No palco

Montagem musical inspirada na peça de Peter Weiss na versão de Satolep

Trupe pelotense faz três exibições gratuitas da peça Marat Sade a partir de sexta-feira, na sala Carmem Biasoli

07 de Dezembro de 2017 - 09h44 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

No palco, perseguição e morte do líder Marat pelos olhos de Sade. (Foto: Divulgação - DP)

No palco, perseguição e morte do líder Marat pelos olhos de Sade. (Foto: Divulgação - DP)

A Troupe de Satolep encena de sexta-feira (8) até domingo Marat Sade, montagem musical inspirada na peça do dramaturgo alemão Peter Weiss. O espetáculo estará em cartaz na sala Carmen Biasoli, do Tablado, rua Almirante Tamandaré, 301. A entrada é gratuita e as senhas serão distribuídas meia hora antes da apresentação.

A obra do dramaturgo coloca em cena a perseguição e o assassinato do revolucionário Jean-Paul Marat (1743-1793) em peça sob a direção do parisiense Marquês de Sade (1740-1814), pelos internos do hospício Charenton. Na trama, Weiss mistura realidade e ficção em um encontro onde a força está no embate de ideais.

Em agosto deste ano a Troupe tinha encenado fragmentos da obra e agora apresenta a peça completa. O trabalho é resultado de conclusão da Disciplina de Montagem Teatral II, do curso de Licenciatura em Teatro da UFPel.

O professor da disciplina e diretor do espetáculo, Paulo Gaiger, conta que a peça é complexa e o que vai ser apresentado é o entendimento do grupo sobre o texto. Originalmente a obra de Weiss tem três horas de duração, a versão dos acadêmicos ficou com cerca de uma hora e 40 minutos.

Segundo o diretor, o texto sofreu um enxugamento em função da atualização. Tornar a obra do início da década de 1960 atual foi o maior desafio do grupo. “Cortamos coisas mais datadas, sem ferir a ideia de Weiss”, diz o diretor.

Moral e política
Charenton é um dos poucos pontos em comum entre as biografias de Marat e Sade. Ambos estiveram internados neste hospício, e lá Sade escrevia e dirigia peças envolvendo outros internos nas produções. Um trabalho bastante importante para a época, comenta o diretor. “Eles (Marat e Sade) não sofriam de debilidades mentais. Um estava lá pela condição moral e o outro, pela condição política.”

A obra de Weiss coloca em choque duas visões de mundo que parecem muito divergentes, ao questionar que rumos devem seguir os homens. Enquanto Sade percebe que a transformação social tem que partir de indivíduo livre, considerando inclusive a sua libido, Marat tem uma visão do coletivo, pensa que é a sociedade que transforma o indivíduo. Gaiger comenta que o espetáculo é de grande humanismo.

A versão pelotense também dá destaque à mulher, por meio da personagem Charlotte Corday, assassina de Marat. “Com ela propomos uma outra reflexão”, antecipa o diretor. A morte do extremista Marat, líder jacobino na Revolução Francesa, na banheira, está eternizada também na obra do pintor francês Jacques-Louis David (1748-1825).

Canções autorais
Outra mudança importante na versão da Troupe de Satolep foi incluir a música no espetáculo. Essas canções compõem os comentários de um coro, bem ao estilo do teatro grego. As múltiplas vozes debocham e fazem questionamentos sobre o passado e o futuro.

As músicas foram compostas especialmente para este espetáculo por Paulo Gaiger, Gustavo Dias e Johann Ossanes. Para o diretor as composições autorais, em ritmos de blues, rap, marcha e balada, por exemplo, ajudam a atualizar a peça.

Formam a Troupe de Satolep: Evelin Suchard, Gengiscan Pereira, Grégori Eckert, Higor Alencar, Hugo Tavares, Juliana Caroline, Juliana Ximenes, Kellen Ferreira, Lucas Ulguim, Márcia Monks, Régis Riveiro, Rodolfo Furtado e Vivi Lauz.

Serviço:
O quê: espetáculo Marat Sade - com a Troupe de Satolep 

Quando: sexta, sábado e domingo, às 19h

Onde: sala Carmen Biasoli, rua Almirante Tamandaré, 301

Ingresso: senha gratuita às 18h30min, no local


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