Confiança

O foco é salvar o produtor

Pagamentos em dia são prioridade para reconquistar a confiança do homem do campo

17 de Maio de 2018 - 11h31 Corrigir A + A -

Por: Michele Ferreira
michele@diariopopular.com.br 

Produtor de leite, Almir Mendonça afirma em tom confiante:

Produtor de leite, Almir Mendonça afirma em tom confiante: "Não podemos perder a fé de que é possível". (Foto: Paulo Rossi - DP)

A gestão tem data certa para se encerrar: 8 de novembro. O valor da dívida agora é oficial: R$ 246 milhões. O alvo central para recuperar a Cosulati está definido: salvar o produtor. A afirmação é do novo liquidante, Almir Fernando Miguel Mendonça, que assumiu o comando da Cooperativa nos últimos dias do mês de abril.

Ao conversar com o Diário Popular no final da tarde de terça-feira (15), o rio-grandino de 55 anos foi enfático ao defender que a retomada da Cosulati passa por um olhar voltado ao campo. O objetivo principal é efetuar os pagamentos em dia, reconquistar a confiança do produtor e, aos poucos, conseguir elevar a produção de leite.

A estimativa é de que até o fim deste ano, o volume possa oscilar entre 450 mil e 500 mil litros, por dia; somados a média de 200 mil litros entregues por cooperados, parcerias e prestação de serviços a outras cooperativas, como Sul Leite e Terra Livre. Uma movimentação que permitiria a fábrica de lacticínios atingir mais de 60% da capacidade e não gerar prejuízos - projeta.

"Não podemos perder a fé de que é possível", afirma Mendonça, em tom de entusiasmo. "Me sinto com força e energia pra lutar pra gente se reerguer, se reorganizar e começar uma nova Cosulati", reitera. E trata de voltar ao passado quando, ainda na infância, herdou do pai o gosto e o respeito pela mesma Cooperativa que hoje sonha em ver restabelecida.

E a reabertura das outras fábricas?
Ainda é cedo para fixar prazos, mas o novo liquidante admite existir o projeto de colocar a fábrica de rações - localizada em Canguçu - em operação novamente. Claro que, para isso, seria necessário firmar parcerias. Não há recursos disponíveis no momento.

Estrategicamente, seria mais importante reabrir a Unidade de rações do que a indústria de frango, em Morro Redondo, já que os investimentos na alimentação do gado impactariam diretamente na produtividade do leite e fortaleceriam toda a cadeia - lembra o gerente jurídico da Cosulati, Nilton Reinhardt.

Quadro de funcionários. Almir Mendonça não abriu números ao Diário Popular, mas afirmou que o quadro de funcionários, atualmente com cerca de 260 trabalhadores, ainda deve sofrer cortes. A expectativa, entretanto, é de que novas contratações também ocorreriam, tão logo, a produção de leite voltasse a crescer.

Relembre. Antes da redução de estrutura, a Cosulati chegou a possuir aproximadamente 850 funcionários. Com as três fábricas em funcionamento, o número de produtores envolvidos era de cerca de 15 mil famílias.
Atualmente, não raro, a fábrica de lacticínios no Capão do Leão - a única em operação - interrompe a produção, para driblar os horários em que os custos, como a energia elétrica, sobem, nos finais de tarde.

Com a Liquidação Extrajudicial, declarada em 8 de novembro de 2016, a Cosulati ganhou prazo de dois anos para recomeçar o pagamento de credores, como bancos e fornecedores. Os seis meses de gestão do produtor Almir Fernando Mendonça são, portanto, fundamentais para retomada da Cooperativa; embora exista a possibilidade de solicitar prorrogação da Liquidação, mas que deixaria de contar com a suspensão de execuções judiciais.

 


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