Medicina

Urologia da Beneficência realiza procedimentos inéditos

Procedimento propõe aliar tecnologia com maior conforto aos pacientes

17 de Janeiro de 2022 - 09h20 Corrigir A + A -
Técnica utilizada garante mais conforto aos pacientes no
pós-operatório (Foto: Leandro Lopes - DP)

Técnica utilizada garante mais conforto aos pacientes no pós-operatório (Foto: Leandro Lopes - DP)

Neste final de semana a Beneficência Portuguesa de Pelotas realizou um procedimento cirúrgico inédito para a região. A primeira execução da HoLEP (sigla em inglês para enucleação endoscópica da próstata por holmium laser), operada pela equipe de urologia do hospital, foi realizada em sete pacientes com hiperplasia prostática (HPB).

O procedimento propõe aliar tecnologia com maior conforto aos pacientes. O médico Guilherme Loyola, urologista e diretor clínico da Beneficência, explica que os pacientes com HPB normalmente são homens com mais de 50 anos de idade que acabam sofrendo com prejuízo à qualidade de vida e padrão urinário. Em geral, eles têm o sono comprometido, já que precisam acordar várias vezes para ir ao banheiro, ou sofrem com incontinência urinária. Quando os medicamentos não resolvem, é necessário cirurgia. E essa técnica é bem menos invasiva que os procedimentos tradicionais por ser de forma totalmente endoscópica, sem cortes abdominais ou na bexiga e sem anestesia geral ou intubação.

COMO FUNCIONA A CIRURGIA

 O médico curitibano Tiago Hota, convidado pela Beneficência para acompanhar os primeiros procedimentos, explica que o laser remove todo o tecido doente, um adenoma, evitando ao máximo o retorno da doença. Dessa forma traz resultados superiores em comparação a técnicas anteriores, como a ressecção tradicional (RTU) e vaporização (greenlight).

Além disso, requer menos tempo do uso de sonda e gera menor sangramento e reabordagem em relação aos outros procedimentos. A logística do paciente acaba sendo facilitada, já que em alguns casos o paciente tem alta até no mesmo dia do procedimento. "É um divisor de águas. Tira a necessidade de remédios, facilita a urina e traz muito mais qualidade de vida", explica.

A tecnologia desse laser também pode ser usada para pacientes com cálculos renais, trazendo maior fragmentação devido à sua maior potência em relação aos lasers tradicionais. No caso da próstata, ela é totalmente desobstruída. Segundo o urologista Raul Real, ao substituir a cirurgia aberta por um procedimento minimamente invasivo, também é possível remover todo o adenoma, diminuindo a resistência da próstata na uretra e fazendo com que a vida do paciente volte ao normal.


DIFUSÃO DA TÉCNICA

Quando o uso do HoLEP for amplamente difundido, segundo o médico João Siqueira, pacientes com mais comorbidades também poderão fazer procedimentos prostáticos. Em casos de pacientes que faziam uso de anticoagulantes, por vezes a cirurgia não era indicada, situação de três dos sete que passaram pelo procedimento na Beneficência, que faziam uso desse tipo de medicamentos. Com o laser, não haverá necessidade de suspensão dos medicamentos, ou então o prazo será menor. "A nucleação completa, além de desobstruir muito bem, traz mínimo sangramento ao paciente. Isso nos coloca no mesmo patamar de grandes centros", diz o também urologista André Diniz.

A anestesista que acompanhou os procedimentos, Alice João Marques, diz que além das vantagens urológicas, o paciente também corre menos riscos cardiológicos ou até neurológicos. 1396984945São geralmente pacientes idosos, que naturalmente possuem maiores riscos, mas com o HoLEP isso diminui graças ao mínimo sangramento1396986481, explica.


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