Solidariedade

União para ajudar a Leila

Idosa precisa iniciar tratamento urgente e cada caixa do remédio custa cerca de R$ 20 mil

26 de Novembro de 2020 - 08h48 Corrigir A + A -
Diagnóstico: aposentada tem Fibrose Pulmonar Idiopática (Foto: Jô Folha - DP)

Diagnóstico: aposentada tem Fibrose Pulmonar Idiopática (Foto: Jô Folha - DP)

Falta de ar e tosse constantes. Esses sintomas são as novas companhias de Leila Marisa Pereira, 61. A idosa foi diagnosticada com Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI). A solução é só uma: transplante de pulmão. Porém, enquanto aguarda na fila, ela precisa utilizar uma medicação - pirfenidona ou nintedanibe - que custa cerca de R$ 20 mil e não é ofertada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O processo judicial para conseguir o remédio está tramitando, mas não há mais tempo para esperar. Por isso, qualquer quantia pode ser doada através deste link http://vaka.me/1555259.

Os primeiros sintomas começaram a aparecer em meados do ano passado. Entre idas e vindas a médicos e pronto-atendimentos, a aposentada se tratou durante um ano como se tivesse uma pneumonia e inúmeros antibióticos fizeram parte, indevidamente, do tratamento. Em setembro, a sobrinha Carina Feijó assumiu a tia e foi em busca de respostas. Através da Unidade Básica de Saúde (UBS) Py Crespo uma tomografia foi solicitada. Após o resultado do exame, a recomendação foi consultar com um pneumologista urgente. Como não havia tempo para esperar o especialista pelo SUS, a família se uniu e conseguiu pagar uma consulta particular. Veio o diagnóstico e a notícia das medicações e transplante.

Em seguida, os trâmites para ingressar na fila do transplante e conseguir a medicação via Justiça foram iniciados. Carina conta que encaminhou todos os documentos necessários pela Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul (DPE/RS) no dia 20 de outubro, entretanto a solicitação não foi deferida em primeira instância. Segundo ela, a DPE informou que entraria com recurso. Qualquer uma das medicações, que duram 30 dias, têm o mesmo custo e efeito, que é tentar estacionar a doença até o momento do transplante. “Cada dia que passa sem o remédio é pior”, lamenta a sobrinha de Leila. Sobre a cirurgia de transplante, tudo ocorre conforme o esperado. Toda documentação foi enviada para o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) através da UBS Py Crespo e, até o momento, Leila já teve duas consultas e realização de exames no local. A próxima ida à capital é no dia 6 de janeiro.

Para Leila, os últimos meses são de apreensão. Ela relata que atividades simples como um banho e a troca de roupas se tornaram tarefas difíceis, já que não precisa mais que isso para a falta de ar e a tosse se agravarem. Aposentada e ganhando um salário mínimo, a conta para arcar com o tratamento não fecha. “Mas eu tenho fé que vou conseguir”, disse à reportagem, com a voz embargada. Entre a aflição e a ansiedade de iniciar o tratamento correto, a aposentada só deseja uma qualidade de vida melhor daqui para frente.

O que diz a DPE/RS?

A defensora pública Eleonora Mascarenhas Mendonça Caldeira conta que o processo iniciou no dia 29 de outubro e corre na 6ª Vara Cível do Foro de Pelotas. No dia 3 de novembro, o juiz Luís Antônio Saud Teles solicitou um parecer ao Núcleo de Apoio Técnico ao Judiciário (NATJUS) e um laudo da doença assinado por um médico do SUS. A DPE/RS atendeu o pedido e solicitou uma antecipação de tutela. Dessa forma, o medicamento deveria ser concedido imediatamente.

No último dia 17, o juiz indeferiu a antecipação de tutela, pois o parecer do NATJUS não foi favorável. No mesmo momento o recurso começou a ser construído e deve ser enviado até o final desta semana. Eleonora fala que esperava que a antecipação de tutela fosse concedida, mas garante que a Defensoria está fazendo tudo que está ao alcance. “É ruim ter um parecer contrário, mas temos dois laudos de médicos que a examinaram presencialmente e isso pode nos ajudar”.

O que é Fibrose Pulmonar Idiopática?

Trata-se de uma doença crônica, grave e rara que tem diagnóstico prejudicado pelos sintomas, muito comuns a outras doenças. A FPI é caracterizada pelo surgimento de fibroses, ou seja, cicatrizes nos pulmões. Os tecidos pulmonares ficam rígidos e, à medida em que perdem a elasticidade, a respiração se torna mais difícil. O resultado é uma deficiência respiratória progressiva, que piora em períodos curtos de tempo.


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