Exemplo

Tempo de viver e de sonhar na praia

ONG Anjos e Querubins levará crianças e jovens para temporada de verão visando manter vínculos

13 de Janeiro de 2022 - 15h59 Corrigir A + A -
Iniciativa busca oferecer atividades que evitem afastamento de jovens do projeto durante as férias (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Iniciativa busca oferecer atividades que evitem afastamento de jovens do projeto durante as férias (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Por: Gabriela Borges
web@diariopopular.com.br

Proporcionar um período de descanso, cultura e lazer na praia para integrantes da ONG Anjos e Querubins era um desejo antigo de Ben Hur Flores, presidente da instituição que atua há 20 anos em Pelotas. Depois de tentativas frustradas em temporadas anteriores, finalmente neste verão isso vai se concretizar. Com a ajuda de parceiros e a realização de uma rifa de um notebook doado, a ONG arrecadou fundos para que 21 crianças e jovens dos bairros Getúlio Vargas e Pestano, com idades entre seis e 23 anos, tenham a oportunidade de passar 20 dias em uma casa no Balneário dos Prazeres, a partir do dia 25 de janeiro, acompanhados de quatro monitores.

Ao oferecer tempo para a diversão e o fortalecimento de vínculos, a locação da casa de praia cumpre objetivo estratégico: impedir que jovens se afastem do projeto social e se aproximem de drogas e contextos de violência. “Geralmente, quando a gente perde algum moleque é nesse período. Por isso, fizemos o esforço de oferecer esse espaço de lazer”, destaca.

A previsão é que, na praia, a programação conte com trilhas, atividades físicas e culturais e rodas de conversa sobre temas sociais, como o avanço dos casos de feminicídio no município e o respeito às populações indígenas. Além, claro, de atividades de percussão, o carro-chefe da instituição. Também está programada uma visita do boliviano Fabrizio Adrian Vasquez Perez para marcar o início das atividades com uma atração musical.

O presidente explica que o período compartilhado também será importante para a preparação das próximas apresentações. Caso ocorram as festas de Iemanjá e Nossa Senhora dos Navegantes, nos primeiros dias de fevereiro, a Anjos e Querubins se apresentará. O grupo também concorre em edital da Secretaria de Cultura (Secult).

Custeio do período

Com o aluguel pago, a preocupação atual é garantir a alimentação dos jovens. Até o momento, a ONG dispõe somente de R$ 1,4 mil para custear as despesas, valor insuficiente para fornecer quatro refeições diárias. Dessa forma, doações da comunidade estão sendo aceitas, assim como parcerias com empresas locais. Doações de brinquedos de praia, como bolas e baldes de areia, também são bem-vindos.

Laços que ultrapassam gerações

O impacto da Anjos e Querubins na trajetória dos moradores dos bairros Getúlio Vargas e Pestano é reafirmado quando ex-integrantes estimulam a participação de seus filhos. Larissa Bueno Rosca, 25, foi integrante da ONG. Atualmente, é mãe de Sophia, estudante de nove anos que integra o projeto social e irá para o Balneário dos Prazeres.

Segundo Larissa, as atividades realizadas ocupam as crianças, tirando-as da rua. “Tenho duas irmãs que também participaram e afirmo que foi uma fase muito boa nas nossas vidas. Construímos laços de amizade. Nos tornamos uma grande família. E hoje ver minha filha participando também é muito gratificante, ver que ela está seguindo um bom caminho e criando laços assim como eu.”

Já a monitora Jaci Santos, 26, percussionista e vocalista da Anjos e Querubins desde 2016, leva agora o seu filho Joseph para os ensaios do grupo. Com apenas dois anos, ele já toca surdo. “Em dois anos de pandemia, essa é a primeira vez que vamos reunir um número grande de pessoas. É muito importante, porque muitas delas não têm a possibilidade de ir à praia, passear ou tirar férias. Assim, é fazer com que os jovens se divirtam, e ao mesmo tempo, acolher”, salienta.

Atuação e perspectivas

Durante o ano, a Anjos e Querubins abre de segunda a sábado, oferecendo oficinas de teatro, dança e percussão. Todas as tardes, um lanche é servido aos presentes, com o apoio de padarias do bairro. Com a suspensão das aulas presenciais, em 2020 e 2021 a ONG também disponibilizou computadores para as tarefas escolares.

A previsão é de que as atividades deste ano na sede sejam retomadas no dia 20 de janeiro. Em fevereiro, após a estadia na praia, a ONG se mobiliza para receber o egípcio Shady Hazem Fayez, estudante de administração que passará seis semanas em Pelotas. Flores conta que o intercâmbio é incentivado com o intuito de apresentar outras culturas e formas de vida. Para isso, possui parceria com a plataforma internacional de intercâmbio e liderança Aiesec.

Com o recebimento de doação de novos instrumentos musicais, no final de 2021, e a expectativa do ingresso de três novos voluntários instrumentistas, a ONG pretende passar a contar com aulas de violão e violino em breve. Além disso, mantém aproximação com lideranças do bairro Getúlio Vargas de Rio Grande visando ações que contemplem a cidade vizinha em um projeto incentivado pela Universidade Federal do Rio Grande (Furg).


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