Em falta

Vereadores ignoram dados da Saúde em Audiência

Atividade da Comissão de Saúde, que tratou do primeiro quadrimestre de 2019 da pasta, teve baixa participação de parlamentares

11 de Setembro de 2019 - 22h14 Corrigir A + A -
Dúvidas? Evento praticamente não teve abordagens na Câmara de Vereadores de Pelotas (Foto: Lenise Slawski - Especial DP)

Dúvidas? Evento praticamente não teve abordagens na Câmara de Vereadores de Pelotas (Foto: Lenise Slawski - Especial DP)

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) apresentou, na manhã desta quarta-feira (11), um demonstrativo das atividades dos primeiros quatro meses do ano na Câmara de Vereadores de Pelotas. Organizado pela Comissão de Saúde, o evento contou com com a presença de técnicos da pasta e da secretária Roberta Paganini, que assumiu o cargo no início deste mês. A atividade teve pouca participação dos vereadores.

Durante toda a audiência, iniciada após a sessão ordinária, apenas nove parlamentares estiveram no plenário, de um total de 21. No final da atividade, restaram apenas dois: o proponente Marcos Ferreira - Marcola (PT) e o líder da bancada do PDT, Marcus Cunha.

Entre os vereadores que participaram, apenas Ademar Ornel (DEM), José Sizenando (DEM) e Marcus Cunha (PDT) fizeram comentários e questionamentos a respeito da situação da saúde no município. Nem mesmo o proponente Marcola tirou dúvidas com a administração. O que era para ser um demonstrativo público de ações para o Poder Legislativo, responsável por fiscalizar o Executivo, virou praticamente uma conversa entre técnicos e secretária com o vereador Marcus Cunha sobre os dados apresentados.

Os dados
Em uma apresentação de slides, técnicos mostraram indicativos referentes a ações e metas pactuadas entre o município, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) e o Ministério da Saúde. Entre os dados que chamaram a atenção estão os índices de mortalidade infantil, as taxas de mamografia e a vacinação de crianças menores de dois anos de idade.

Sobre a taxa de mortalidade, o pacto entre município e União prevê, no máximo, 12 óbitos a cada mil crianças nascidas vivas. Nos primeiros quatro meses, foram registrados 21 óbitos. Nascem em Pelotas uma média de quatro mil crianças por ano. A diretora de ações em saúde, Eliédes Ribeiro, explicou que o município não passa por desassistência no setor. "São fatores complexos, envolvem o uso de substâncias tóxicas, prematuridade, gravidez na adolescência", explicou.

Dos 20% da população entre 50 e 69 anos que o Ministério preconiza o exame de mamografia, o município atingiu apenas 3% da meta. Apesar de constar como zero a meta sobre a vacinação de crianças menores de dois anos previstas no Calendário Nacional de Vacinação (CNV), técnicos explicaram que o Ministério da Saúde computa apenas quando não são atingidas 95% de cada uma das quatro vacinas. O resultado envolve as vacinas Pentavalente, Pneumocócica, Poliomielite e Tríplice Viral. Conforme dados apresentados pela pasta, foram alcançados índices entre 89% e 92% nas quatro vacinas. O índice, no entanto, não é considerado válido pelo Ministério por não ultrapassar os 95% estimado.

Discussão
Além de discussões sobre os dados, o vereador Marcus Cunha propôs que as próximas apresentações sejam mais didáticas e compreensíveis para toda a população. "A gente precisa entender o que está na apresentação, até pra ver o que foi feito fora destas metas. Da forma como está, fica uma imagem negativa do trabalho desenvolvido pela Secretaria", pontuou o vereador da oposição. Cunha também abordou o tema da saúde mental. É previsto que cada um dos Centros de Apoio Psicossocial (Caps) realize uma atividade mensal em cada comunidade onde está inserido ou na Unidade Básica de Saúde (UBS). Em 2019, o índice é zero.

"A saúde é um problema complexo, que precisa da ajuda desta casa, do judiciário e da comunidade. O meu objetivo é o melhor para a população. Não vou solucionar todos os problemas, mas não vou medir esforços para buscar soluções", declarou a secretária no final da audiência. Para humanizar o atendimento para a população, explicou, é necessário levar em consideração o diálogo com os trabalhadores da saúde e os usuários do SUS.

 


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