Crônica

De bom com a vida

31 de Dezembro de 2016 - 06h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Maria Alice Estrella - malicestrella@yahoo.com.br

Atropelos à parte, este ano passou desgovernado por várias estações. Rápido, foi levando dias e meses no vagão de carga. Alguns momentos para desfrutar a paisagem através da janela e ver campos floridos por afetos revisitados. Instantes outros de preocupações e inseguranças.

De alguma forma muito tempestuosa, marcou sua passagem na corredeira da minha vida. Os bons momentos que me proporcionou foram escassos em meio a um turbilhão de desencantos e perturbações. Mas não guardo mágoas da sua trajetória porque os dias correram velozes e o marasmo que me cercou se afogou nas areias movediças de cada mês em que convivemos.

Tudo passa. Inclusive a pressa e os contratempos.

É impossível, pois, chorar em nossa despedida. Guardo as minhas lágrimas para a alegria que a chegada de uma nova ventura trará.

Conservarei desse ano, como lembrança, os acontecimentos de vitórias e realizações que alcancei. Os meus afetos tão preciosos e constantes a enfeitar meus dias. Os abraços inesquecíveis. Os sorrisos oportunos. As amizades sinceras. Os aplausos de reconhecimento.

De resto, tenho que agradecer a oportunidade que tive de chegar ao fim dos seus 365 dias, não deixando coisa alguma pendente, a não ser a vontade de encontrar mais desafios logo ali adiante.

Ademais, pude vislumbrar um horizonte que eu pensei inacessível. Sem medo de errar, afirmo que o ano de 2016 foi a ponte que cruzei, vencendo obstáculos e me preparando para as delícias de um encontro com o outro lado, com a margem ainda desconhecida.

Fico com várias fotos e as histórias de nós dois, o ano e eu, escritas em papel jornal, que conservarei no sótão dos meus remotos pensamentos.

Será difícil esquecê-lo, até porque não se esquece de um relacionamento assim da noite para o dia. Isso deixa sequelas, algumas vezes, difíceis de lidar. Mas tudo tem o seu tempo certo e a sua duração exata.

Estou me despedindo, portanto, sem remorsos. Fomos o que tínhamos que ser e fizemos a nossa parte.

Estou à mercê das novidades que chegarão à minha existência. A vinda do ano de 2017, que tenho o privilégio de alcançar como espectadora atenta e testemunha ocular, substituirá os planos, os sonhos, as conquistas na sequência e consequência natural dos acontecimentos. O ciclo se refaz. As rodas do tempo percorrerão novas estradas. E aquela esperança de tudo se ajeitar, como diz a canção, não pode ser relegada.

Peço licença, pois. Preciso me preparar com flores e estrelas para ir ao encontro de quem bate à porta insistente e apressado. Porque há sempre o novo surgindo, e o antigo cedendo o lugar, irreversivelmente.

Ano após ano sigo reconstruindo fatos e fotos, acreditando que o melhor ainda está por vir.

De bem com a vida, sem as amarguras do pessimismo, pois que, desanimar jamais!


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