Folia

Unidos do Mé é a campeã do Carnaval de Rio Grande

Escola de samba volta a ocupar o primeiro lugar depois de dois anos; escolhida como segunda melhor a Unidos da Rheingantz

06 de Abril de 2014 - 17h51 Corrigir A + A -

Por: Anderson Silveira e Renata Garcia

Depois de 20 dias de trabalho intenso, apressado e dedicação quase exclusiva à folia, o resultado chega – este ano, conforme data prevista. Emoção que foge à explicação para quem vive de Carnaval. Entre sexta-feira e sábado, os desfiles em Rio Grande reuniram público de mais de 12 mil pessoas: 4.630 na primeira noite e 7,6 mil na seguinte. E quem amanheceu na passarela do samba do Centro de Eventos, domingo, conheceu a grande campeã: dois anos depois, a Unidos do Mé volta a comemorar o primeiro lugar.

O nó de ansiedade na garganta logo cedeu espaço a gritos eufóricos entre os membros da escola do Grupo Especial. “É uma emoção muito grande. Foi um trabalho difícil, de luta, de dificuldades. Essa comunidade merece a vitória, batalhou muito!”, desabafou a presidente da Unidos do Mé, Letícia Furtado, logo após a divulgação do resultado. Ao lado do pai, vice-presidente da escola, Adalberto Furtado, que quase não segurou as lágrimas. “Conseguimos!”, gritava, com o troféu em mãos.

A apuração dos votos foi realizada pouco depois das 10h deste domingo, em seguida da chegada das urnas ao Centro de Eventos. Ao todo, 19 jurados, divididos entre arquibancada e pista, avaliaram rigorosamente nove quesitos de cada escola. São eles alegoria, bateria, comissão de frente, evolução, fantasia, tema-enredo, harmonia, mestre-sala e porta-bandeira e, por último, samba-enredo. Três pontos separaram a escola campeã da segunda colocada, a Unidos da Rheinganhtz que, conforme os jurados, ultrapassou dois minutos e 40 segundos no desfile e recebeu punição de menos 0,4 pontos.

A campeã do Grupo Especial do ano passado, Unidos da Capivara, desta vez, levou o bronze. A Nós de Casa desceu uma colocação em comparação ao ano passado, ficando em quarto lugar. A Unidos da P1 ficou na quinta colocação seguida pela Unidos da Zona Oeste, em sexto, último lugar no Grupo Especial – a escola perdeu 50% da nota dos jurados pois estava com 17 componentes a menos. Entretanto, não será desclassificada. Ou melhor, de acordo com o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Lieesa), Chico Santos, nenhuma escola de samba está eliminada.

A manhã também foi de homenagem ao carnavalesco Luiz Porciúncula, e premiou individualmente as categorias através do troféu Estandarte de Ouro. Assim, quase todos saíram ganhando. A Unidos da Rheingantz levou para casa troféu de melhor mestre-sala e porta-bandeira; na categoria bateria quem venceu foi a campeã Unidos do Mé; em harmonia musical, Unidos da Capivara; melhor enredo para Nós de Casa; alegorias e adereços, Unidos do Mé; categoria evolução, Unidos da Capivara; passistas para Unidos da Rheingantz; melhor fantasia, Unidos do Mé; ala das baianas para Nós de Casa; samba-enredo, Unidos da Rheingantz; melhor comissão de frente para Unidos do Mé.

Os desfiles das escolas de samba
Zona Oeste
A primeira entidade carnavalesca a entrar no sambódromo foi a Escola de Samba Unidos da Zona Oeste, do bairro Castelo Branco II. Na noite de sexta-feira, fez estréia entre as principais do município, homenageando as mais diversas manifestações artísticas promovidas pelos seres humanos. A comissão-de-frente trouxe variados estilos de dança, como tango e ballet, que foram apresentados por dançarinos de diversas idades. Merecem destaque a ala aquarela, que representou a pintura e a bateria, simbolizando uma orquestra.

Os três carros alegóricos continham muito brilho, somados ao verde e rosa da escola. No abre-alas, um grande coração. O segundo, ateliê, levou duas celebridades da cidade, o escultor, João Eli, e o poeta, membro da academia Rio-Grandina de letras, José Paulo Nóbrega, que disse: “Foi minha primeira vez, achei maravilhoso desfilar”.

Unidos do Mé
A escola levou uma das mais belas e complexas comissões-de- frente. Interpretando o nrigadeiro José da Silva Paes e soldados portugueses, os integrantes da escola saiam de um barco e descarregavam mantimento numa coreografia entrosada. O tema da escola, Sou Papareia sim senhor, ontem, hoje e sempre, foi percebido em cada alegoria e fantasia que traziam características da cidade.

O carro abre-alas, demonstrando as etnias que compõem o povo rio-grandino e as alas da agricultura e da praia do cassino proporcionou um tom familiar. O Sport Club Rio Grande e os pescadores também foram lembrados nas fantasias da Unidos do Mé.

Acadêmicos da P1
A sociedade Recreativa e Esportiva Acadêmicos da P1 levou o público numa viagem ao Caminho das índias, Taj Mahal. A águia doura do primeiro carro alegórico e segundo carro com uma imagem de Buda e uma flor de lótus representaram a pesquisa de mostrou um pouco do oriente no sambódromo de Rio Grande. Grande destaque para o casal de mestre-sala e porta-bandeira e para as passistas da escola que esbanjaram alegria. A primeira passista, Daiane Amaro, falou que foi ótimo o desfile e que deixaram seu recado.

Unidos da Rheingantz
O povo Caprichoso do Rio Grande apresenta a Festa de Parintins, dançando com a Rheingantz num espetáculo Garantido, o tema já era percebido no abra-alas da escola que tinha a presença dos dois bois bumbas. As fantasias coloridas e ricas em plumas e adereços acrescentaram ao desfile seu caráter especial.

A comissão-de-frente falava sobre chefes guerreiros, as belas fantasias em tons de laranja e vermelho lembravam os festivais e as lendas amazônicas. Duas alas destacavam o Festival de Parintins, a quinta ala era a Torcida Vermelha, do boi garantido. A Torcida azul espalha a energia do boi Caprichoso.

Nós de Casa
O pecado é divinal e o proibido é proibir é o refrão da escola que levou uma inversão de valores, dando outra visão à vaidade, ira, luxúria e outras qualidades entendidas como negativas na moral comum. O primeiro carro alegórico da escola retratava o pecado original. Nele uma grande coroa dourada colocava elementos diferentes na lógica de pecado e redenção.

As fantasias da maior parte das alas eram coloridas, porém os adereços da ala que representava a preguiça merecem destaque. Pijamas, acompanhados de espécies de travesseiros explicitaram a ideia de que a preguiça é boa e traz aconchego. Também chamou a atenção do público ala do sapo e a princesa, os tons de verde das fantasias e as brincadeiras dos componentes alegraram os foliões.

Unidos da Capivara
Homenageando a Festa de São João a campeã de 2013 foi à última escola a desfilar no sambódromo. Logo na comissão-de- frente a coreografia sincronizada e as fantasias imitando fogueiras já traziam a alegria e lembrança das festas juninas. A terceira ala, Casamento Matuto, dava um tom teatral ao espetáculo, onde os noivos, o padre e os convidados eram encenados de forma divertida.

O carro alegórico que representava a cadeia, característica das festas juninas foi bem elaborado. Outras partes da tradicional festa também estiveram presentes no desfile da Unidos da Capivara, a quadrilha, os balões e comidas típicas transformaram o sambódromo em um arraial.


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