Município

Saúde Mental cria novo fluxo de atendimento em Pelotas

Rede de Atendimento Psicossocial reorganiza e fortalece serviços para garantir segurança aos usuários devido à pandemia do coronavírus

28 de Outubro de 2020 - 21h36 Corrigir A + A -
Ambulatório de Saúde Mental está em endereço novo (Foto: Rodrigo Chagas - Ascom)

Ambulatório de Saúde Mental está em endereço novo (Foto: Rodrigo Chagas - Ascom)

O atendimento ainda é individual - uma precaução para evitar o contágio pelo novo coronavírus. Mas, algumas mudanças para os usuários da Rede de Atendimento Psicossocial (Raps), da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), são necessárias por conta do momento de pandemia. O Ambulatório Especializado em Saúde Mental reorganizou e fortaleceu o acompanhamento dos pacientes, principalmente crianças e adolescentes, além de ocupar novo endereço, à rua General Osório, 456, antiga sede do Centro de Atendimento à Saúde Escolar (Case).

Segundo a chefe do Departamento de Saúde Mental da SMS, Márcia Helena dos Santos da Rosa, desde o ano passado foi feito um estudo sobre as necessidades de fortalecer a Rede de Atendimento Psicossocial, focando nos atendimentos ambulatoriais para adequação ao preconizado pela atual política de Saúde Mental. O Ambulatório, que existe desde 2006, atendia jovens a partir dos 15 anos e adultos, e estava em funcionamento no Centro de Especialidades, mantido com recursos do município. Com a mudança, passou atender toda a população, em local exclusivo, dedicado ao público-alvo.

"O aumento e o agravamento da demanda de pacientes moderados e graves em sofrimento mental, bem como um número significativo de casos leves, necessitando de orientação e acompanhamento, tornaram necessária a reorganização dos fluxos, fortalecimento e habilitação dos serviços", relata Márcia Helena. 

A secretária de Saúde, Roberta Paganini, destaca que o Ambulatório tem "papel fundamental" para a organização da Rede Psicossocial de Pelotas. Com o ordenamento do serviço, os pacientes considerados leves são atendidos na Atenção Primária (UBSs), os de nível intermediário no Ambulatório e aqueles com adoecimento mental mais grave nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Paganini frisa que a as mudanças no atendimento foram construídas de forma coletiva, com a participação de todos os trabalhadores da área da saúde mental.

"Conduzimos, de forma horizontal, com muito diálogo entre a gestão, a coordenação da Saúde Mental e os trabalhadores do Ambulatório, do Case, o que traz uma solidez para o serviço ofertado. Não é só a mudança de local, de endereço, como a de processo de trabalho. Isso significa uma grande qualificação na Saúde Mental do Município", frisa a gestora da Saúde.

Case

Com o novo fluxo, o Ambulatório também passou a atender os casos de crianças com dificuldades no ambiente escolar - os pacientes do Centro de Atendimento à Saúde Escolar – Case. Segundo a chefe da Saúde Mental, o Centro não possuía clientela ou critérios claros, acolhendo demandas leves, moderadas e até graves, com significativa fila de espera, desvinculado da Saúde Mental, voltado mais especificamente à demanda escolar.

"É importante ressaltar que, com essa nova proposta, as crianças que eram atendidas no Case, não ficarão desassistidas, pois o objetivo é ampliar o acesso, qualificar a assistência e organizar os serviços de Saúde Mental em uma rede resolutiva e alinhada às políticas de saúde", registra Márcia, ao anunciar que o trabalho com as crianças será potencializado a partir da ampliação dos profissionais à disposição dos mais variados tipos de casos envolvendo dificuldades no ensino-aprendizagem.

Funcionamento do ambulatório

De acordo com a coordenadora do Ambulatório, Mariglei Argiles, a mudança está se consolidando desde março, mas com a pandemia o serviço chegou a ser fechado para novos atendimentos. Durante esse período, os usuários precisaram se dirigir aos Caps para obter a receita médica. Desde julho, de maneira gradual, foram retomados os atendimentos individuais, presenciais ou remotos. 

"Em setembro, tivemos 235 atendimentos adultos e, em outubro, 195 pessoas foram atendidas até agora, sendo que, muitas, são novos usuários. Quando podíamos trabalhar em grupos, eram prestados cerca de mil atendimentos por mês", pontua Argiles.

Todos os pacientes precisam ser referenciados, ou seja, encaminhados por serviços de saúde para atendimento no Ambulatório. O prédio que já está identificado com a nova denominação mantém-se aberto das 8h às 19h.

Outros serviços

Além do Ambulatório Especializado em Saúde Mental, a SMS também está readequando o Serviço Residencial Terapêutico II, que é vinculado ao Caps Fragata, destinado àquelas pessoas com maior grau de dependência, que necessitam de cuidados intensivos específicos, do ponto de vista da saúde em geral. Segundo a chefe da Saúde Mental, entre as mudanças, está a preparação dos alimentos, antes terceirizados, agora preparados por cozinheiros, com cardápio organizado por nutricionista. Outra novidade é a transferência da casa para um novo endereço.

"Avaliamos que existe a necessidade de adequação do Serviço Residencial Terapêutico. Para o processo de reabilitação, é imprescindível a inserção dos moradores na rede social existente. A residência precisa estar em local que facilite o acesso aos pontos estratégicos, como serviços de saúde, espaços de lazer, pontos turísticos, bens de consumo, transporte urbano, de fácil alcance dos trabalhadores ao serviço", explica Márcia Helena.

A SMS também encaminhou documentação para habilitar, junto ao Ministério da Saúde, um Serviço Residencial Terapêutico I, voltado para pessoas com transtorno mental, em situação de internação de longa permanência, mas com maior grau de autonomia. A Saúde Mental está adquirindo mobiliário para a abertura do serviço e já tem a equipe montada e o imóvel para a instalação.


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