Copa do Mundo

Salah enfim vai a campo, mas treina separado e é dúvida na estreia do Egito

A estrela da seleção egípcia correu sozinho pelo campo e fez alguns movimentos, ao menos nos 15 minutos em que o treinamento esteve aberto para jornalistas

11 de Junho de 2018 - 16h16 Corrigir A + A -

Por Igor Gielow

GROZNI, TCHETCHÊNIA (FOLHAPRESS) - Em um cenário oposto ao do treino aberto que estreou a temporada do Egito em Grozni, capital da Tchetchênia, um estádio totalmente vazio viu Mohamed Salah fazer nesta segunda-feira (11) seus primeiros exercícios em solo russo.

A estrela da seleção egípcia correu sozinho pelo campo e fez alguns movimentos, ao menos nos 15 minutos em que o treinamento esteve aberto para jornalistas.

Nada a ver com o carnaval do dia anterior, quando 8 mil pessoas lotaram uma das arquibancadas da Arena Akhmat para fazer barulho à espera do meia-atacante do Liverpool (ING) e saíram quase frustrados, já que o jogador só chegou no fim da sessão acompanhado do presidente da república, o autocrata e boleiro Ramzan Kadirov.

Os companheiros de Salah seguem dizendo que ele deverá entrar na estreia contra o Uruguai, na sexta-feira. Mas o médico da seleção do Egito, Mohamed Abu el-Ela, é mais cauteloso. Disse que só garante o atleta em campo no jogo contra a Rússia, no dia 19, e ainda assim não sabe se ele jogará os dois tempos. Por outro lado, ele afirmou que não está descartada a entrada em campo na estreia.

A comparação entre as sessões de treinamento de domingo e desta segunda não podia ser mais contrastante. Havia talvez 30 jornalistas no primeiro evento. No segundo, só representantes de um site russo de esportes, de uma TV do Qatar e de outra do Egito, de duas agências de notícias e da Folha. E o barulho dos corvos, onipresentes nessa época do ano em Grozni, ecoando pelas arquibancadas agora vazias.

Sem nenhuma estrela à altura de Salah, o maior jogador da história do país após uma temporada de números impressionantes no Liverpool, o elenco egípcio demonstra algum ciúme. Enquanto todos treinavam, as atenções se voltavam para o meia-atacante sozinho.

Enquanto a reportagem fazia uma foto do momento, um dos jogadores, o meio-campista Amr Warda tentou fazer uma pegadinha com o repórter, cutucando-o no ombro e indo para o outro lado. O gerente da seleção, Ihab Leheta, correu para explicar: "Ele quer que você faça uma foto dele também!"

O Egito seguirá em Grozni, cidade que viveu o centro de duas guerras civis sangrentas contra Moscou antes de sucumbir e voltar à condição de ente federado da Rússia, em 2000, até o fim de sua participação na Copa. Foi uma escolha polêmica, já que o regime de Kadirov é acusado sistematicamente de violações de direitos humanos. O presidente dá de ombros às acusações e preparou a cidade, enfeitada com bandeiras russas, tchetchenas e egípcias, além de ter inaugurado um hotel de luxo para o time, ao lado da arena que leva o nome de seu pai, Akhmat, assassinado em 2004.


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