Caso Nasf

Tenente Nelson é condenado a 18 anos e oito meses de prisão

Além do policial militar da reserva, outra dez pessoas foram sentenciadas; entre elas, o filho do policial, Wagner Fernandes

06 de Dezembro de 2017 - 17h09 Corrigir A + A -

Por: Giulliane Viêgas
giulliane.viegas@diariopopular.com.br

Tenente Nelson foi condenado a 18 anos e oito meses de reclusão (Foto: Paulo Rossi - DP)

Tenente Nelson foi condenado a 18 anos e oito meses de reclusão (Foto: Paulo Rossi - DP)

Grupo foi desarticulado durante Operação Braço Forte do MP (Foto: Paulo Rossi - DP)

Grupo foi desarticulado durante Operação Braço Forte do MP (Foto: Paulo Rossi - DP)

A Justiça condenou nesta quarta-feira (6) o policial militar da reserva Nelson Antônio da Silva Fernandes, conhecido como Tenente Nelson, e outras dez pessoas pelos crimes de milícia, tortura, incêndio criminoso e constrangimento ilegal. O proprietário da empresa Nasf foi condenado a 18 anos e oito meses de reclusão. O filho dele, Wagner Fernandes, foi sentenciado a dez anos e quatro meses. Os outros condenados são: Mauro Fernando Silveira Silva, José Edson Rangel de Medeiros, Silvio Luis Soares Vargas, Elizeu Valdemir Bueno, Rafael Aires Vieira, Gerson Roberto Peixoto Garcia, Eduardo Felipe Faustim de Medeiros, Carlos Henrique Barros Guimarães e Everton Marques Porto. A sentença de 97 páginas foi dada pelo juiz da 3ª Vara Criminal, André Acunha.

O Ministério Público disse que vai analisar a decisão para eventual aumento da sentença. Entretanto, o MP considera as condenações satisfatórias. "Vamos recorrer de alguns crimes que foram pedidos e o juiz absolveu os réus. De uma maneira geral foi suficiente", comentou o promotor Reginaldo Freitas.

Em abril do ano passado, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público desencadeou a operação Braço Forte para combater uma série de delitos praticados por membros da empresa Nasf Portaria e Segurança. Na ocasião, o ex-comandante do 4ºBPM, André Luis Pithan, foi preso. O militar respondeu inquérito militar e atualmente comanda um batalhão da capital.

A firma que deveria atuar como serviço de zeladoria, foi apontada pelo MP por coagir ou agredir quem desrespeitasse as "regras". No início de maio de 2016, o Ministério Público denunciou 30 pessoas por organização criminosa, manutenção e custeio de milícia privada com a finalidade da prática de crimes de ameaça, violação de domicílio, incêndio, roubo, furto, lesões corporais, além de porte e posse de arma.

Em julho, a Justiça mandou prender 11 integrantes da empresa Nasf Portaria e Segurança. A decisão foi da 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça. Na época, as prisões foram possíveis devido a recurso interposto pelo MP que contrariava a decisão do magistrado André Acunha de indeferir as detenções.

Todos os condenados já estavam presos e devem seguir reclusos sem direito de decorrer da decisão em liberdade.

Relembre
As investigações do Gaeco mostraram que a empresa que deveria prestar serviço de zeladoria se organizou em uma milícia que torturava suspeitos de crimes e também outras pessoas sem nenhuma vinculação com delitos. No inquérito consta o caso de um estudante universitário que foi espancado por integrantes da milícia por ser considerado "suspeito" de roubo a uma residência com placas da empresa.

Segundo o MP, as mensalidades variavam de R$ 50,00 a R$ 200,00, dependendo da "cara do cliente" e da localização do imóvel. "Na prática eles vendem um serviço que não é preventivo, mas sim repressivo", explicou o promotor do Gaeco, Reginaldo Freitas.


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados