Manifestação

Unidos para tentar voltar ao trabalho

Músicos e produtores de eventos se sentem os mais atingidos pelos últimos decretos do Poder Público

04 de Dezembro de 2020 - 19h24 Corrigir A + A -
Pela retomada: cerca de cem profissionais participaram de mobilização no Largo Edmar Fetter (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Pela retomada: cerca de cem profissionais participaram de mobilização no Largo Edmar Fetter (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Na tarde desta sexta-feira (4), profissionais da música e da produção de eventos se reuniram no Largo Edmar Fetter. O motivo foi a solicitação de medidas que permitam, com responsabilidade, que as classes voltem a trabalhar - as atividades se encontram proibidas a partir dos decretos municipal e estadual. Em paralelo, a cidade se aproximou e deve atingir, no fim de semana, os dez mil casos de Covid-19 desde o início da pandemia.

Por um lado, são diversos trabalhadores, de diferentes setores, com a renda comprometida há nove meses - e agora na iminência do fim do auxílio emergencial. Por outro, o Estado vive verdadeiro momento de caos no combate à pandemia. No momento, apenas duas regiões, e ambas apenas após aceitação de recurso, não estão na classificação de risco alto do modelo de distanciamento social adotado pelo Rio Grande do Sul.

Pelotas, nesta sexta, registrou mais um recorde de casos diários - o quinto, em dez dias: 310, além de quatro mortes, somando 9.993 infecções e 189 mortes desde o início da pandemia. Outros 1.245 exames ainda aguardam resultado na cidade. É tema complexo e, ao que parece, só está completamente equivocado quem discorda dessa informação.

O protesto, em Pelotas, contou com cerca de cem participantes e teve uma linha de raciocínio bem clara: os trabalhadores entendem a gravidade da pandemia, mas também não deixam de perceber o retorno de outros setores da economia, ao que pediram que o Poder Público aceite o argumento de que, com responsabilidade, a realização de eventos pequenos pode acontecer. “Eu acho válido o último decreto, por conta da situação. O problema é que não é para todos. O comércio continua com mesmos horários. É por isso que ficamos nos questionando. Foi só os bares que influenciaram esse aumento?”, critica um dos organizadores, o músico Matheus Almeida. Ele sugere como medida que a classe esteja representada no comitê de crise.

Músico profissional desde os 19 anos, Giovani Brahm é atualmente vocalista da James Joyce, uma das mais conhecidas bandas da noite pelotense. Shows em bares, festas particulares, apresentações em casas de show, tudo foi paralisado pelo vírus. “Fui estrangulado de imediato. Durante seis meses trabalhei com lives que me ajudaram a complementar a renda, mas o público foi decaindo ao longo do tempo”, lamenta. Na opinião de Brahm, o último decreto é triste e demonstra “desespero, incoerência e despreparo.” Por fim, o músico diz lamentar o fato de, durante a campanha eleitoral, passeatas e bandeiraços estarem liberados.

Do ramo da produção de eventos, Andreia Marini acrescenta que o setor está por dentro de regras para que o resultado do trabalho não se transforme em uma festa com aglomerações. “A gente sabe da gravidade da pandemia e ninguém nega isso. Mas entendemos que sabemos fazer outras comemorações menores, como uma cerimônia de casamento só com os pais e os padrinhos. Defendemos evento responsável e, como profissionais, sabemos fazer.”

Prefeitura se manifesta

Em nota, a prefeita Paula Mascarenhas (PSDB) se respalda no perfil de infectados traçado pela Vigilância Epidemiológica para justificar a proibição, por mais 15 dias, de eventos na cidade. “Sabemos que têm muitos empresários que cumprem os protocolos, que têm todos os cuidados, mas nem todos estão e é muito difícil separar, especialmente para fiscalizar. Previmos esse prazo porque entendemos que estas pessoas precisam trabalhar. Estamos ouvindo a todos e analisando todos os argumentos permanentemente no Comitê de Enfrentamento, que tem todos os segmentos da cidade. Se for do entendimento do Comitê, podemos rever alguma coisa.”

Paula salienta ainda que a medida de proibição de eventos está presente no decreto estadual, não podendo o Município tomar atitudes mais flexíveis. “Respeito muito o setor de eventos, os artistas, os agentes culturais, o pessoal que vive de eventos, e sei o quanto esse segmento é importante em Pelotas, gerando renda e empregos. Assim como também tenho pelo setor de bares e restaurantes. E principalmente pela manifestação respeitosa e gentil”, finaliza a prefeita.

A covid na região

Pelotas 9.993 189
Rio Grande 5.945 148
São José do Norte 918 14
Capão do Leão 858 16
S. Vitória do Palmar 629 05
Canguçu 768 14
S. Lourenço do Sul 608 12
Jaguarão 321 03
Arroio Grande 298 03
Pinheiro Machado 129 06
Pedro Osório 189 05
Candiota 147 02
Herval 151 03
Piratini 125 02
Morro Redondo 96 05
Amaral Ferrador 118 01
Cerrito 123 01
Turuçu 47 00
S. da B. Vista 34 03
Chuí 72 00
Arroio do Padre 45 00
Pedras Altas 7 00

Total 21.621 432


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