Ensino público

Para cerca de 120 alunos, o ano letivo começou pela metade

Estudantes da Escola Municipal Luiz Augusto de Assumpção enfrentam a falta de professores

13 de Março de 2018 - 20h37 Corrigir A + A -

Por: Michele Ferreira
michele@diariopopular.com.br 

Escola Luiz Augusto de Assumpção, no Balneário dos Prazeres, também sofre com a falta de três substitutos, que garantem os tradicionais remanejos para suprir imprevistos (Foto: Paulo Rossi - DP)

Escola Luiz Augusto de Assumpção, no Balneário dos Prazeres, também sofre com a falta de três substitutos, que garantem os tradicionais remanejos para suprir imprevistos (Foto: Paulo Rossi - DP)

Bilhete encaminhado à família explica a falta de professor; o pequeno Júlio Júnior, de seis anos, sonhou com a volta às aulas (Foto: Paulo Rossi - DP)

Bilhete encaminhado à família explica a falta de professor; o pequeno Júlio Júnior, de seis anos, sonhou com a volta às aulas (Foto: Paulo Rossi - DP)

O ano letivo de 2018 começou pela metade a cerca de 120 alunos da Escola Municipal Luiz Augusto de Assumpção, no Balneário dos Prazeres, em Pelotas. Até agora, estudantes de cinco turmas de Anos Iniciais têm sido liberados mais cedo para casa devido à falta de professor. É uma deficiência que se repete também em outras instituições da rede. A própria Secretaria de Educação e Desporto (Smed) admite: faltam, atualmente, 41 professores P1 - do 1º Ano ao 5º Ano - no quadro. Uma situação que deve levar, no mínimo, 45 dias para ser resolvida.

Enquanto isso, a palavra tem sido improviso na Escola Luiz Augusto de Assumpção. Para piorar, três professoras substitutas se aposentaram no começo de março. O jeito, portanto, tem sido remanejar os dois profissionais encarregados das atividades de apoio e a coordenadora de Anos Iniciais para dentro da sala de aula.

Para não deixar nenhuma das cinco turmas totalmente desassistida, as três servidoras se revezam com professores das especializadas - de Artes, Educação Física e Música -, mas não é o suficiente para os alunos cumprirem todo a carga horária. Resultado: vão mais cedo para casa. Não raro, às 15h.

"O nosso sentimento é de impotência", resume a diretora Daniele Dumith. "É uma situação delicada. Não é tapar furo. Cada professor tem um tipo de perfil", reforça. E se refere ao trabalho direcionado, principalmente, aos estudantes de 1º e 2º Anos, que dependem de uma fase maior de adaptação com os professores.

Depois das férias, frustração
O pequeno Júlio Júnior, de seis anos de idade, passou as férias ansioso pela retomada das aulas. Ao ouvir os clientes da mãe perguntarem se o descanso estava bom, logo, repetia um taxativo: "Não". Queria muito mergulhar no mundo das letras e foi faceiro à escola no dia 26 de fevereiro. Saiu de lá, mais cedo, desiludido.

A família foi comunicada de que não havia professor para assumir a turma do 1º Ano. "Ele segue desiludido e eu estou preocupada", afirma Patrícia Soares, 40. E adianta: gostaria que a escola se mobilizasse em grande paralisação para pressionar pela solução. "Existe a lei obrigando que as crianças estejam na escola desde os quatro anos, então tem que ter professor".

Mais problemas
As deficiências no quadro não se esgotam com a ausência de cinco professores de Anos Iniciais e de três substitutas. Os alunos dos Anos Finais - do 6º ao 9º Anos - sofrem com a falta de professor de História. O setor de limpeza também encolheu. Agora há apenas um encarregado por turno. E, para completar a lista de preocupações, o Guarda Municipal que permanecia na escola à noite também não está mais de prontidão na Luiz Augusto de Assumpção.

Confira a estrutura 
Ensino Fundamental Completo e EJA
830 alunos
75 professores e funcionários
3 turnos

A palavra da Smed
O secretário de Educação e Desporto, Arthur Corrêa, afirma: a solução completa para suprir a falta de 41 professores P1 na rede municipal só deve ocorrer dentro de, no mínimo, 45 dias. As contratações emergenciais ainda dependem de aprovação da Câmara de Vereadores, mas a papelada sequer chegou ao Legislativo.

Corrêa argumentou, entretanto, que desde o começo de fevereiro a demanda já teria sido encaminhada à Secretaria de Gestão Administrativa e Financeira. "Nós não temos quem queira os complementos de carga horária e não temos mais ninguém para chamar de concursos". O secretário sustentou ainda que, apesar da falta dos professores de Anos Iniciais, nenhuma das instituições estaria sem aulas. "É uma questão de boa vontade", reforçou, ao sugerir que auxiliares e substitutos entrem provisoriamente para as salas de aula para suprir a deficiência no quadro.

No caso específico da Escola Luiz Augusto de Assumpção, Corrêa garantiu que irá encaminhar dois professores P1 - de reposições que ainda não haviam se apresentado - para amenizar a situação enquanto a solução definitiva não vem.


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados