Solidariedade

Vakinha virtual para ajudar Rebeca

Família lançou campanha para comprar equipamento que custa em torno de R$ 240,00, mas só dura 14 dias; a pequena tem diabetes tipo 1

19 de Setembro de 2020 - 00h04 Corrigir A + A -
Com o sensor, medições da glicemia são facilitadas (Foto: Divulgação - DP)

Com o sensor, medições da glicemia são facilitadas (Foto: Divulgação - DP)

A pequena Rebeca Gonçalves, nascida em Piratini, foi diagnosticada, já de forma muito grave, com diabetes tipo 1. Com apenas três anos de idade, ela já vive a realidade das pessoas que precisam lidar com doença. Desde os dois anos, ela convive com injeções de insulina e medições de glicose, com furos na ponta dos dedos de sua pequena mão que, aos poucos, poderá perder a sensibilidade. Para facilitar este processo e torná-lo menos agressivo para a filha, a mãe e os demais familiares pedem apoio da comunidade.

Rebeca recebeu o diagnóstico quando estava prestes a fazer dois anos e um mês de vida. Ela apresentou sintomas como dificuldade para respirar, indisposição e não se alimentava; apenas bebia água. A avaliação inicial apontou que ela estava com infecção na garganta, tratável com antibiótico. Entretanto, ela não reagiu ao tratamento e, durante a noite, vomitava os remédios e parou de se hidratar.

No começo da manhã do dia seguinte, ela começou a se debater, para desespero dos pais, que correram para o hospital. Logo ao chegar, ela entrou em coma e respirava com a ajuda de aparelhos. “Começaram, então, a realizar os exames. O sanguíneo indicou 437 o índice de açúcar dela. A enfermeira estranhou, mediu novamente, e deu 439. Este número foi o que sinalizou que ela tinha o diabetes tipo 1”, relembra Aline Leitzke, mãe de Rebeca.

A partir da confirmação, a equipe médica se concentrou em reduzir os índices para que Rebeca fosse encaminhada a Pelotas. Tão longo o açúcar reduziu, ela foi transferida para o Pronto-Socorro, onde já havia uma equipe de prontidão para atendê-la. “O momento mais difícil foi quando a médica me disse que estava recorrendo às últimas opções para minha filha. Foi muito complicado. Mas tivemos tanta fé, tantas pessoas rezando por ela e acreditamos na melhora”, destaca a mãe da pequena.

Após este momento difícil, Rebeca começou a reagir. A expectativa era de que ela acordasse entre quatro a seis dias do coma e ela despertou no dia seguinte à internação. Entretanto, os cuidados não pararam por aí. A menina teve uma acidose, que consiste no processo de acidificação do PH sanguíneo. Novamente, ela precisou trocar de cidade. Foi encaminhada para Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), em Rio Grande, de onde os médicos sinalizaram que não poderia sair, pois era o local onde se teriam as melhores condições de trabalho. Depois do acompanhamento médico, o quadro de Rebeca apresentou melhoras. Ela começou a se recuperar e foi para a casa.

Mas, a Rebeca que apresentou os sintomas e que necessitou de muita atenção das equipes médicas não era a mesma que voltava para casa. Ela precisaria viver de um jeito diferente, com cuidados especiais e novos hábitos, além da observação constante da família. Neste amparo, Aline procurou o Instituto da Criança com Diabetes (ICD), em Porto Alegre. “Os profissionais do Instituto prestaram toda a ajuda possível e foram muito esclarecedores nos cuidados que precisaríamos ter com ela”.

Entretanto, o controle do diabetes é muito difícil e invasivo para a menina. Rebeca necessita de alimentação adequada em horários já pré-determinados e realiza cinco aplicações diárias de insulina. Neste contexto, o controle das glicemias é constante e fatores externos, de qualquer origem - emocional e físico -, alteram a glicemia. “Mesmo com todas as medicações, precisa ter cuidado extremo. Ela se alimenta à base de verduras e legumes e em horários certos, mas ainda precisa ficar alerta. Se ela cai, se assusta, fica nervosa, já mudam todos os índices. Tem madrugadas que precisa medir de hora em hora, em constante observação, pra ver se vai baixar ou se vai subir”, conta Aline. Além dos pequenos furos para medir a glicose, Rebeca ainda resiste à aplicação de insulinas. Por ser criança, não há liberação médica para receber as doses na barriga, pois poderiam crescer caroços no local. Desta forma, a indicação é que seja feita na coxa, nas nádegas ou no braço.

Outro desafio que faz a mãe estar sempre atenta é com as hipoglicemias. Muitas vezes, Rebeca não apresenta nenhum tipo de sintoma. Já ocorreram situações que ela estava com hipoglicemia e não teve nenhuma alteração de comportamento, seguiu brincando e não fez nenhum tipo de reclamação. Por este tipo de situação, a mãe mede constantemente os índices. Segundo a prescrição médica, Rebeca necessita fazer de sete a dez medições diárias. “Às vezes, são mais de uma picada em cada dedinho. Em um adulto dói, imagina em uma criança. O pior é pensar que ela vai acabar perdendo a sensibilidade nos dedos. Ela vai querer pegar, agarrar as coisas e não vai sentir”.

Fim das dores

Para diminuir os dolorosos furos e tentar interromper o processo de perda de sensibilidade nos dedos, Rebeca recebeu a doação de um sensor freestyle libre, que custa R$ 239,99 e dura 14 dias. O sensor é aplicado na parte posterior do braço e mede de forma contínua as leituras da glicose e armazena os dados durante o dia. Não é um equipamento que cause dor ou necessite furar qualquer região do corpo para fazer a medição. Para a surpresa de Aline, a pequena se adaptou e, com a doação inicial, passou a medir sozinha os próprios índices.

Entretanto, o equipamento é descartável após duas semanas de uso. A família reside em Piratini e nenhuma farmácia oferece o produto na cidade. “A gente precisa recorrer a uma franquia em Porto Alegre ou comprar online, de São Paulo. Ou seja, além do gasto do equipamento, ainda vamos ter que investir no valor do transporte”, aponta Aline.

Como ajudar?

Para viabilizar esta aquisição, a família entrou com uma ação judicial para conseguir o sensor, que não é disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A demora pela resposta da Justiça também angustia. Neste contexto, foi lançada a vakinha, para dar melhor qualidade de vida para Rebeca, e com objetivo de cobrir os valores do freestyle libre por sete meses; na expectativa de que, após este período, já haja um resultado do processo judicial que garanta o leitor mensalmente à família. Para contribuir com Rebeca, basta acessar o site https://www.vakinha.com.br/vaquinha/vida-nova-para-rebeca e fazer uma doação.


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