Alerta

Desafio da Baleia Azul chega a Pelotas

Desafio que tem se espalhado pela internet, pode levar, inclusive, ao suicídio

21 de Abril de 2017 - 06h30 0 comentário(s) Corrigir A + A -
“Mas ainda é um mistério como conseguem adeptos” Raquel Recuero, professora da UFPel (Foto: Divulgação)

“Mas ainda é um mistério como conseguem adeptos” Raquel Recuero, professora da UFPel (Foto: Divulgação)

Pais estão em alerta para o desafio lançado aos filhos (Foto: Reprodução)

Pais estão em alerta para o desafio lançado aos filhos (Foto: Reprodução)

Os pais estão em alerta. Multiplicam-se na internet relatos de participação de jovens no Desafio da Baleia Azul, jogo que está relacionado a suicídios por todo o mundo. Em Pelotas convites para participar do desafio circulam nas redes sociais e nesta semana começou a ser investigado um caso de automutilação ligado ao Baleia Azul.

Na última quarta-feira a Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) registrou a primeira ocorrência que pode estar relacionada ao jogo. Uma menina de 12 anos foi encontrada no banheiro pela mãe, às 4h20min, fazendo cortes nos braços.

Ela foi motivada pela reportagem de uma emissora de TV que mostrava as etapas do desafio, segundo depoimento.

Outra mãe, que não quis se identificar, cuja filha também de 12 anos recebeu a mensagem para participar do desafio através de um grupo de WhatsApp da turma da escola, está preocupada com a situação. Ela tem o hábito de acompanhar as atividades das duas filhas nas redes sociais e conversando com a menina descobriu o que estava acontecendo, e pôde alertar outros pais.

“Os filhos precisam de orientação, de conversa”, afirma a mãe, que vê as redes sociais como um espaço para socializar, mas que precisa ser usado com cautela e supervisão aos adolescentes. Ela também pensa que os pais devem participar ativamente da vida dos filhos e estar atentos aos sinais de quando algo não vai bem.

No Brasil, o jogo da Baleia Azul provocou alertas policiais e de saúde em oito estados: São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso, Pernambuco, Paraíba, Rio de Janeiro e Santa Catarina. No Paraná, oito adolescentes foram internados após tentativa de suicídio e em Mato Grosso um grupo on-line com mais de 350 participantes foi descoberto pela Polícia Militar.

A professora da Universidade Federal (UFPel), Raquel Recuero, que trabalha com sociabilidade, diz que ainda há muito a se compreender sobre o assunto. O que preocupa é a popularização dos jogos suicidas, que tendem a romantizar o problema e não estão restritos às redes sociais. Existem sites, blogs e fóruns que abordam a temática. Raquel também comenta que há hipóteses do desafio ter surgido a partir da divulgação de notícias falsas, como um trote, e então ter começado a circular entre grupos. “Mas ainda é um mistério como conseguem adeptos” acrescenta.

Para a professora, limitar o acesso a redes sociais não é uma alternativa muito viável como forma de proteção, pois os jovens acabam encontrando outras maneiras de participar desses grupos. A opinião é compartilhada pela psicóloga Marlise Flório Real, ao ressaltar que a tecnologia veio para ficar e que restringir não é a saída. “Dar atenção e acompanhar os filhos é mais importante”, afirma.

A psicóloga aponta a vulnerabilidade da adolescência com um dos possíveis motivos para que os jovens sejam as maiores vítimas. Nessa fase existem muitas dúvidas e acontece o distanciamento do núcleo familiar com a descoberta de novos amigos, que exercem grande influência na personalidade. O desafio proposto pelas tarefas e a evolução do jogo também seduzem e apelam à adolescência. “A depressão é outro fator de peso”, lembra Marlise. Uma pessoa com o transtorno mental está mais suscetível à manipulação, especialmente se for muito isolada. Mas a principal ação a ser tomada é estar presente, finaliza a psicóloga.

Como surgiu
O desafio/jogo da Baleia Azul surgiu em um grupo de rede social chamado F57, na Rússia, entre o final de 2015 e o início de 2016, e é associado a pelo menos 130 suicídios de adolescentes no país. Envolve 50 tarefas que os jovens devem completar em 50 dias. O curador, como é denominada a pessoa que comanda o desafio, convida os adolescentes a jogar e envia as missões nas madrugadas. Elas chegam às 4h20min, horário que segundo as investigações concentra o maior registro de suicídios. Geralmente o curador é um adulto.

A origem do nome pode ter dois significados. Baleia Azul é inspirado na espécie animal, que devido à matança se encontra em perigo de extinção. Também pode se referir ao fenômeno das baleias que ficam encalhadas nas praias, o que é comparado ao suicídio.

Atenção aos sinais
Ao decorrer do jogo as tarefas vão se tornando mais perigosas. Elas podem variar desde assistir a filmes de terror em horários específicos e ouvir músicas indicadas pelos curadores, ir à beirada do prédio mais alto que o participante conheça, e até diferentes formas de automutilação.

Algumas atitudes marcantes podem estar relacionadas com o jogo
1 - Mutilações na palma da mão
2 - Assistir a filmes de terror/psicodélicos com frequência
3 - Mutilações nos braços - cortes grandes, desenhos de baleia
4 - Desenhos de baleia
5 - Postagens em redes sociais com os dizeres “#i_am_whale” (“eu sou uma baleia”) e #F57
6 - Sair de casa em horários estranhos, principalmente na madrugada, próximo às 4h20min
7 - Cortes nos lábios
8 - Desejo de subir em locais altos
9 - Agressividade
10 - Evitar conversar durante muitas horas
11 - Isolamento
12 - Baixa no desempenho escolar

Baleia Rosa
Em contraponto a essa situação, uma publicitária brasileira criou um desafio do bem. O Baleia Rosa, que surgiu no início da semana, propõe 50 atividades que estimulam autoestima, amor ao próximo e gentileza. A página do Facebook conta com mais de 200 mil curtidas e os participantes são convidados a compartilhar fotos e relatos das tarefas com a frase da campanha #eusoubaleiarosa. O projeto pode ser acessado através do facebook.com/eusoubaleiarosa/.


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