Redes

Após polêmica, declarações de professora serão analisadas pela UFPel

Reitoria defende liberdade de manifestação, mas diz que irá estudar denúncias contra professora do Departamento de História

16 de Abril de 2018 - 20h33 Corrigir A + A -

Por: Vinicius Peraça
vinicius.peraca@diariopopular.com.br 

Ato em frente ao ICH defendeu a professora Rejane Jardim na tarde desta segunda-feira (Foto: Jô Folha)

Ato em frente ao ICH defendeu a professora Rejane Jardim na tarde desta segunda-feira (Foto: Jô Folha)

Declarações da professora Rejane viraram polêmica nas redes sociais (Foto: Reprodução/Facebook)

Declarações da professora Rejane viraram polêmica nas redes sociais (Foto: Reprodução/Facebook)

A Reitoria da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) afirma que irá investigar as denúncias recebidas por conta das publicações feitas em redes sociais por uma professora do Instituto de Ciências Humanas (ICH). Nos textos publicados há pouco mais de uma semana, a docente posiciona-se contra o fascismo e diz estar "de saco cheio de pacifismo e bom comportamento".

Desde que as declarações foram divulgadas em sua página pessoal no Facebook, Rejane Barreto Jardim, 56, professora do Departamento de História e coordenadora do Laboratório de Estudos Feministas, passou a ser alvo de críticas. O caso (confira abaixo) ganhou repercussão e pelo menos uma denúncia formal já está sob análise da universidade. De acordo com o reitor Pedro Curi Hallal, foi aberto um prazo de dez dias para que a comissão responsável pelo tema ouça as partes envolvidas e decida se será aberto processo administrativo ou haverá arquivamento. Se um processo for iniciado, a conclusão deverá ocorrer após 60 dias.

Diante da polêmica, Hallal prefere não opinar sobre a postura da professora ou o teor das denúncias que tem recebido. "A universidade não aceitará pressão para apressar julgamentos com relação ao caso. Estamos investigando e eu, como reitor, não posso me manifestar previamente. Não podem existir prejulgamentos", comenta.

Enquanto a universidade analisa a situação, a Associação dos Docentes da UFPel (Adufpel) emitiu uma nota de repúdio ao que classifica como "perseguição política" à professora. "Foram feitas graves acusações e ameaças motivadas pelas posições políticas que ela defende. Mesmo em casos de equívocos que possam vir a ser cometidos por algum docente, existem outras formas de lidar", argumenta a presidente Fabiane Tejada.

Um ato em apoio
No fim da tarde desta segunda-feira (16), um ato em apoio a Rejane em frente ao ICH reuniu cerca de 70 pessoas entre alunos, docentes, técnicos da UFPel, sindicatos, coletivos feministas e grupos de mulheres. "Nos sentimos violentados, assim como ela, que já vinha sendo monitorada desde que se posicionou contra o projeto Escola Sem Partido. Agora, a casa e a família foram expostas, ela vem sendo xingada", disse a técnica administrativa Rogéria Garcia, uma das organizadoras da mobilização.

Após discursos de alunos e apresentações musicais, um círculo foi formado e Rejane falou publicamente pela primeira vez sobre o caso. "Sim, eu quero morte ao fascismo e não retiro uma linha do que eu disse. Fascistas eu combato com ideias. Mas não acredito em uma sociedade que acolha e estimule este tipo de discurso." Conforme a professora, além de provocações que já vinha sofrendo em sala de aula, nos últimos dias passou a receber ofensas e ameaças pela internet e por telefone. "Vou acionar judicialmente o jornalista que me expôs desta forma. Tenho filho pequeno. Estou sendo tratada como moleca e não sou, tenho uma carreira de 30 anos em diversas instituições", disse.

Entenda o caso
Em sua página pessoal no Facebook, a professora publicou no dia 7 de abril um texto em que dizia imaginar uma história em que um assassino passaria a agir como vingança após "a prisão do Grande Pai".

No texto, Rejane diz: "Fascistas têm que morrer um a um. E me inscrevo para esta missão. Tô de saco cheio de pacifismo e bom comportamento. Morte aos fascistas".

Nesta segunda, durante o ato, ela reafirmou sua posição e disse que a reação forte ao seu posicionamento só ocorreu porque, de fato, há fascistas que não aceitam lidar com a livre expressão de ideias e ideologias.


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados