Copa do Mundo

Pesquisa Datafolha aponta que desinteresse na Copa chega a 53%

Entretanto, a confiança no técnico Tite está em alta; 64% dos entrevistados consideram o trabalho do gaúcho de 57 anos como ótimo ou bom, contra 13% regular e 5%, péssimo

12 de Junho de 2018 - 14h55 Corrigir A + A -
O desinteresse pelo Mundial da Rússia se destaca entre as mulheres (61%), pessoas de 35 a 44 anos (57%), moradores da região Sul (59%) e aqueles com renda familiar de até dois salários mínimos (54%).(Foto: Bruno Rocha /Fotoarena/Folhapress)

O desinteresse pelo Mundial da Rússia se destaca entre as mulheres (61%), pessoas de 35 a 44 anos (57%), moradores da região Sul (59%) e aqueles com renda familiar de até dois salários mínimos (54%).(Foto: Bruno Rocha /Fotoarena/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O desinteresse dos brasileiros com a Copa disparou às vésperas do início da disputa na Rússia, marcado para esta quinta-feira (14). O primeiro jogo do Brasil será domingo, contra a Suíça, às 15h (horário de Brasília). Segundo pesquisa nacional do Datafolha realizada na semana passada, 53% dos brasileiros afirmam não ter nenhum interesse pelo Mundial, isso em um ano eleitoral, com a economia fraca e ainda na ressaca de uma manifestação de caminhoneiros que quase paralisou o país. No final de janeiro, o índice de desinteressados era de 42%.

A Folha de S.Paulo percorreu as ruas de São Paulo em busca de possíveis explicações. "Tem crise, pessoal passando necessidades, corrupção na CBF, isso desanima. Vou assistir, mas não com aquela vontade. Acompanho bastante futebol, mas a Copa já foi bem mais motivante", disse o assistente de departamento pessoal Guilherme Guerreiro, 55.

"Não sou ligada em futebol. Na Copa do Mundo, até assisto, mas nessa não estou com vontade. Talvez por causa do 7 a 1 ou porque o Brasil vai bem nesses amistosos e nos jogos importantes não", afirma Nayara Borges, 29, assistente administrativa.

Segundo o Datafolha, a marca de agora é a pior às vésperas do torneio desde 1994, quando o instituto fez a pergunta pela primeira vez. O desinteresse pelo Mundial da Rússia se destaca entre as mulheres (61%), pessoas de 35 a 44 anos (57%), moradores da região Sul (59%) e aqueles com renda familiar de até dois salários mínimos (54%).

O Datafolha ouviu 2.824 pessoas em 174 municípios na quinta (7) e sexta-feira (8), e a margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Nem a boa fase da seleção de Tite, com o topo das eliminatórias sul-americanas, a melhor sequência pré-Mundial desde 1970 e apontada como uma das favoritas ao título, parece empolgar os brasileiros.
Segundo o levantamento, apenas 18% dos entrevistados dizem ter grande interesse pela competição, a mesma fatia dos que afirmam ter médio interesse. Já os que se declaram com pouco interesse com o Mundial chegam a 9%.

A pior marca antes de um Mundial havia sido em 2014, quando 36% disseram não ter nenhum interesse pelo torneio que começaria no Brasil. O cenário, à época, era de gastos bilionários com estádios, muitos deles que depois se transformariam em elefantes brancos, e promessas em série não cumpridas de obras de mobilidade nos estados.

Em 1994, por exemplo, quando a seleção do então técnico Carlos Alberto Parreira chegava aos Estados Unidos pressionada por um jejum de 24 anos sem Copas, apenas 20% dos brasileiros declaravam não ter interesse pela Copa. Na ocasião, a seleção conquistou o tetracampeonato. A pesquisa mostra ainda que 48% dos entrevistados apontam o Brasil como favorito ao título da Copa da Rússia.

Tite valorizado
Pesquisa Datafolha mostra ainda que 48% dos entrevistados apontam o Brasil como favorito ao título da Copa do Mundo da Rússia. Esse percentual, porém, já foi bem maior, por exemplo, às vésperas das Copas de 2014 (68%), no Brasil, de 2010 (64%), na África do Sul, e de 2006 (83%), na Alemanha, quando o time de Ronaldo, Ronaldinho, Adriano e Robinho naufragou nas quartas de final diante da França.

Segundo o levantamento, atrás do Brasil aparecem Alemanha (11%) e Argentina, Rússia, França e Espanha, todas com 2% –31% não souberam responder e 2% apontaram outra seleção como favorita.

"Não estou empolgado [com a Copa], muito pelo resultado da última [se referindo ao 7 a 1], mas vou assistir aos jogos. Naturalmente a empolgação pode aumentar conforme o time for vencendo as partidas", diz o gerente de vendas Leandro Costa, 40.

Sobre o otimismo pelo título, o que se fala nas ruas também se vê no comando da seleção.
Nesta segunda-feira (11), em Moscou, o presidente da CBF, o coronel Antônio Carlos Nunes, disse ao comando da Fifa para já preparar a taça do hexacampeonato mundial. "Disse ao [Gianni] Infantino [presidente da Fifa] que ele pode preparar a taça para o Brasil. Quero levantar a taça."

"Estou mais ou menos ansiosa para a Copa. Meus irmãos, que são mais fanáticos, estão mais que eu. No meu bairro, não pintam mais a rua como antes", diz a recepcionista Tânia Ferreira, 29.

O favoritismo apontado para a seleção bate com a aprovação do técnico Tite, há dois anos no cargo. Ele assumiu a equipe após a sequência de fracassos de Dunga. Entre os entrevistados, 64% consideram o trabalho do gaúcho de 57 anos como ótimo ou bom, contra 13% regular, 5% péssimo e outros 18% que não souberam opinar, percentual que também indica o desinteresse pela seleção.

A aprovação atual de Tite (64%) supera a de Luiz Felipe Scolari (51%) antes do Mundial de 2002, quando levou o penta no Japão, os 49% de Dunga em 2010 e os 62% de Parreira em 2006. Fica atrás, porém, dos 68% de Felipão antes do Mundial do Brasil, em 2014.

Segundo a mesma pesquisa, 53% dos brasileiros afirmam não ter nenhum interesse pelo Mundial. No final de janeiro, o índice de desinteressados era 42%. O Datafolha ouviu 2.824 pessoas em 174 municípios na quinta e sexta-feira, e a margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.


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