Cotidiano

Todos saem prejudicados

20% das escolas da rede estadual em Pelotas sofrem com a falta de professores

10 de Outubro de 2019 - 21h27 Corrigir A + A -
No Assis Brasil há carência de profissionais para as séries iniciais (Foto: Infocenter DP)

No Assis Brasil há carência de profissionais para as séries iniciais (Foto: Infocenter DP)

A dois meses de encerrar o calendário letivo, funcionários, alunos e responsáveis passam por dificuldades por conta da falta de professores que assumam turmas em 11 das 55 escolas da rede estadual de Pelotas. Nos locais, a coordenação tenta suprir o déficit no quadro com períodos paralelos - quando um professor dá aula para duas turmas simultaneamente - e com a liberação adiantada dos alunos. O problema vai além dos muros dos educandários e respinga nas famílias, que precisam se desdobrar para cuidar das crianças que deveriam estar dentro da sala de aula.

"A escola funciona até 17h25min para todos os outros. Por que o meu filho que não tem aula?", questiona Janice Islabão, 28, mãe do Victor Gustavo, de 8 anos, aluno do 3º ano do Ensino Fundamental da Escola Estadual de Ensino Fundamental Nossa Senhora dos Navegantes. Em julho, a professora titular da turma entrou de licença-saúde por cinco dias. Depois, a situação ficou mais complicada: as férias do meio do ano chegaram e após o recesso a professora entrou novamente de atestado. Por meio de saída médica aprovada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a educadora teve aprovação da licença até o final do ano. Segundo a coordenadora de Recursos Humanos da 5ª Coordenadoria Regional de Educação (5ª CRE), Simone Vareira, a profissional foi dispensada da rede e, assim, foi possível buscar uma substituta para assumir as duas turmas que lecionava.

A diretora da escola, Gierta Castro, explica que uma das dificuldades para encontrar o docente substituto foi o consequente atraso no calendário. "A professora que entrar vai acabar não tendo as férias (junto dos demais)", ressaltou. Enquanto isso, as famílias dos alunos das duas turmas de Ensino Fundamental aguardam um novo profissional. A preocupação de Janice é também com as aulas atrasadas. "Vai chegar dezembro, com calorão, e eles vão estar na escola", frisou a mãe. A 5ª CRE salienta que uma nova profissional para o cargo visita a escola hoje e deve assumir as turmas na próxima semana.

Problema sentido diariamente
O quadro de professores da rede estadual é inconstante, durante o ano letivo muitos entram de licença-saúde e outros encaminham pedidos de aposentadorias. Nas 11 escolas da rede com falta de profissionais, as disciplinas com maior déficit são Língua Portuguesa e Educação Física. A Escola Estadual de Ensino Médio Nossa Senhora de Lourdes passa pelo problema. Durante o período da tarde, cerca de 120 alunos estão há dois meses sem um educador de Língua Portuguesa. Assim sendo, nos dias em que os períodos paralelos não são possíveis, as turmas são liberadas antes do horário previsto para o término das aulas. "É uma maratona para tentar acomodar o horário", afirma a diretora, Ana Cristina Krause.

Além disso, a escola está com o calendário letivo atrasado em relação às demais da rede. A greve de professores de 2017 é o principal motivo, além das paralisações - movimentos realizados por conta do atraso no salário dos professores da rede estadual, que já se estende há cinco anos. "Nós somos sempre a última escola a fechar", explicou a diretora.

O ano letivo não pode ser fechado sem que as turmas tenham aula com os professores ainda faltosos. A carga horária das disciplinas é baixa - a maior parte são de dez horas de regime de trabalho semanal -, por isso os profissionais da rede, até mesmo das próprias escolas em que ocorre a falta, podem assumir as turmas. Apesar do pouco número de horas por semana, o problema afeta a rotina dos professores e alunos. "Sempre gera um transtorno", lembra a coordenadora de RH da 5ª CRE

Ela explica que, caso não sejam encaminhados professores suficientes, uma das saídas é juntar as disciplinas. O professor de Língua Portuguesa, por exemplo, pode acabar assumindo as turmas em que faltam profissionais para dar aulas nas disciplinas de Língua Espanhola e Ensino Religioso. O mesmo pode ocorrer com Ciências da Natureza e Biologia. Simone garante que os profissionais para cada uma das turmas estão sendo buscados, a fim de sanar os problemas.

Confira o quadro das escolas com falta de professor*

Escola Estadual de Ensino Fundamental Arco-Íris (professor das séries iniciais)
Instituto Estadual de Educação Assis Brasil (professor das séries iniciais)**
Escola Estadual de Ensino Fundamental Nossa Senhora dos Navegantes (professor das séries iniciais)***
Escola Estadual de Ensino Fundamental Professor Luiz Carlos Corrêa da Silva (professor de Língua Espanhola)
Escola Estadual Ensino Fundamental São Vicente de Paulo (professor de Educação Física)
Escola Estadual Ensino Fundamental Doutor Franklin Olivé Leite (professor de Ciências Biológicas)
Escola Estadual de Ensino Médio Nossa Senhora de Lourdes (professor de Língua Portuguesa)
Escola Estadual de Ensino Médio Monsenhor Queiroz (professor de Física)
Escola Estadual Ensino Médio Santa Rita (professor de Educação Física)
Escola Estadual de Ensino Médio Coronel Pedro Osório (professor de Biologia)
Colégio Estadual Felix Da Cunha (professor de Ensino Religioso)

O levantamento foi enviado na última semana à Secretaria Estadual de Educação (Seduc), que organiza os calendários letivos de 2020

** A 5ª CRE assegura que um profissional deve assumir as turmas em breve
*** A 5ª CRE assegura que um profissional inicia os trabalhos na escola na próxima semana

 


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