Agronegócio

União tecnológica com resultados positivos

Combinação de árvores, gado e pastagens numa mesma área beneficia propriedades rurais no Rio Grande do Sul

20 de Junho de 2022 - 11h11 Corrigir A + A -
Em Vale Verde, o produtor aderiu ao sistema silvipastoril (Foto: Fernando Dias - Seapdr)

Em Vale Verde, o produtor aderiu ao sistema silvipastoril (Foto: Fernando Dias - Seapdr)

Unidades produtivas que têm apostado na integração de pecuária e floresta, com resultados positivos, estão sendo visitadas pela coordenação do Comitê Gestor Estadual do Plano ABC, que se encontra em fase de reativação. A ideia é identificar no Estado propriedades que sirvam de modelo dentro do contexto da Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC) e que possam ter suas experiências replicadas nas diversas regiões produtivas do Rio Grande do Sul.

O engenheiro florestal Jackson Brilhante, do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA) da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), que coordena o comitê gestor, conheceu, nas últimas semanas, sistemas implantados em Bagé e em Vale Verde. Em ambos, os produtores aderiram ao sistema silvipastoril, que é uma opção tecnológica de consórcio de lavoura-pecuária-floresta (consiste na combinação intencional de árvores, pastagens e gado numa mesma área e ao mesmo tempo).

Brilhante explica que os sistemas silvipastoris têm proporcionado novas fontes de renda aos produtores, por causa da madeira, e conforto térmico para os animais, devido à sombra gerada pelas árvores. Além disso, há outros benefícios como melhoria na qualidade do solo e na ciclagem de nutrientes, controle de erosão e aumento da matéria orgânica do solo.

“A inclusão de árvores nos sistemas agropecuários, em especial as de rápido crescimento, como os eucaliptos, potencializa a remoção de dióxido de carbono (CO2) da atmosfera, o que gera um saldo positivo de carbono e evidencia a capacidade desses sistemas para a mitigação de gases de efeito estufa”, destaca o engenheiro florestal.

Harmonia entre campo nativo e a floresta
Em maio, Brilhante visitou uma unidade demonstrativa na Embrapa Pecuária Sul, em Bagé, na região da Campanha, onde se colocou em prática o sistema silvipastoril com eucalipto. Este modelo é acompanhado pelo pesquisador Helio Tonini, da Embrapa Pecuária Sul. Em 2012 iniciou-se um projeto no município com 15 pecuaristas familiares, a fim de propiciar nova experiência aos produtores com a silvicultura no campo nativo. O trabalho contou com financiamento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e foi acompanhado por um conjunto de instituições, entre elas Embrapa e Emater/RS-Ascar.

Tonini conta que a intenção foi desenvolver um sistema que equilibrasse a criação de gado de corte, o campo nativo e o ciclo do eucalipto. Entre 2019 e 2021, em uma segunda fase do projeto, houve coleta de dados sobre a integração desses componentes. Descobriram-se alguns benefícios. Um dos retornos positivos, segundo o pesquisador, refere-se à comercialização da madeira gerada pelo raleio (desbaste) das árvores, acrescentando uma fonte de renda aos produtores.

Mais sombra, menos adoecimento do rebanho
Outra propriedade visitada pelo engenheiro florestal da Seapdr foi a do produtor Marcos André Thiesen, que trabalha com bovinocultura de leite, pastagens e cultivo de tabaco no município de Vale Verde, no Vale do Rio Pardo. O sistema de produção silvipastoril começou a ser implantado em suas terras há quatro anos com ajuda técnica da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), da qual Thiesen é associado.

Eucaliptos foram implantados na propriedade, em pontos estratégicos, para gerar sombra nas áreas em que o gado leiteiro pasteja. O produtor conta que o plantio de árvores poderá gerar ganhos econômicos mais à frente, mas uma das grandes contribuições já notadas é a melhoria da sanidade do rebanho.

“Na minha propriedade tinham poucas árvores, e as vacas acabavam deitando em um único espaço de sombra que existia. Se uma vaca estava doente, transmitia para as outras. Agora, tem mais sombra na área de pastagem e elas se espalham. Aumentou o bem-estar e diminuiu a incidência de mastite”, relata. Com mais conforto térmico, as vacas também consomem mais pasto e, consequentemente, têm mais condições de ampliar a produção.

 


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