Coronavírus

Setores produtivos analisam novo decreto municipal

Visões são distintas sobre as novas medidas de combate à pandemia em Pelotas

03 de Dezembro de 2020 - 08h50 Corrigir A + A -
Ao Diário Popular, o presidente do Sindilojas, Renzo Antonioli, disse que algumas das restrições são bem-vindas pelo setor, como a proibição da permanência em espaços públicos (Foto: Jô Folha - DP)

Ao Diário Popular, o presidente do Sindilojas, Renzo Antonioli, disse que algumas das restrições são bem-vindas pelo setor, como a proibição da permanência em espaços públicos (Foto: Jô Folha - DP)

Pelotas vive, possivelmente, o momento mais crítico desde o início da pandemia do novo coronavírus - só ontem, 200 novos casos e um óbito foram registrados. A situação levou a prefeitura a publicar na terça-feira um novo decreto endurecendo as restrições aos mais variados setores da sociedade e da produção. Também foi variada a recepção dos representantes de indústrias, comércios, restaurantes, eventos e demais segmentos econômicos da cidade.

Comércio

A partir do texto, o comércio mantém dias e horários de funcionamento _ de domingo a domingo, desde que exista autorização prévia em Convenção Coletiva ou Acordo Coletivo de Trabalho, das 9h às 19h. A alteração está no teto de operação. No varejo, de itens não essenciais, ele é de 50% dos trabalhadores. Já no atacado, também de itens não essenciais, o limite é de 25%. Em centros comerciais e no Shopping Pelotas, o teto é de 50% de trabalhadores e 50% da lotação. Comércio eletrônico, tele-entrega, drive-thru e pegue e leve estão liberados.

Ao Diário Popular, o presidente do Sindilojas, Renzo Antonioli, disse que algumas das restrições são bem-vindas pelo setor, como a proibição da permanência em espaços públicos. Ele lembra, porém, que as adaptações necessárias para que as normas sejam respeitadas foram difíceis, resultando em demissão de cerca de 35% dos trabalhadores.

Hotéis e restaurantes

Para estabelecimentos de entretenimento e alimentação, como restaurantes, food trucks, lojas de conveniências, bares, lanchonetes e lancherias, o horário de atendimento ao público externo ficou definido até as 19h para cessar todas as atividades. Serviços de tele-entrega, drive-thru e pegue e leve estarão permitidos até as 24h. Atendendo determinação estadual, o autosserviço está proibido.

As medidas são vistas com preocupação pelo diretor financeiro do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Pelotas, Caio Stiger. "O setor foi um dos mais atingidos pela pandemia. A proibição do atendimento presencial após às 19 horas é devastadora para os estabelecimentos que operam somente a noite", comenta.

Em relação aos hotéis, o presidente do órgão, Eduardo Curi Hallal, destaca que a bandeira vermelha, por si só, já havia trazido restrições, por conta da redução de reservas que naturalmente o agravamento da pandemia causa, não havendo endurecimento delas a partir do decreto

Indústria

No setor das obras e indústria, a determinação é que as empresas sigam as normas estipuladas pelo Decreto do Estado 55.610/2020. Atividades como festas, inclusive de aniversário e casamento, e eventos de qualquer natureza seguem vedados.

O presidente do Centro das Indústrias de Pelotas (Cipel), Amadeu Fernandes salienta que, no setor, o principal percalço é em relação ao transporte coletivo - a partir do novo decreto, os ônibus em Pelotas podem circular apenas com 50% da ocupação. "Por conta disso os trabalhadores têm tido dificuldade em chegar no horário." O empresário frisa que a indústria já conseguiu recuperar os postos de trabalho perdidos na pandemia.

Eventos

Por fim, pelo setor de eventos, a cerimonialista Ana Bonilha diz reconhecer o momento crítico da pandemia na cidade, mas crê que a atividade tem sido prejudicada. "Não podemos pagar essa conta sozinhos. Todos os outros setores estão trabalhando, ainda que com restrições. O mais justo seria que todos parassem pelo período de 15 dias e depois todos retornassem seguindo todos os protocolos", afirma.

Também trabalhadora do setor, Andreia Marini salienta que o setor acaba por gerar renda para diversas áreas da economia, através da contratação de garçons, salões de beleza, serviço de filmagem, entre outros. "Não queremos fazer nada irresponsável. Queremos apenas desenvolver um trabalho responsável dentro de todos os protocolos." Um movimento estadual, com trabalhadores do setor, deve realizar uma manifestação pedindo atenção aos profissionais dos eventos.

 


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