Incerteza

Seria o fim das olarias da Sanga Funda?

A matéria-prima utilizada na produção dos tijolos está se esgotando e oleiros pedem ajuda

08 de Abril de 2021 - 08h34 Corrigir A + A -
Se não for solucionado o problema, estima-se que do número total de olarias em funcionamento atualmente, apenas três ou quatro sigam funcionando (Foto: Jô Folha - DP)

Se não for solucionado o problema, estima-se que do número total de olarias em funcionamento atualmente, apenas três ou quatro sigam funcionando (Foto: Jô Folha - DP)

Os proprietários das olarias localizadas no bairro Sanga Funda estão preocupados com um possível encerramento das atividades. A argila usada na produção dos tijolos está se esgotando, ou em alguns casos, já acabou. A retirada do material é feita em uma barreira coletiva que possui cerca de 26 hectares e a extração varia de acordo com a demanda da olaria. O espaço é dividido entre os 19 oleiros do local.

Seu Guido Einhardt por exemplo, está desde janeiro utilizando argila retirada de uma propriedade privada, porque a parte do material direcionada a ele na barreira já acabou. Mesmo possuindo esse recurso próprio, trata-se de uma reserva. Ele explica que necessita da barreira, pois sem ela, não conseguirá manter-se por muito tempo. "Estou trabalhando ainda porque tenho um pouco de argila particular, mas se não tiver, vou ter que parar", lamentou. Sua olaria possui 18 funcionários e fatura em média R$ 600 mil por mês. O empresário de 81 anos, está há 45 anos no ramo. Uma vida dedicada a um trabalho que pode chegar ao fim.

A presidente da Associação dos Ceramistas de Pelotas, Olga Azevedo, explica que a barreira coletiva foi dividida em duas partes. A primeira está com os recursos naturais próximo do fim. Por isso, já foi iniciado o processo de licenciamento da segunda metade, mas ainda não tiveram autorização. Mesmo com essa liberação, a matéria-prima disponível no local só garante o funcionamento das empresas por mais dois ou quatro anos, dependendo da demanda. Ela conta que para manter o trabalho das olarias por mais tempo, é necessário que a prefeitura conceda a liberação de uma área que fica próxima à barreira coletiva. O espaço possui cerca de 22 hectares.

Se não for solucionado o problema, estima-se que do número total de olarias em funcionamento atualmente, apenas três ou quatro sigam funcionando, já que adquiriram matéria-prima de locais particulares.

Economia afetada

Caso ocorra o fechamento das olarias, além do fim dos 600 empregos diretos gerados pela produção, o fechamento das empresas influencia na economia do bairro e da cidade. Na Sanga Funda, uma parte dos moradores vive da produção do tijolo. Além disso, as empresas do ramo de construção na cidade se abastecem com os produtos desses locais e com o encerramento das atividades, será necessário realizar a compra em outros estados, como por exemplo Santa Catarina, o que pode tornar o produto mais caro ao consumidor. Além de comercializar para Pelotas, as olarias comercializam os produtos para outros locais, como a Serra Gaúcha e o país vizinho, Uruguai.

Olga conta que os proprietários estão com medo de fazer investimentos por não saberem por quanto tempo ainda vão trabalhar. Em sua olaria, foram adquiridas duas máquinas, mas não terminaram de ser instaladas por medo de empregar mais dinheiro em algo que pode não durar muito tempo. Tanto Olga, Guido e demais oleiros estão preocupados com o rumo que a atividade pode tomar. "A gente pede para a prefeita que nos libere essa área. Estamos precisando com urgência" comenta Olga.

Encaminhamentos

Na última terça-feira, secretários municipais estiveram reunidos com representantes das olarias que reivindicaram a liberação da nova área, para extração do material. O secretário de Qualidade Ambiental (SQA), Eduardo Schaefer, informou que irá vistoriar a localidade com a equipe de técnicos, com o objetivo de verificar as condições e as necessidades dos empresários. Ubirajara Leal, gestor de Habitação e Regularização Fundiária (SHRF), diz estar trabalhando para dar andamento à regularização fundiária da região.

A emissão do alvará de localização dos empreendimentos também foi pauta. Conforme acordo estabelecido entre as secretarias, o documento será emitido pela SHRF, e passará a ser aceito pela pasta de Gestão da Cidade e Mobilidade Urbana, responsável pelas permissões relacionadas à construção civil. Caberão à SQA as deliberações quanto à área ambiental.


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