Salário

Trabalhadores da ETA São Gonçalo apontam atrasos

Remunerações referentes a dois meses de trabalho e férias estão pendentes para os funcionários, que citam dificuldades

01 de Junho de 2020 - 12h40 Corrigir A + A -
Prejuízo.  Obra estratégica para a cidade está parada (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Prejuízo. Obra estratégica para a cidade está parada (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Em dia.  O Sanep garante que não existem pendências com a empresa. (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Em dia. O Sanep garante que não existem pendências com a empresa. (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Por Daniel Batista - daniel.batista@diariopopular.com.br
(Estagiário sob supervisão de Débora Borba)

Trabalhadores da Enfil Controle Ambiental S.A. Controle Ambiental que atuam nas obras de construção da Estação de Tratamento de Água (ETA) São Gonçalo afirmam que estão há dois meses sem receber salários, além da remuneração de férias no período, o que vêm causando dificuldades financeiras. O diretor-presidente do Sanep afirma que a autarquia realizou todos os repasses à empresa contratada para a execução da obra, responsável pelo pagamento das remunerações.

O mecânico Paulo Corrêa, 44 anos, afirma que as obras estavam em ritmo lento desde janeiro pela falta de materiais, equipamentos e profissionais no local, que contava com 11 pessoas entre mecânico, carpinteiro, pedreiro, ferreiro, encarregado, além de uma faxineira e trabalhadores da área administrativa. Os dois meses sem remuneração, relata, fazem falta e, no momento, a renda da família vem sendo composta pela salário da esposa e do auxílio de familiares. “Se não fosse ela, meu deus do céu, íamos passar fome”. Segundo os trabalhadores, as obras no local estão paralisadas desde março por conta da pandemia.

“É um descaso”, resume Danilo Dias, 31 anos, carpinteiro que trabalha desde 2018 nas obras da ETA. Pai de três crianças, uma de 11 anos, outra de seis anos e um bebê de cinco meses, ele afirma que o salário da esposa vinha auxiliando nas despesas da casa, mas ela foi demitida no início de maio. “No próximo mês nem é bom pensar”, afirma Dias. Segundo ele, a resposta obtida em contatos com a empresa é de que está sendo realizada a busca por recursos.

Sanep alega responsabilidade da Enfil
Conforme o diretor-presidente do Sanep, Alexandre Garcia, não há pendências em relação aos pagamentos da autarquia com a empresa. “Pelo contrário, o Sanep já pagou toda a sua parte da obra”, garante. Com isso, a questão referente ao salário dos trabalhadores seria de responsabilidade da Enfil. Por conta da pandemia, as obras estão paralisadas desde meados de março, em razão do corpo técnico da Enfil estar em São Paulo, sede da empresa. De janeiro a março, lembra, as obras estavam em andamento, mas em ritmo insatisfatório, de modo que foi aplicada uma notificação à empresa. Cerca de 80% já estão concluídas. Seguem pendentes partes da estação de bombeamento de água bruta, a parte elétrica e a referente à instrumentação, relativa a equipamentos de laboratório, sistemas de bombeamento, válvulas e controle, por exemplo. Por conta da paralisação, destaca Garcia, é difícil prever quando a obra será concluída. No entanto, a expectativa, em ritmo normal, é do término em oito meses.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Industrias da Construção e do Mobiliário de Pelotas, Dario dos Santos, afirmou que a representação vem tentando contato com a Enfil, mas que ainda não houve retorno. “Nós estamos atrás de uma condição de pagamento”, afirma. O Diário Popular buscou contato com a empresa, mas não houve resposta da Enfil até o fechamento desta edição.


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