Superação

A luta de Aísha contra a leucemia

Pelotense de 19 anos fará o transplante de medula e precisa do apoio da comunidade para conseguir vencer a doença

06 de Dezembro de 2017 - 08h51 Corrigir A + A -
Transplante da jovem será realizado em Brasília; ela viaja acompanhado pelo pai, seu fiel companheiro na batalha contra a leucemia (Foto: Paulo Rossi - DP)

Transplante da jovem será realizado em Brasília; ela viaja acompanhado pelo pai, seu fiel companheiro na batalha contra a leucemia (Foto: Paulo Rossi - DP)

Aquela que vive. O significado corresponde ao nome Aísha e descreve bem a personalidade da jovem pelotense de 19 anos. Lutando contra a leucemia desde 2007, Aísha Schaun está prestes a enfrentar uma batalha decisiva: o transplante de medula óssea. Para isso, precisará largar toda a rotina mantida em Pelotas e partir para Brasília junto de seu pai, o fiel companheiro na briga contra a doença.

A leucemia surgiu quando Aísha tinha apenas nove anos. Na época, o câncer não assustou tanto. "Eu não tinha muita noção do que acontecia", revela. O tratamento foi feito através do Sistema Único de Saúde (SUS) no Hospital da Criança Conceição, em Porto Alegre. Entre internações e quimioterapias passaram-se três anos. "Comemoramos Natal, Ano-novo, aniversários e Dia da Criança no hospital", recorda José Luís Schaun, pai da menina. Depois de seguir todos os passos do tratamento, Aísha voltou para casa acreditando estar curada.

Um ano e meio depois, os sintomas da doença reapareceram e o diagnóstico também. A adolescente estava ingressando no primeiro ano do Ensino Médio. "Eu já estava com os cabelos compridos de novo. Tinha até esquecido da leucemia", recorda. O tratamento recomeçou, pai e filha deslocaram-se novamente à capital. Mais três longos anos de quimioterapia e um de internação. Por conta disso, Aísha precisou repetir o ano na escola. Novamente, em 2015, os médicos disseram que ela estava livre da leucemia.

Em junho deste ano, nova surpresa: a leucemia voltou. E a solução para manter o câncer longe de vez é o transplante de medula óssea. A fase mais difícil, achar um doador compatível, já foi cumprida. Na doação não aparentada, quando doador e receptor não são da mesma família, as chances disso acontecer são de uma em cada cem mil casos. Ela encontrou dois. O próximo passo é conseguir concretizar o transplante.

Em Porto Alegre, a fila para realizar o procedimento é imensa - cerca de seis meses de espera. Aísha não pode esperar. "Até o dia do transplante, ela precisa seguir em tratamento para não ter células doentes no organismo", resume o pai. No Instituto de Cardiologia do Distrito Federal, em Brasília, a espera é praticamente nula. Neste caso, porém, o peso do transplante soma-se às dificuldades de se estabelecer em uma cidade totalmente nova por quase 50 dias.

O principal gasto da família Schaun será a acomodação. Durante todo o período em que ficarão na capital federal, precisarão de um lugar para descansar e se recuperar dos cansativos dias no hospital. "A Aísha estará internada e eu vou ficar com ela das 6h às 23h. Iremos precisar de um local próximo ao hospital", projeta José Luís. Depois do tempo em Brasília, a menina passará quase um ano em Porto Alegre e também precisará de local para ficar. Além disso, transporte, alimentação e despesas extras entram na conta.

O gasto estimado para o ano de tratamento é R$ 30 mil. Para arrecadar a quantia, Aísha conta com a ajuda da comunidade. As doações podem ser feitas pela internet, no site bit.ly/aishadp. Outra opção é depositar qualquer valor na Caixa Econômica Federal, Agência 4424, Operação 013, Conta 5648-9.

Escrevendo sua história
Segundo Aísha, parte fundamental na batalha contra o câncer foi o apoio dos familiares e amigos. Durante todo o tratamento, recebia dezenas de mensagens de gente querida pedindo notícias. "A rotina no hospital não me permitia responder todo mundo", lamenta. Por isso, para manter todos informados e encorajar outras pessoas na mesma situação, ela criou uma página em uma rede social. Lá, conta sobre as consultas em Porto Alegre, os passos do tratamento e fala sobre a importância de ser um doador de medula óssea. "Eu tive a sorte de ter um doador 100% compatível, mas muitas pessoas ainda estão na fila esperando por um. Imagina a alegria de poder salvar uma vida?", questiona em uma publicação. Você pode acompanhar a história da jovem através do link bit.ly/meduladp.

Como funciona o transplante

1 - O paciente é submetido a um tratamento (quimioterapia e/ou radioterapia), chamado condicionamento, que ataca as células doentes e destrói a própria medula

2 - O paciente recebe a medula sadia como se fosse uma transfusão de sangue

3 - A nova medula é rica em células chamadas progenitoras que, uma vez na corrente sanguínea, circulam e irão migrar até a medula óssea, onde se alojarão e irão se desenvolver. Durante o período em que estas células ainda não são capazes de produzir glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas em quantidade suficiente para manter as taxas dentro da normalidade, o paciente fica mais exposto a episódios infecciosos e hemorragias. Por isso, deve ser mantido internado no hospital, em regime de isolamento total.

4 - Após a recuperação da medula, o paciente continua a receber tratamento, só que em regime ambulatorial.

Fonte: Inca


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