Fruta

Zona Sul deve colher mais de 900 hectares de melancia

Em Pelotas, três produtores apostam numa variedade sem sementes que deve chegar aos mercados nos próximos dias

18 de Janeiro de 2020 - 09h03 Corrigir A + A -
Daniel Neitzke plantou meio hectare da cultivar Arriba (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Daniel Neitzke plantou meio hectare da cultivar Arriba (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Imagine abrir uma melancia e não encontrar nenhuma semente. Agora imagine que o sabor seja ainda mais doce e a cor mais avermelhada. Essa deve ser a principal novidade da safra da melancia 2019/2020 na Zona Sul. Plantada por três produtores de Pelotas, a variedade Arriba deve chegar às prateleiras dos supermercados nos próximos dias. Sem sementes, com a coloração ainda mais avermelhada e o gosto adocicado, a novidade tende a ganhar espaço entre os consumidores da fruta do verão.

A tradicional, com sementes, é a mais semeada e em toda a região são 920 hectares de plantações. Pelos cálculos do Escritório Regional da Emater, a produção deve bater as 23 mil toneladas. “A área plantada tem se mantido. É uma cultura itinerante. Nossa região tem a melancia mais doce do Brasil em virtude da amplitude térmica, o que ajuda frutas como a melancia e a uva”, destaca o gerente regional da Emater/RS-Ascar, Ronaldo Maciel.

Esta diferença entre a temperatura ao longo do dia e ao longo da noite aumenta o Brix da fruta, que, a grosso modo, indica o grau de doçura do fruto. A média das melancias com semente varia o grau Brix entre 8,9. Já a sem semente chega a superar o 13, o que aponta que é mais doce. Enquanto a melancia produzida em Pelotas deve ser consumida por aqui, Ronaldo cita Pedro Osório como uma cidade que produz para fora do Estado e até do país.

Enquanto em Pelotas tem-se um maior número de produtores pela característica da agricultura familiar, em cidades como Herval, Arroio Grande e Pedro Osório as plantações estão em médias e grandes áreas. “A nossa produção deve chegar aos consumidores no final de janeiro e os consumidores vão perceber a diferença de ter uma fruta mais doce. Aqui a colheita é mais tardia em relação a outras áreas do Estado”, comenta.

Mais doce e vermelha

É na propriedade de Daniel Perleberg Neitzke e Lidiane da Fonseca Neitzke, na Zona Rural de Pelotas, onde crescem melancias que devem ser a novidade da safra. Com cerca de meio hectare plantado no Passo da Capivara, no Cerrito Alegre, o casal espera colher entre 700 a 900 frutas. Ao todo, são mais de cem dias entre colocar as sementes na terra e a colheita. Em função da estiagem, Daniel precisou investir na irrigação, instalada no início de dezembro.

Na região, em torno de 20% a 30% das plantações são irrigadas, pelos dados da Emater. Se na melancia comum o produtor recebe entre R$ 0,60 a R$ 0,70 pelo quilo, a sem semente deve chegar a R$ 0,90 e R$ 1,00. “O custo dela tende a ser 30% mais caro. São frutas com cerca de 10 a 11 quilos, que estarão adesivadas e tem a casca com a coloração verde mais escura”, explica o técnico da Emater, André Perleberg, que auxilia a família.

A expectativa de Daniel é boa. “A gente espera que o pessoal goste. É uma fruta muito boa, ela é mais doce que a outra”, enaltece. Através da Cooperativa de Produtores Agrícolas do Monte Bonito (Coopamb), a produção de melancias sem semente será toda comercializada em macroatacados de Pelotas. Em todo o Rio Grande do Sul, é estimada uma área de 80 hectares com plantação da melancia sem semente.

Festa da Melancia em fevereiro

Está marcada para os dias 8 e 9 de fevereiro a tradicional Expofesta Regional da Melancia de Pedro Osório. A 19ª edição acontecerá no parque do Sindicato Rural do município. O evento terá distribuição gratuita de melancia e terá uma programação com shows, área de acampamento, etapa de Veloterra e feira de artesanato.


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