempre o aumento do valor cobrado pela Petrobras às distribuidoras é repassado automaticamente ao consumidor final. No posto onde Mesquita trabalha, por exemplo, espera-se acumular uma certa quantia para depois alterar o preço. "A gente não pode se aproveitar do cliente e passar pra ele essa diferença todos os dias", fala. O esforço agora, segundo ele, é para evitar chegar aos R$ 5,00.

Quem trabalha com transporte também sofre com o aumento sucessivo da gasolina. É o caso do mototaxista Rosalvo Madruga. "Essa situação é péssima para a gente", lamenta. Ele comenta que quanto maior é o custo, mais inviável fica a atividade, que vem perdendo clientes.

Não é só este setor que é afetado pelo crescimento do preço da gasolina. Megiato comenta que o acréscimo gera um efeito cascata em toda a economia, pois se trata de um item fundamental para a manutenção de diversos serviços. O valor da energia elétrica, por exemplo, subiu acima do esperado no último ano. Segundo o economista, o combustível teve grande parcela de culpa.

Saiba mais
A gasolina abastece hoje cerca de 60% dos veículos de passeio no Brasil, concorrendo com o etanol hidratado e com o Gás Natural Veicular (GNV). Nos postos, o consumidor adquire a gasolina C, uma mistura de gasolina A com etanol anidro. O preço do etanol que compõe a gasolina é fixado livremente pelos seus produtores.

Os cinco postos mais baratos
Abastecedora de Combustíveis Coqueiro: R$ 4,877 (rua Almirante Barroso, 2.360)
Abastecedora GKS: R$ 4,879 (rua Almirante Barroso, 2.080 )
Posto São José: R$ 4,897 (rua Padre Anchieta, 1.474 e rua 3 de Maio, 945)
Posto Paulo Moreira: R$ 4,898 (Avenida Fernando Osório, 1.160, avenida Fernando Osório, 8.206 e rua General Osório, 1.037)
Abastecedora de Combustíveis Dom Joaquim: R$ 4,899 (Avenida Dom Joaquim, 510)
*Fonte: Agência Nacional do Petróleo (ANP)

 

 


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