Covid-19

Uma cápsula para a Pelotas do futuro

Caixa que será aberta em 2071 contará a história da pandemia na cidade através de objetos e jornais

22 de Junho de 2021 - 20h03 Corrigir A + A -
Itens ficarão em caixa selada em uma das paredes do hospital. (Foto: Jô Folha - DP)

Itens ficarão em caixa selada em uma das paredes do hospital. (Foto: Jô Folha - DP)

A pandemia da Covid-19 mudou realidades, levou famílias ao luto, exercitou a solidariedade, mas principalmente, mostrou a importância daqueles que fazem os hospitais estarem todos os dias de portas abertas com o objetivo de salvar vidas. No último dia 20, a Santa Casa de Misericórdia de Pelotas, uma das protagonistas nessa história que ainda está sendo escrita, completou 174 anos. Com o foco no presente, a instituição inaugurou ontem um novo Centro Clínico para atender a população. Já pensando no futuro, uma cápsula com símbolos de todo o trabalho realizado durante os últimos dois anos foi selada. Um registro a ser aberto somente daqui a 50 anos.

A frase “O ano em que o mundo parou” pode remeter a um filme de ficção, mas o nome da cápsula do tempo registra o momento atual. Para não deixar a história ser esquecida, o material foi selado ontem em cerimônia em alusão ao aniversário do hospital. Dentro da caixa, itens que representam o esforço de médicos e enfermeiros em salvar vidas afetadas pela Covid-19. Tudo depositado em uma das paredes principais da Santa Casa.

Na cápsula foram armazenados frascos de vacinas, máscaras utilizadas pelos profissionais, frascos de Ivermectina, Zinco Quelado e Vitamina D (itens do chamado de “kit Covid”, sem comprovação científica no tratamento precoce da doença), registros fotográficos de momentos importantes, informativos institucionais, exemplares de jornais locais - incluindo alguns do Diário Popular - noticiando a chegada do vírus no Brasil e em Pelotas, um pen drive com vídeos do primeiro enfermo e um relato histórico para que os colaboradores em 2071 possam entender melhor como ocorreu o início da pandemia até o momento.

Homenagem e ensinamentos
Durante a cerimonia, a curadora do memorial da Santa Casa, Beatriz Montoito, relembrou a morte de dois profissionais da instituição em decorrência do coronavírus: o médico traumatologista José Raymundo e a técnica de enfermagem Patrícia Zoia da Silva. “O material que foi selado na urna perpetuará a história de como o Sars-Cov-2 afetou a nossa rotina diária, quer nos nossos lares, quer no nosso trabalho. O selamento dessa urna, a qual denominamos cápsula do tempo, revelará para as gerações futuras como se deu a doença, sobretudo dentro da nossa instituição, seus objetos serão testemunhos vivos dessa história”, destacou.

Em tratamento da Covid-19, o atual provedor, Maurício Alberto Goldbaum, não participou do ato. Segundo o vice-provedor, Ubirajara Terra, seu estado de saúde é estável. Em conversa com a reportagem, Terra afirmou que a pandemia trouxe um ensinamento a todos, sejam profissionais de saúde ou não. “O vírus não escolhe ninguém, então todos nós estamos propensos a ter essa doença. A Santa Casa como uma instituição de portas abertas para a comunidade atende todas as pessoas que nos procuram, as nossas UTIs estão praticamente sempre lotadas e estamos tentando dar o melhor atendimento a todos e trabalhando no sentido de minimizar a dor e fazer com que elas retomem o convívio com saúde plena e recuperada.”

Dentre as autoridades convidadas, a secretária de Saúde Roberta Paganini exaltou a importância do hospital para a cidade e a região, uma vez que Pelotas é polo de referência para mais de 20 cidades. “Todos nós sabemos o esforço, mais do que redobrado, do enfrentamento dessa pandemia que estamos vivendo, tenho a tarefa da gestão municipal na área da saúde e me honra muito poder estar comemorando os 174 anos da Santa Casa, mas mais do que isso poder agradecer todo apoio que a instituição deu no enfrentamento à pandemia. Foram fundamentais para que todos pudessem passar dia após dia nesse momento tão difícil”.

Centro Clínico
Localizado ao lado da entrada principal do hospital, pela rua General Neto, o novo Centro Clínico foi inaugurado durante a celebração do aniversário pelo ex-provedor João Francisco Neves da Silva. Devido à necessidade de ampliar receitas e melhorar o fluxo de caixa, o projeto do novo local já havia passado por processo de experiência nos últimos anos. Com a consolidação, foi procurado novo local, mais amplo. “O que nós estamos realizando hoje é uma amostra de que a Santa Casa após 174 anos continua se modernizando e se atualizando para o bem comum de nossa comunidade”, comentou Silva.

O novo local conta com seis consultórios, duas salas de observação - para casos onde o paciente necessite de medicação e pós operatório - sala própria para serviços ginecológicos e de fisioterapia, além de um bloco cirúrgico para procedimentos ambulatoriais e uma sala de curativos e gesso. O vice-provedor afirma que a Santa Casa passará a servir como retaguarda, caso seja necessária internação. “Teremos condições de oferecer para a população um centro de excelência de atendimento onde as pessoas poderão procurar as diversas especialidades e isso é importante para que tenhamos qualificação dos serviços médicos profissionais que vamos oferecer”, ressaltou.


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