Histórico

Tradição doceira e patrimônio arquitetônico de Pelotas são reconhecidos pelo Iphan

Em decisão histórica, instituto titula pela primeira vez suas duas proteções a um mesmo local em um mesmo dia

15 de Maio de 2018 - 18h24 Corrigir A + A -

Por unanimidade, o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) decidiu em duas votações realizadas na tarde desta terça-feira (15) em Brasília (DF), conceder a Pelotas o reconhecimento de Patrimônio Cultural material e imaterial brasileiro. Foi tombado o conjunto histórico de sete setores e registrada a tradição doceira, com o saber fazer único daqui.

Pela primeira vez ambos os reconhecimentos do Iphan foram dados a uma mesma localidade em um mesmo dia. Pela manhã, a conselheira Márcia Sant'Anna, responsável pelo parecer, apresentou sua posição favorável, com materiais de apoio para dar suporte a seu argumento. Em poucos minutos, todos os 18 conselheiros presentes concordaram com o posicionamento e reconheceram as praças José Bonifácio, Coronel Pedro Osório, Piratinino de Almeida, Cipriano Barcelos, o Parque Dom Antônio Zattera, a Charqueada São João e a Chácara da Baronesa como Patrimônio Cultural Brasileiro. A partir de agora, o conjunto Histórico de Pelotas será inscrito em três Livros do Tombo: Histórico, de Belas Artes e Arqueológico, etnográfico e paisagístico.

Junto com as áreas tombadas, seus entornos também receberão a proteção nacional. Isto é, 64 outros prédios inseridos nos setores, sendo eles locais como o Mercado Público, Prefeitura, Bibliotheca Pública, Santa Casa de Misericórdia, Catedral São Francisco de Paula e chafarizes.

Nascido em Pelotas, o arquiteto Andrey Rosenthal Schlee é atualmente o diretor nacional do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização do Iphan em Brasília. Por questões pessoais, não pode estar na reunião, mas demonstrou extrema felicidade com o resultado. Desde 2003, ele luta pelo tombamento. Para ele, o reconhecimento nacional traz ao município diversas opções. "É preciso saber aproveitar", destaca. O turismo e a possibilidade de utilizar os espaços também para a comunidade são apontados por ele como caminhos a serem seguidos no futuro. "O Iphan sempre olhou para Pelotas com carinho. Agora, pode participar ainda mais", encerrou.

Doces também são reconhecidos
A tradição doceira de Pelotas e Antiga Pelotas (municípios emancipados de Arroio do Padre, Capão do Leão, Morro Redondo e Turuçu) também foi reconhecida por unanimidade, tendo o parecer de Márcia Sant'Anna aceito por todos os 19 conselheiros ao final da tarde, após apresentação e longa deliberação. Houve debate e questionamentos, sendo eles esclarecidos pela conselheira.

Com o registro, o saber fazer será registrado e será inserido no Livro dos Saberes, também sendo um patrimônio do país. São considerados tanto os doces finos, de bandeja, como os coloniais, costumeiramente feitos a partir de frutas. O reconhecimento não é dado a nenhum doce em específico, mas a toda a tradição, uma vez que são as mais variadas vertentes coloniais históricas que levaram os doces de Pelotas a serem um produto único.

Para a prefeita Paula Mascarenhas (PSDB), que acompanhou a votação, o parecer trouxe uma percepção muito boa e rápida de Pelotas. Ela destacou o trabalho de Schlee e Márcia Sant'Anna para haver o reconhecimento. Segundo ela, a coragem e ousadia de funcionários do município que sempre trabalharam pelo zelo da história patrimonial também foi reconhecido. "Construímos ao longo do tempo uma consciência preservacionista na população", destacou.

Já secretário de Cultura do município, Giorgio Ronna, afirmou que as sessões foram emocionantes, com uma apresentação muito bem embasada. Ele lembrou que a maioria dos locais já tinham proteção estadual ou municipal, mas o reconhecimento nacional agora elevará tanto o patrimônio arquitetônico quanto a cultura doceira de Pelotas a um outro patamar.


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