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Uma esquina cheia de amor

Casal vende água no cruzamento da Bento Gonçalves com Andrade Neves para realizar o sonho do casamento

15 de Fevereiro de 2020 - 10h35 Corrigir A + A -
Ana Paula e Mário estão todas as tardes no local (Foto: Paulo Rossi - DP)

Ana Paula e Mário estão todas as tardes no local (Foto: Paulo Rossi - DP)

Vai uma água aí? Vendas podem ajudar o casal a realizar um sonho (Foto: Paulo Rossi - DP)

Vai uma água aí? Vendas podem ajudar o casal a realizar um sonho (Foto: Paulo Rossi - DP)

É na esquina da avenida Bento Gonçalves com o parque Dom Antônio Zattera que Ana Paula e Mário escrevem mais um capítulo de uma longa história de amor. O casal está aproveitando as altas temperaturas para vender água no semáforo, e a comercialização do produto tem um objetivo: realizar o tão sonhado casamento.

A história começou em 2010, quando, através de um grupo jovem da igreja, se conheceram e começaram a namorar. Em 2014 o relacionamento acabou, mas o casal garante que o amor seguiu. Foi então, em agosto do ano passado, que houve o reencontro e o desejo antigo de viver o matrimônio reacendeu. A vontade de proporcionar uma confraternização aos amigos e família é o maior desejo deles, por isso foi necessário pensar em alternativas para juntar o dinheiro necessário. A ideia foi inspirada em um casal de amigos que também apelou para as vendas no semáforo e conseguiu realizar o sonho de subir no altar.

Ana Paula é técnica em enfermagem, mas na parte da manhã trabalha como babá; Mário é fotógrafo de eventos, então não há uma rotina de trabalho definida. Ele conta que não oferece apenas água, mas sim conversa a cada condutor e conta o seu sonho. E a técnica tem dado resultado e também boas risadas. “As piadas do ‘não faz isso’ e ‘corre’, a gente escuta direto”, brinca. Mas também há os eternos apaixonados que muitas vezes contribuem com uma quantia maior ou nem levam o produto para casa, ajudam pelo gosto de contribuir com o sonho de quem acredita no amor. A dupla cobra R$ 3,00 por garrafinha e o objetivo é sempre vender dois fardos por dia. “Tem dias que a gente consegue bem mais e isso nos deixa muito felizes”, conta Ana.

A esquina central foi escolhida pelo fluxo intenso de carros e desde o final de janeiro os dois se encontram ali, diariamente, a partir das 14h. Ele mora no Fragata, se desloca de ônibus até o local e fica encarregado de levar as bebidas e o gelo. Ela é moradora da Vila Princesa e também necessita do transporte público para se locomover. Os futuros noivos pretendem arrecadar R$ 2 mil. Essa quantia será destinada à festa, que ocorrerá em maio. Caso a arrecadação ultrapasse a meta, o restante será investido em outro sonho: morar em Florianópolis. “Estamos decididos do que queremos”, frisam.

Esses sonhos são apenas alguns da lista imensa que o casal carrega. O intitulado por eles como “sonho final” é conseguir montar um estúdio fotográfico para o Mário, com todos os equipamentos necessários para conseguir oferecer um bom serviço a todos que o contratarem. Também faz parte dessa meta a construção de um lar para idosos. Lá, a Ana Paula poderá desempenhar o seu amor pela enfermagem e cuidar de quem mais precisa. Tudo isso já tem um cenário escolhido: a Ilha da Magia.

Para os que acreditam no amor e têm prazer em auxiliar quem sonha com ele, o casal deixa um recado: “Motoristas, passageiros e pedestres que passarem por aqui e quiserem nos ajudar, estaremos agradecidos”. E para não esquecer, a esquina que atualmente esbanja amor é a da Bento Gonçalves com o parque Dom Antônio Zattera.


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