Saúde

Um estímulo à mente e ao corpo

Equoterapia completa 25 anos para crianças e adultos com deficiência ou alguma doença neurológica

30 de Julho de 2021 - 16h51 Corrigir A + A -
Localizado dentro da Associação Rural, o local atende crianças e adultos com deficiência ou com alguma doença neurológica (Foto: Jô Folha - DP)

Localizado dentro da Associação Rural, o local atende crianças e adultos com deficiência ou com alguma doença neurológica (Foto: Jô Folha - DP)

Por: Vitória Leitzke

Sendo uma terapia ao ar livre e com a criação de vínculo entre animal e humano, a equoterapia é uma alternativa para tempos de distanciamento controlado. Em Pelotas, um dos centros mais antigos do Rio Grande do Sul, o Centro de Equoterapia Parceiros e Apae completa 25 anos de atuação. Localizado dentro da Associação Rural, o local atende crianças e adultos com deficiência ou com alguma doença neurológica e contribui na inclusão social dos pacientes.

Segundo o coordenador do Centro, Ciro Sena, a terapia iniciou na cidade através de um grupo de funcionários da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), que em 1996 realizou cursos básico e avançado de formação em equoterapia. "Neste mesmo ano, a Associação Rural de Pelotas cedeu um espaço para a Apae, onde até hoje trabalhamos", afirma.

Atuando no local há 14 anos, Sena diz que nos primeiros quatro anos as sessões eram realizadas no campo, até que no ano 2000, através de uma doação, foi possível construir um prédio para trazer melhorias ao atendimento. Além do galpão onde fica os cavalos, a estrutura conta hoje com dois banheiros e uma sala de reuniões.

"Nesse primeiro momento, o Centro só atendia crianças oriundas da Apae, então os atendimentos eram feitos por uma equipe, sendo um braço dos serviços da associação. A partir de setembro de 2019, após uma intervenção na Apae, o Centro deixou de ser exclusivo e foi renomeado para Centro de Equoterapia Parceiros e Apae", destaca o coordenador do local, onde hoje também são atendidos pacientes particulares.

A equoterapia durante a pandemia

Sena, que também é fisioterapeuta, conta que, devido à Covid-19, o serviço ficou temporariamente parado por três meses, mas, de acordo com ele, aos poucos os atendimentos foram sendo retomados com alunos sem complicações respiratórias.

"A equoterapia, dentro dessa pandemia, é um recurso que traz uma diversidade de alternativas, pois é num ambiente aberto, que consegue atender com certo distanciamento, porque o paciente, que chamamos de praticante, vai no cavalo e o terapeuta vai acompanhando ao lado. Em algum momento pode até ocorrer uma montaria dupla, mas com todos os cuidados possíveis", ressalta o profissional.

Levando o filho para a terceira sessão, a esteticista canina Daiane Domingues viu na equoterapia um complemento no tratamento de Luís Otávio, que já realiza terapia convencional e tem acompanhamento com fonoaudióloga, psicóloga e terapeuta ocupacional. "A médica que acompanha ele me indicou o Centro e como eu queria um auxílio a mais para ele, resolvi trazê-lo", comenta.

"Está sendo bem legal, ele gosta bastante, fica mais calmo depois que sai daqui. Está tendo um bom resultado já. Ele não é muito chegado a cachorro e gato, mas com cavalo ele se adapta bem, faz carinho, gosta. Segundo a médica, essa é a terapia que está trazendo mais resultado. É tudo lento, mas a gente sempre aposta em tudo", comemora Daiane.

Sobre a equoterapia

A equoterapia - equiterapia ou hipoterapia - é uma terapia com cavalos que estimula o desenvolvimento da mente e do corpo. Ela serve como um complemento de outros tratamentos para pessoas com deficiência ou com alguma doença neurológica. A terapia deve ser sempre feita com um profissional capacitado, como fisioterapeuta especializado, psicomotricista ou fonoaudiólogo, e em um ambiente adequado e especializado, com cavalos mansos, dóceis e bem treinados.

As sessões podem ser realizadas uma vez por semana e podem ser frequentadas por pessoas de qualquer idade. Os principais benefícios são desenvolvimento do afeto, estímulo da sensibilidade tátil, visual e auditiva e um melhor desenvolvimento da coordenação motora e percepção dos movimentos.


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