Ação

Uma amostra para a vida toda

Campanha no município de São Lourenço do Sul na próxima sexta-feira realizará cadastros de doadores de medula óssea

04 de Dezembro de 2019 - 11h43 Corrigir A + A -
Amanda. Jovem de 24 anos pode ser uma das beneficiadas. (Foto: Divulgação - DP)

Amanda. Jovem de 24 anos pode ser uma das beneficiadas. (Foto: Divulgação - DP)

Na próxima sexta-feira (6) a equipe do Hemopel estará em São Lourenço do Sul para realizar o cadastro de doadores de medula óssea no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), coordenado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca). Na ocasião, haverá o registro de até cem cadastros, das 9h às 11h. A atividade faz parte do Dia Municipal de Mobilização para Cadastro de Doadores de Medula Óssea. A data foi instituída por lei municipal de autoria da vereadora lourenciana Carmem Rosane. A primeira ação ocorreu em 2015 e, deste então, é realizada anualmente. Em 2016, a lei foi rebatizada com o nome de Leandro da Silva Vargas, um jovem que realizou o cadastro na primeira edição e faleceu no ano seguinte, vítima de leucemia. “Ajudar e ser solidário com quem está doente é uma escolha e um dever”, afirma Carmem.

“É um procedimento simples, mas de extrema importância”, explica a coordenadora do Hemopel, Gisele Pinto. O procedimento consiste na coleta de uma amostra de 5 ml de sangue, que passará por testes. Em seguida, é cadastrada no Redome, juntamente com os dados do doador. Gisele lembra que a chance de encontrar um doador é de um em cada cem mil pessoas. Por isso, é preciso que a pessoa tenha consciência do processo, e que esteja disposta quando for contatada. “Muitas pessoas realizam o cadastro mas, quando contatadas, decidem não realizar a doação”, afirma.

Os dados dos doadores são comparados com os dos pacientes cadastrados no Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea (Rereme), em busca de compatibilização. O cruzamento dos dados é feito no momento do cadastro e também durante todos os dias. Em caso de compatibilidade, o candidato a doador será consultado para confirmar a doação a partir dos dados fornecidos. Por isso, é importante que o cadastro seja mantido atualizado. Em caso de resposta positiva, o doador passará por exames laboratoriais e avaliação clínica, até estar apto a doar. Dados do Ministério da Saúde mostram que em 2018 foram realizados 2.877 transplantes de medula óssea no país. São Paulo lidera com 1.170. No Rio Grande do Sul, foram 246 procedimentos deste tipo.

Contribuição no tratamento de 80 doenças
Segundo o Redome, o ato de efetuar o cadastro como doador pode ajudar no tratamento de mais de 80 doenças em pessoas de diferentes faixas etárias. Uma dessas pessoas pode ser a jovem Amanda Morais, de 24 anos. A estudante conta que procurou o Sistema Único de Saúde (SUS) após sentir sintomas como fraqueza e tonturas. Após passar por exames como hemograma, foi indicada a realização de uma biópsia na medula, que diagnosticou, em agosto, Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA). Desde então, Amanda precisou interromper o 10º semestre do curso de Engenharia Geológica da UFPel para passar por quimioterapia. Uma consulta em janeiro irá avaliar se a jovem respondeu ao tratamento ou se precisará realizar um transplante de medula. Ela afirma não saber quando irá retomar o ritmo normal, nem quando poderá frequentar novamente as aulas da faculdade. “Há muitas incertezas no tratamento, tudo muda na vida.”

No último sábado, a estudante fez uma publicação em uma rede social contando a sua história e mobilizando parentes e amigos para realizarem o cadastro e ser tornarem doadores. “Eu posso não precisar, mas tem muitas pessoas que precisam”, relata a jovem. Até outubro deste ano, 5.016.433 doadores estavam cadastrados no Redome, com uma média de 850 pacientes esperando por um doador não aparentado, que são os que não fazem parte do círculo familiar. Dessa forma, para 75% dos pacientes, é necessário encontrar uma pessoa não conhecida para ser doador, como é o caso de Amanda.

Região Sul é a segunda com mais doadores
A Região Sul é a segunda com o maior número de doadores, 1.073.589, atrás da Sudeste, com 2.209.443. No Rio Grande do Sul, 350.817 pessoas estão cadastradas na base de dados coordenada pelo Inca. Entre os doadores, a maioria é do sexo feminino, com 2.850.691, com os masculinos representando 2.165.472 do total de cadastrados no país. O número total de cadastrados vem crescendo ao longo dos anos. Em 2009, era de 1.370.970 e neste ano, 5.016.433. No entanto, o número de novos doadores vem oscilando. Em 2017, foram 284.029 e em 2018, cerca de 289 mil. Até outubro deste ano, foram registrados 232.175, sendo 12.499 no Rio Grande do Sul. Amanda ressalta ser essencial que novos doadores sejam cadastrados, pois podem representar a chance dos receptores realizarem o transplante de medula. “Com novos doadores, aumentam a chances de alguém encontrar um doador”, destaca.

Como realizar o cadastro?
No RS, 11 Hemocentros realizam o cadastro dos doadores, nas cidades de Alegrete, Caxias do Sul, Cruz Alta, Palmeira das Missões, Passo Fundo, Porto Alegre, Santa Rosa e Santa Maria. A lista completa, com os endereços, pode ser acessada em: http://redome.inca.gov.br/doador/onde-e-feito-o-cadastro-de-doador/
Em Pelotas, o Hemopel realiza o procedimento de segunda a sexta, das 8h às 18h. É necessário levar o documento de identidade e estar dentro dos requisitos necessários. O endereço é avenida Bento Goncalves, 4569.

Para se tornar doador é necessário
►Ter entre 18 e 55 anos de idade
►Estar em bom estado geral de saúde
►Não ter doença infecciosa ou incapacitante
►Não apresentar doença neoplásica (câncer), hematológica (do sangue) ou do sistema imunológico
►Algumas complicações de saúde não são impeditivas para doação, sendo analisado caso a caso

*Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea


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