Mobilização

Servidores da educação realizam o Dia do Basta

Os atos simbólicos ocorreram em todo o Estado e pediram por salários em dia e melhorias no ensino remoto

31 de Julho de 2020 - 20h42 Corrigir A + A -

Carlos Queiroz 81777Mobilização liderada pelo Cpers ocorreu em frente à 5ª CRE (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Foi em um ato simbólico e silencioso que os profissionais da educação do Governo do Estado declararam o Dia do Basta. O movimento ocorreu na frente de todas as Coordenadorias Regionais de Educação (CRE) e do Palácio Piratini, contando com a presença de no máximo dez pessoas, para respeitar o distanciamento social. Encabeçado pelo Cpers, o grupo reivindicou, principalmente, pelos 56 meses de salários atrasados e pela dificuldades enfrentadas com o ensino remoto.

Em Pelotas, sede da 5ª CRE, cinco representantes se reuniram no local. Com balões pretos e cartazes com as principais demandas escritas, as representantes marcaram presença e não geraram aglomerações. De acordo com Sônia Solange Viana, secretária de escola e representante dos funcionários na Direção Central do CPERS, o ato ocorreu na sexta-feira (31) para simbolizar o dia em que os servidores deveriam estar recebendo seu salário, porém recebem atrasado há quase cinco anos. Além disso, as representantes pautaram as dificuldades enfrentadas no ensino remoto no período de pandemia. “A maioria dos educadores e alunos não têm acesso de qualidade à internet”, comentou.

Outra preocupação do grupo são que as atividades feitas fora do classroom (plataforma adotada para o ensino on-line) não sejam valorizadas. Entretanto, a 5ªCRE garante que isso não é uma possibilidade. Pela falta de acesso, as escolas seguem abertas, em forma de plantão, para fornecer material aos alunos. Isso implica em equipe diretiva e funcionários expostos ao novo vírus. “Exigimos proteção adequada para todos que precisam estar dentro das escolas”, disse Solange.

O coordenador do 24º núcleo do Cpers, Mauro Amaral, explica que a atividade foi aprovada no último conselho geral do sindicato. O objetivo é denunciar e reivindicar soluções para o aprofundamento da categoria, que enfrenta salários atrasados e não ajustados. Amaral também chama a atenção para o fato de que os servidores não receberam os dias recuperados da última grave. “E buscamos soluções para as demandas que estão surgindo na pandemia”, completou.

O Cpers afirma que há uma sobrecarga de trabalho em função das aulas remotas, além do governo não garantir ferramentas necessárias para que essas atividades on-lines ocorram. “A categoria que já se encontra na miséria, tem pago internet do seu bolso para conseguir trabalhar, sem falar nas ferramentas, como computador e celular”, relatou. Outra preocupação é com os alunos que não conseguem acessar as aulas, seja por falta de acesso à rede ou por falta de aparelhos. “O governo precisa garantir internet e ferramentas”, disse.

O que diz a 5ª CRE?

Primeiramente, a coordenadora regional Alice Maria Szezepanski reconheceu a legitimidade das manifestações e garantiu que é necessário os órgãos serem ouvidos, sempre com respeito, como ocorre entre a coordenadoria e o sindicato. “A 5ªCRE está sempre de portas abertas”, garantiu. Alice contou que no último relatório recebido da Secretaria de Educação (Seduc), havia o registro que 66% dos alunos teriam feito o primeiro acesso na plataforma. “Mas claro que teve escolas com mais de 80% e outras com menos de 30%, a gente reconhece e lamenta isso”, disse. Ela garante que o aluno que não conseguir acessar o classroom não será prejudicado. “Se não tem acesso chegaremos nele de outra maneira”. A única exigência, segundo ela, é que a aula apresentada para um seja a mesma apresentada a outro, não importando o meio. Agora, as escolas precisam identificar quem não tem como mexer na ferramenta, seja por não ter acesso à rede ou aos aparelhos tecnológicos. E junto com a 5ºCRE, Seduc e órgãos de apoios haverá uma busca ativa. Desse modo, existirá uma garantia de que o aluno não será prejudicado no retorno. “É um momento difícil, mas também estamos esperando a qualquer momento a liberação de dados em parceria com as quatro operadoras”, ponderou.


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