Impasse

Sem previsão de volta do serviço

Projeto de lei para selecionar pessoal ao Programa de Redução de Danos aguarda análise da Câmara

17 de Setembro de 2019 - 22h41 Corrigir A + A -

Por: Michele Ferreira
michele@diariopopular.com.br 

Profissionais atuam com os chamados

Profissionais atuam com os chamados "grupos invisíveis" (Foto: Carlos Queiroz - DP)

A retomada das atividades do programa de Redução de Danos segue sem previsão, em Pelotas. O projeto de lei que permitirá a seleção de 15 profissionais está em análise na Câmara de Vereadores, onde surgiu a proposta de os redutores serem contratados por dois anos, renováveis por igual período, e não por um ano mais um, como no texto original encaminhado pela prefeitura ao Legislativo. Enquanto isso, já são mais de 35 dias sem saídas de campo para contato direto com os dependentes químicos; a grande marca do trabalho desde que foi instituído, há 18 anos.

Atualmente, as atividades limitam-se a um plantão na sala da Redução de Danos e para situações mais urgentes. Apenas uma redutora, que permanece com o contrato em vigor, e uma educadora social se mantêm de prontidão. Sem a equipe para sair às ruas, não são apenas as abordagens realizadas em pontos de uso e abuso de álcool e de outras drogas que deixam de ocorrer. Os reflexos chegam também a outros dois serviços: ao programa Consultório na Rua e ao Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps-AD). 

A aprovação dos parlamentares, entretanto, será apenas uma das etapas a serem cumpridas. Após o aval da Câmara, o Executivo ainda receberá prazo de 15 dias para publicar edital com as regras do processo de seleção. A estimativa, portanto, é de que o grupo só esteja em condições de assumir o trabalho no final do mês de outubro - projeta a coordenadora do Departamento de Saúde Mental, psicóloga Gabriela Haack. A expectativa é de que a seleção, por análise de currículos, seja rápida, já que muitos dos candidatos tendem a ser os mesmos que mantêm o programa em pé em Pelotas há anos.

Relembre
Historicamente, os redutores de danos acessam locais onde os serviços públicos não chegam. Os usuários integram uma comunidade invisibilizada. E, nesse contexto, as equipes distribuem muito mais do que fôlderes informativos, preservativos para o sexo seguro e materiais que permitam a prevenção de doenças como a Aids, a hepatite e a tuberculose. Os profissionais levam a escuta aos dependentes químicos e, não raro, tornam-se porta-vozes de uma série de demandas ao próprio Poder Público.


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