Inovação

Feira de Protótipos apresenta alternativa às charretes

Evento lançado oficialmente nesta segunda-feira expõe modelo de transporte que substituirá os veículos de tração animal

17 de Julho de 2017 - 16h49 Corrigir A + A -
Charreteiros convidados observam protótipo em exposição na Feira de Protótipos de Veículos de Tração Animal, que se realizada até sexta-feira no pátio da Secretaria de Educação (Smed); alternativa às charretes  (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Charreteiros convidados observam protótipo em exposição na Feira de Protótipos de Veículos de Tração Animal, que se realizada até sexta-feira no pátio da Secretaria de Educação (Smed); alternativa às charretes (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Atualizada às 21h52

Vai até sexta-feira (21) a Feira de Protótipos dos Veículos de Tração Animal em Pelotas.

O evento é realizado pela prefeitura no pátio da Secretaria Municipal de Educação e Desporto (Smed). Objetivo é expor alternativa às charretes, especialmente na área central da cidade.

Neste primeiro momento apenas os catadores devem ser contemplados com a troca de veículo. De acordo com Luís Antônio Silveira, presidente da Associação dos Charreteiros, há cerca de 400 pessoas usando cavalos para recolher materiais recicláveis no centro.

O processo para a troca iniciou no fim de março, com o lançamento de um edital convocando as empresas interessadas a enviarem seus projetos. Apenas a Bioquim, patrocinada pela Biri Refrigerantes, candidatou-se. O modelo apresentado possui motor elétrico com autonomia de 50 km a 70 km e atinge a velocidade máxima de 20 km/h. Se a bateria acabar, pode ser movido à propulsão humana, pois conta com pedais. Sua capacidade de carga é de 450 quilos. O secretário de Transportes e Trânsito, Flávio Al Alam, explica que não é necessário nenhum tipo de habilitação para conduzir o veículo, pois ele não ultrapassa os 20 km/h. A única exigência é quanto à idade: apenas maiores de 18 anos poderão guiar a estrutura.

Fábio de Castro, presidente da Bioquim, estima um gasto diário de R$ 5,00 com energia elétrica para manter o veículo em funcionamento. Atualmente, os catadores afirmam que gastam, em média, R$ 15,00 por dia com o cavalo. Já o preço do veículo em si gira em torno de R$ 15 mil. O valor será totalmente subsidiado pela prefeitura e por empresários da cidade. Uma das propostas do município é que o catador entregue seu cavalo e, em troca, receba o novo transporte.

O protótipo foi aprovado pela maior parte dos vários charreteiros que estiveram na Feira, mas alguns não ficaram felizes com a mudança. A principal reclamação parte dos fretistas. Eles alegam não ter espaço suficiente para a carga na nova estrutura. A prefeita Paula Mascarenhas (PSDB) afirma que o caso deles será analisado posteriormente.

Narciso Ferreira, 62 anos, usa a carroça como meio de transporte em suas entregas há 40 anos. Ele diz não estar satisfeito com a troca e a principal adversidade é a adaptação ao novo veículo. As dificuldades na visão que o acompanham não prejudicam a condução do cavalo, pois está acostumado a isso. Já em relação ao novo carrinho, tem medo de que o problema seja um obstáculo impossível de superar. Por outro lado, Gilmar Rocha, de 50 anos, aceita a mudança. “Os tempos mudam e nós temos que mudar junto”, avalia. Quando questionado se prefere sua charrete ou o novo veículo, não tem dúvidas: “Se não prejudicasse a cidade, eu iria preferir o meu cavalo”.

Representante da ONG SOS Animais e a Associação Bem-Estar Cavalos também estavam presentes no evento. Presidente do Comitê Municipal de Proteção Animal (Comupa), Henrique Fetter espera que o protótipo seja aprovado pela comissão julgadora. Se ele não estiver dentro dos padrões, estima que adaptações sejam feitas para que todo o processo de escolha não precise se repetir.

 


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