Estudo

UFPel participa de pesquisa que aponta fracasso na gestão da saúde em países da América Latina

Fracasso na gestão de saúde em Brasil e México, dois epicentros da pandemia, foi pauta do artigo publicado na revista The Lancet Regional Health

13 de Outubro de 2021 - 18h56 Corrigir A + A -

Por: Redação
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O novo conceito refere-se à postura de líderes nacionais que abdicam da responsabilidade ou desviam a tomada de decisões sobre sistemas de saúde (Foto: Jô Folha - DP)

O novo conceito refere-se à postura de líderes nacionais que abdicam da responsabilidade ou desviam a tomada de decisões sobre sistemas de saúde (Foto: Jô Folha - DP)

A revista científica The Lancet Regional Health – Americas publicou um artigo científico no qual os autores apresentam e aplicam o conceito de Punt Politics para avaliar as medidas de contenção da Covid-19 em dois epicentros da pandemia: Brasil e México. O novo conceito refere-se à postura de líderes nacionais que abdicam da responsabilidade ou desviam a tomada de decisões sobre sistemas de saúde para entidades estaduais ou locais sem oferecer coordenação federal e suporte em evidências científicas.

Os presidentes de ambos os países são populistas e têm desrespeitado publicamente a ciência. Defensores de políticas descentralizadas, esses governantes contribuíram em grande medida para elevadas taxas de morbidade e mortalidade por Covid-19 em seus países – Brasil e México – com graves consequências para a saúde das populações e das economias nacionais. O populismo tende a manipular e trazer tais políticas à arena pública, seja de direita ou de esquerda.

Além de uma resposta tardia à Covid-19, estes são casos em que os governos nacionais deixaram nas mãos de governadores e líderes subnacionais a responsabilidade de implementar medidas não-farmacológicas que exigiriam uma gestão centralizada e baseada em evidências científicas.

Punt Politics, aplicada no Brasil e no México, não se caracteriza apenas pela fragmentação das respostas frente à pandemia. A falta de testagem em larga escala da população e de rastreamento de contatos também enfraqueceu a capacidade de planejamento adequado dos países no combate à disseminação do vírus.

O artigo observa que ambos os presidentes agiram contra recomendações internacionais, confundindo as populações sobre como proteger a saúde, e argumenta que os exemplos negativos de Brasil e México podem servir para que outros países evitem erros semelhantes, especialmente neste momento em que está em curso a vacinação contra a COVID-19.

Governos estaduais e locais desempenham funções importantes na luta contra uma emergência sanitária, mas não podem substituir a liderança nacional. Os autores reforçam que uma abordagem proativa e preparada para o enfrentamento de pandemias deve ser coordenada, baseada em evidências e orientada pela ciência.

Artigo original Punt Politics as Failure of Health System Stewardship: Evidence from the COVID-19 Pandemic Response in Brazil and Mexico disponível em https://www.thelancet.com/journals/lanam/article/PIIS2667-193X(21)00082-X/fulltext.

Autores

Felicia Marie KnaulInstituto de Estudos Avançados para as Américas, Departamento de Ciências de Saúde Pública, Escola de Medicina Miller, Universidade de Miami; Fundação Mexicana para a Saúde; Tómatelo a Pecho, A.C.

Michael TouchtonDepartamento de Ciências Políticas, Instituto de Estudos Avançados para as Américas, Universidade de Miami.

Héctor Arreola OrnelasInstituto de Estudos Avançados para as Américas, Universidade de Miami; Fundação Mexicana para a Saúde; Tómatelo a Pecho, A.C.

Rifat AtunDepartamento de Saúde e População Global, Escola de Saúde Pública, T H Chan Universidade de Harvard.

Renzo JC Calderón AnyosaInstituto de Estudos Avançados para as Américas, Universidade de Miami; Escola de Saúde Pública, Universidade Peruana Cayetano Heredia; Departamento de Epidemiologia, Bioestatística e Saúde Ocupacional, Universidade McGill.

Julio FrenkUniversidade de Miami.

Adolfo Martínez-ValleInstituto de Estudos Avançados para as Américas, Universidade de Miami; Centro de Investigação de Políticas, População e Saúde, Universidade Nacional Autônoma do México.

Tim McDonaldInstituto de Estudos Avançados para as Américas, Universidade de Miami; RAND Corporation.

Thalia PortenyDepartamento de Saúde Comunitária e Terapia Ocupacional, Universidade Tufts.

Mariano Sánchez TalanquerDivisão de Ciências Políticas, Colégio de México.

Cesar VictoraUniversidade Federal de Pelotas, Brasil.

 


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